domingo, 16 de março de 2008

Crônica de costumes.

Ele estava lá, solitário, com o rosto coberto pelo medo. As cenas, até ali trasncorridas, embaralhavam-se em seus pensamentos súbitos. Ele não tinha maturidade suficiente para saber o que estava acontecendo. Os trejeitos denunciavam-no. Os cantos sempre eram seus principais companheiros.
Ele podia não entender o que se passava, mas sentia que as brincadeiras de roda não gostavam dele. Ele apenas observava os grupos animados, porém herméticos. Para ele, não havia motivos. Desejava apenas brincar. A fala alta o incomodava, pois não havia com quem falar alto também.
A atenção da mestra nunca lhe era prestada. Ele apenas ouvia os conselhos dados. Muitas tentativas de inclusão foram promovidas, porém sem muito sucesso. Acabava sempre conversando com quem lhe dava atenção. Não conversava. Nem olhar as horas ele sabia para saber se o fim do sofrimento diário se aproximava. Ele não sabia o que havia de errado.
Pensava apenas se algum dia aquilo teria fim. Não conseguiria viver daquela forma. Precisava ser aceito. Tinha de mudar. Queria brincar. Só conseguia pensar e esperar o tempo passar impacientemente. Depois chorar. Para chamar atenção.




P.S.: Este texto é dedicado à Marina e à Elenita. :D

domingo, 9 de março de 2008

Febre nacional.

O orkut é, indiscutivelmente, a febre nacional. Ele virou algo inerente às pessoas e ao levar da vida. Todas as pessoas ficam ansiosas pelo recebimento de "scraps", pelo aumento do número de amigos, pela atualização do álbum, por depoimentos que expressem carinho extremo, mostrando que a pessoa é bem quirsta.
"Meu Deus, a fulana atualizou o álbum dela!! Acabei de ver nas atualizações dos amigos no meu perfil. Mas olha, ela estava na Europa, desgaraçada! Uma sorte dessa eu não dou."
"Égua, o cara tá pegando essa gata ae, não acredito!! E ainda anda com as melhores roupas, num carrão, porque dá pra ver pelo fundo da foto, que aparece a garagem. Sem falar que ele tem os amigos que eu queria ter, todos populares!"
"Chega add, chega add, chega add. Ai meu Deus, ninguém me adiciona. :x"
Essas pensamentos inrustidos, ou não, tornaram-se comuns nas vidas das pessoas. E não adianta negar, todos já pensaram ao menos algum deles. As pessoas estão vivendo em função de mostrar sua vida no orkut. E, mais uma vez, isso é inegável. Vai dizer-me que você não pensa..
Churrascão lotado, galera animada, momento de bater fotos, então:
"-FOTO! FOTO! FOTO!"
(pose)
(mais uma pose)
(e outra)
"-Cadê, deixa eu ver se ficou boa."
"Olha, está ótima! Essa vai pro orkut certeza."

Então? Minto? Não, né? É o famoso modismo e é do ser humano, portanto, normal. Normal até certo ponto, diga-se de passagem. Não podemos viver em função do que as pessoas que frenqüentam meu profile vão pensar do que tem escrito no meu quem sou eu. Isso sim é banal demais. Pensar em fotos, poses, cores, efeitos e bordas para as fotos do seu álbum é normal. Ou, ao menos, eu acho.

Mas a melhor parte de ter orkut é estar "antenado" com as novidades alheias. É ou não? Lógico que é! Melhor do que parecer ter uma vida perfeita para os amigos do seu orkut é ver a vida "perfeita" dos outros ou a não-perfeição dela. Não se culpem tanto lendo isso. As pessoas dão-nos motivos para fazer isso. A primeira coisa que um casal faz quando termina o namoro é tirar o 'namorando' do orkut. Eles querem que fechemos os olhos para isso? Os depoimentos que juram amor eterno são apagados. O álbum 'ele(a), só dele(a)' é apagado. Os depoimentos seus para ele(a) são apagados também. O ex-compromissado não se importa nem em curtir a dor do momento, o importante é mesmo mostrar ao ex que está bem sem ele. Para isso, o orkut é sempre o melhor amigo.
Participar de comunidades, hoje, não é mais ter interesse no assunto abordado. As pessoas usam as comunidades para passar a idéia que querem. Exemplo: 'Eu fui para a Europa', a pessoa está, realmente, interessada em postar nos fóruns da comunidade como foi a experiência dela pela Europa? Claro que não! O que ela quer é deixar disponível aos olhos alheios que ela foi à Europa e que se orgulha disso.
Conversar por scraps é moda sim! Vamos segui-la então. MSN para quê? Você, na grande maioria extraordinariamente esmagadora das vezes, tem a pessoa adicionada no MSN, mas ter mais scraps é muito mais importante, não é verdade? Quando a pessoa não quer conversar por scraps, mas tem medo de cortar o ávido colecionador de recados? É, o jeito é suportar. Depois, discretamente, é só apagar, quando não tiver mais na página principal. Experiência própria.
Trancar o álbum, os scraps e os vídeos também virou moda. Definitavamente, não concordo. Viva a democracia!! Se é para expor a vida, vamos expor por completo. Já dizia o velho dito popular: "Quem está na chuva é para se molhar." Não vale acompanhar Rihanna e ficar under a umbrella ella ella dela. Só é permitido para os amigos da lista. Nossa, que discreto! Uma pessoa, realmente, que não quer expor a vida, de fato.(palmas para a discrição de tal personalidade) Um projeto de Sandy, eu diria. Enfim, mas é um artifício disponível.
Mas a última moda no mercado brasileiro de orkuts é, na verdade, conversar por depoimentos. Seu segredo estará bem guardado. Aí, certamente, não há como os apaixonados pela coletivização das informações pessoais saberem de nada. Parabéns, sua privacidade está assegurada. Você é uma pessoa discreta que consegue guardar os pormenores de sua vida.
Apenas mais um detalhe: se você se encaixou em alguns desses pensamentos, descrições, relatos, tudo bem, é a moda.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Big Criticado do Brasil

Começou, há pouco tempo, mais uma edição do Big Brother Brasil, a oitava. Parece que o “Big God”, finalmente, após um período de experimentações, definiu o padrão do programa: gente feia já era; pobre não tem mais vez; os negros têm lugar cativo; ter a personalidade marcante(ou fingir que tem); ser bonito naturalmente ou artificialmente; ser ou fazer algo excêntrico são características básicas para passar pelo processo de seleção. Mas qual o motivo de o BBB ser tão criticado?

Muitos dizem ser uma besteira passar o dia acompanhando a vida de um “bando” de desconhecidos que, na maioria das vezes, não tem cultura alguma para acrescentar ao povo brasileiro, seria mais um exemplo de “cultura inútil”. O BBB é apenas uma forma rápida de ascensão para pessoas que querem um espaço na mídia para mostrar o “seu talento”, dizem eles. Sinceramente, vai adiantar criticar o programa? Será esse o único programa de má qualidade presente na rede de TV aberta do Brasil? Existem programas sem conteúdo que estão no ar há mais de dez anos e nunca li ou ouvi críticas a eles. Não que isto seja uma apologia ao programa, mas sim um alerta para assistirmos o que nos dá vontade, o que nos desperta interesse, mas, obviamente, sabendo o que se está assistindo.

Quem não tem curiosidade em saber quem foi o vencedor da prova de resistência para a escolha do líder? Será que quem ganhou a prova do anjo foi aquele que eu estou torcendo? Tomara que aquela falsa seja eliminada no paredão de amanhã! É entretenimento, não importando a qualidade. Após um dia de trabalho enfadonho ou um sacal dia de estudos, assistir a um documentário sobre o aquecimento global apenas piora a tensão, certamente. Se virmos pelo lado bom, colocaram um bom apresentador que, ao menos, faz comentários inteligentes e “alfineta” com perspicácia. Até discussão sobre mitologia grega já teve, ou seja, o nível está ficando melhor. Quem sabe no BBB 16 não teremos apenas comentários cultos?