domingo, 28 de setembro de 2008

Sentimento.


Ele vem do nada e te invade, que estranho! Você nem estava contando com ele. Era uma bela tarde, e você estava calmo, centrado, feliz. De repente, algo acontece, alguém aparece. E você não está nem aí. Você nem gosta de conhecer pessoas novas mesmo. Você, na maioria das vezes, está fechado, porque você é assim, você tem medo do novo, minto? Pra chegar perto de você, tem de ter o dom da palavra. É, isso é deveras apreciado. Por que? Porque falar sozinho e não ter companhia digna é a coisa mais entediante que alguém pode presenciar, quiçá viver ao lado.
Não adianta, quando você não quer, o seu coração faz questão de te contrariar. Acho que é o órgão do corpo humano mais birrento. Mais até que os músculos e seus espamos involuntários.
Pois bem, lá vem ele, começa a te importunar. 10min, 25min, mais três dias, 30min. Quando você se dá conta, ele te importuna todos os dias. Ele é inventivo, diferente de tudo que você já tinha visto. Deve ser esse diferencial que impediu o seu bloqueio. Mas enfim, você ainda consegue controlar, mas ele começa a te invadir por completo. Quando você se dá conta, não tem mais jeito. Ele te dominou, você está completamente invadido. Como a multidão que invade, como a chuva que chega molhando tudo, como o cardume que caminha em direção às águas quentes, como tudo que você vai contra e, invariavelmente, você começa a gostar.
É impressionante como o jogo pode virar, você manda nele e, depois, ele manda em você. Você se cala, é o único jeito, quem manda agora é ele. E vá lutar, não adianta. É melhor se calar, dar tempo ao tempo. Como você odeia essa frase! Tanto! Dar tempo ao tempo? O tempo quem faz é você, você pode perder um tempo feliz, porque você está dando tempo ao tempo, que já tem tempo. Ele não precisa de você, o tempo é solitário, e você não precisa ser assim também. Apenas seja você. Pare de bloquear o que é pra ser seu. Mas o direito é dele, quem manda é ele. Você pode obrigá-lo? Não, de forma alguma. Fique quieto, de repente, ele olha pra trás e vê que você foi invadido, que você não quer brigar, que você quer crescer, ser interessante todos os dias. É, mas não se culpe, a culpa é dele, que te invadiu. O sentimento puro te invadiu. Parabéns, agora é esperar passar.



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Um dia comum?


Nunca havia visto um supermercado tão lotado! O caixa rápido parece ser sempre o mais lento, além de eu conseguir contar mais de 10 volumes por pessoa em todo mundo da fila. Enfim, espero, espero e, casadamente, espero. Empacoto tudo e dirijo-me ao meu carro. Buzino e vejo o portão abrindo-se. "Obrigada", digo isso num olhar ao porteiro. Desço, pego o carrinho de compras do condomínio para colocar as minhas e levar ao meu apartamento. Ao dar o primeiro empurrão, escuto um barulho estrondoso. Para variar, deve ser mais um jarro de flores que cai. Ao chegar à frente do prédio, um corpo! Meu Deus, nunca tinha visto tal cena. Fiquei estarrecida. Meus olhos não queriam acreditar, era Isabella! Aquele gelo profundo tomou conta do meu corpo. Sabe quando você pára porque o seu cérebro não consegue dar a ordem pra ir adiante? Pois é, foi, exatamente, isso. Ouço um grito, mas não sei de quem foi. E isso era o que menos importava. O que eu ia fazer? A garota estava agonizando. Imagine se fosse minha filha ali. Não quero nem pensar nisso. Rapidamente, os bombeiros chegaram e fizeram os primeiros socorros, inúteis.
Eu nunca pensei em presenciar o caso que comoveria o país. Ainda mais de uma criança que era amiga da minha filha, não queria acreditar. Chega a imprensa, a polícia, a perícia, os curiosos, mobilização generalizada. Depois de duas horas, quando o choque passou, consegui chorar, mas não um chorar qualquer, caí em prantos. Aquela cena jamais sairia da minha mente. Aquela linda menina não merecia essa fatalidade. Fatalidade até meu marido assistir ao primeiro noticiário. Eu achei que ele estivesse enganado ou algo do tipo, mas não. Acreditar que ela havia sido empurrada da janela? Eu sou humana demais para acreditar nisso. Outro choque. Digamos que, nesse período, minha vida não tem sido a mesma. Todos os dias são milhares de máquinas fotográficas e filmadoras em frente ao meu condomínio. Aqueles abutres da imprensa que não sabem falar em outra coisa. Sensacionalismo demais, comentários demais, suposições demais. Tudo bem, ajudam a levantar a cabeça da população e o clamor por justiça, mas não vamos brincar com os sentimentos das pessoas. Chegar ao ponto de levar uma boneca à um programa de TV e jogá-la de certa altura para simular o crime? Menos, bem menos. Ligo a televisão e só se fala nisso.

Eu não consigo engolir e, muito menos, digerir como se pode matar uma criança, que não faz mal a ninguém! Como?? Vi no jornal um estuprador que estuprou uma criatura de quatro anos, fazendo sexo anal e vaginal, entupindo a boca da criança de folhas para que ela não gritasse, num matagal! Em que mundo nós estamos, me digam! Cada dia vejo coisas piores, não quero mais nem assistir televisão. Num é que eu queria fechar os olhos pro mundo, o problema é a falta de sentimento nas pessoas, de compaixão. Desculpem-me, ainda não aprendi a lidar com isso, felizmente.
Não quero fazer nenhum julgamente, mas eu acho mesmo que foi o pai e a mulher, nunca gostei dele mesmo. Mas quem sou eu, né? Só me espanto com uma frieza sem tamanho. Espero que esse não seja apenas mais um caso de mídia. Que a justiça aprenda a trabalhar, pois, por enquanto, minha TV continuará desligada.

domingo, 16 de março de 2008

Crônica de costumes.

Ele estava lá, solitário, com o rosto coberto pelo medo. As cenas, até ali trasncorridas, embaralhavam-se em seus pensamentos súbitos. Ele não tinha maturidade suficiente para saber o que estava acontecendo. Os trejeitos denunciavam-no. Os cantos sempre eram seus principais companheiros.
Ele podia não entender o que se passava, mas sentia que as brincadeiras de roda não gostavam dele. Ele apenas observava os grupos animados, porém herméticos. Para ele, não havia motivos. Desejava apenas brincar. A fala alta o incomodava, pois não havia com quem falar alto também.
A atenção da mestra nunca lhe era prestada. Ele apenas ouvia os conselhos dados. Muitas tentativas de inclusão foram promovidas, porém sem muito sucesso. Acabava sempre conversando com quem lhe dava atenção. Não conversava. Nem olhar as horas ele sabia para saber se o fim do sofrimento diário se aproximava. Ele não sabia o que havia de errado.
Pensava apenas se algum dia aquilo teria fim. Não conseguiria viver daquela forma. Precisava ser aceito. Tinha de mudar. Queria brincar. Só conseguia pensar e esperar o tempo passar impacientemente. Depois chorar. Para chamar atenção.




P.S.: Este texto é dedicado à Marina e à Elenita. :D

domingo, 9 de março de 2008

Febre nacional.

O orkut é, indiscutivelmente, a febre nacional. Ele virou algo inerente às pessoas e ao levar da vida. Todas as pessoas ficam ansiosas pelo recebimento de "scraps", pelo aumento do número de amigos, pela atualização do álbum, por depoimentos que expressem carinho extremo, mostrando que a pessoa é bem quirsta.
"Meu Deus, a fulana atualizou o álbum dela!! Acabei de ver nas atualizações dos amigos no meu perfil. Mas olha, ela estava na Europa, desgaraçada! Uma sorte dessa eu não dou."
"Égua, o cara tá pegando essa gata ae, não acredito!! E ainda anda com as melhores roupas, num carrão, porque dá pra ver pelo fundo da foto, que aparece a garagem. Sem falar que ele tem os amigos que eu queria ter, todos populares!"
"Chega add, chega add, chega add. Ai meu Deus, ninguém me adiciona. :x"
Essas pensamentos inrustidos, ou não, tornaram-se comuns nas vidas das pessoas. E não adianta negar, todos já pensaram ao menos algum deles. As pessoas estão vivendo em função de mostrar sua vida no orkut. E, mais uma vez, isso é inegável. Vai dizer-me que você não pensa..
Churrascão lotado, galera animada, momento de bater fotos, então:
"-FOTO! FOTO! FOTO!"
(pose)
(mais uma pose)
(e outra)
"-Cadê, deixa eu ver se ficou boa."
"Olha, está ótima! Essa vai pro orkut certeza."

Então? Minto? Não, né? É o famoso modismo e é do ser humano, portanto, normal. Normal até certo ponto, diga-se de passagem. Não podemos viver em função do que as pessoas que frenqüentam meu profile vão pensar do que tem escrito no meu quem sou eu. Isso sim é banal demais. Pensar em fotos, poses, cores, efeitos e bordas para as fotos do seu álbum é normal. Ou, ao menos, eu acho.

Mas a melhor parte de ter orkut é estar "antenado" com as novidades alheias. É ou não? Lógico que é! Melhor do que parecer ter uma vida perfeita para os amigos do seu orkut é ver a vida "perfeita" dos outros ou a não-perfeição dela. Não se culpem tanto lendo isso. As pessoas dão-nos motivos para fazer isso. A primeira coisa que um casal faz quando termina o namoro é tirar o 'namorando' do orkut. Eles querem que fechemos os olhos para isso? Os depoimentos que juram amor eterno são apagados. O álbum 'ele(a), só dele(a)' é apagado. Os depoimentos seus para ele(a) são apagados também. O ex-compromissado não se importa nem em curtir a dor do momento, o importante é mesmo mostrar ao ex que está bem sem ele. Para isso, o orkut é sempre o melhor amigo.
Participar de comunidades, hoje, não é mais ter interesse no assunto abordado. As pessoas usam as comunidades para passar a idéia que querem. Exemplo: 'Eu fui para a Europa', a pessoa está, realmente, interessada em postar nos fóruns da comunidade como foi a experiência dela pela Europa? Claro que não! O que ela quer é deixar disponível aos olhos alheios que ela foi à Europa e que se orgulha disso.
Conversar por scraps é moda sim! Vamos segui-la então. MSN para quê? Você, na grande maioria extraordinariamente esmagadora das vezes, tem a pessoa adicionada no MSN, mas ter mais scraps é muito mais importante, não é verdade? Quando a pessoa não quer conversar por scraps, mas tem medo de cortar o ávido colecionador de recados? É, o jeito é suportar. Depois, discretamente, é só apagar, quando não tiver mais na página principal. Experiência própria.
Trancar o álbum, os scraps e os vídeos também virou moda. Definitavamente, não concordo. Viva a democracia!! Se é para expor a vida, vamos expor por completo. Já dizia o velho dito popular: "Quem está na chuva é para se molhar." Não vale acompanhar Rihanna e ficar under a umbrella ella ella dela. Só é permitido para os amigos da lista. Nossa, que discreto! Uma pessoa, realmente, que não quer expor a vida, de fato.(palmas para a discrição de tal personalidade) Um projeto de Sandy, eu diria. Enfim, mas é um artifício disponível.
Mas a última moda no mercado brasileiro de orkuts é, na verdade, conversar por depoimentos. Seu segredo estará bem guardado. Aí, certamente, não há como os apaixonados pela coletivização das informações pessoais saberem de nada. Parabéns, sua privacidade está assegurada. Você é uma pessoa discreta que consegue guardar os pormenores de sua vida.
Apenas mais um detalhe: se você se encaixou em alguns desses pensamentos, descrições, relatos, tudo bem, é a moda.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Big Criticado do Brasil

Começou, há pouco tempo, mais uma edição do Big Brother Brasil, a oitava. Parece que o “Big God”, finalmente, após um período de experimentações, definiu o padrão do programa: gente feia já era; pobre não tem mais vez; os negros têm lugar cativo; ter a personalidade marcante(ou fingir que tem); ser bonito naturalmente ou artificialmente; ser ou fazer algo excêntrico são características básicas para passar pelo processo de seleção. Mas qual o motivo de o BBB ser tão criticado?

Muitos dizem ser uma besteira passar o dia acompanhando a vida de um “bando” de desconhecidos que, na maioria das vezes, não tem cultura alguma para acrescentar ao povo brasileiro, seria mais um exemplo de “cultura inútil”. O BBB é apenas uma forma rápida de ascensão para pessoas que querem um espaço na mídia para mostrar o “seu talento”, dizem eles. Sinceramente, vai adiantar criticar o programa? Será esse o único programa de má qualidade presente na rede de TV aberta do Brasil? Existem programas sem conteúdo que estão no ar há mais de dez anos e nunca li ou ouvi críticas a eles. Não que isto seja uma apologia ao programa, mas sim um alerta para assistirmos o que nos dá vontade, o que nos desperta interesse, mas, obviamente, sabendo o que se está assistindo.

Quem não tem curiosidade em saber quem foi o vencedor da prova de resistência para a escolha do líder? Será que quem ganhou a prova do anjo foi aquele que eu estou torcendo? Tomara que aquela falsa seja eliminada no paredão de amanhã! É entretenimento, não importando a qualidade. Após um dia de trabalho enfadonho ou um sacal dia de estudos, assistir a um documentário sobre o aquecimento global apenas piora a tensão, certamente. Se virmos pelo lado bom, colocaram um bom apresentador que, ao menos, faz comentários inteligentes e “alfineta” com perspicácia. Até discussão sobre mitologia grega já teve, ou seja, o nível está ficando melhor. Quem sabe no BBB 16 não teremos apenas comentários cultos?