segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O amor é feio.


Hoje acordei forte, centrado, intenso. Você já acordou assim? É saber que, aconteça o que acontecer, você continuará intenso, centrado e forte. Só consigo ver coisas boas nas coisas ruins quando acordo dessa maneira. Por que é tão difícil cultivar o amor-próprio? Você já achou que a sua vida só teria sentido se certo alguém existisse? E, depois que esse amor passou, você pensou "Como eu poderia ter pensado daquela maneira? Quem é essa pessoa pra mim hoje?". Sinceramente, o que falta nas pessoas é pé no chão, é realismo, é capacidade de desvincular sua vida de um outro ser. Tudo na vida é passageiro, exceto você. Você acompanhará você pro resto da sua existência. Quando você morrer, seu amor por alguém morre junto. Sua personalidade deixa de existir, só ficarão lembranças.
O melhor de amar demasiadamente é quando o amor acaba. É impressionante como, após uma desilusão amorosa, as pessoas tornam-se mais cautelosas. Mas, quando eu falo de desilusão amorosa, é desilusão amorosa mesmo. É chorar todos os dias(às vezes, penso que não chorar é ainda pior), é perder o apetite(ou ganhar), é não ter forças e nem coragem para fazer nada, é achar que a reconciliação vem por meio de um mero telefonema, é achar que a força com que você ama será reconhecida e tudo ficará bem, é anular-se, é achar que o seu amanhã continuará inerte se você não tiver esse alguém ao seu lado, é achar que ninguém é importante se você não tiver a importância do alguém amado.
Gente, se eu disser que isso tudo é efêmero, vocês acreditam? Bem, a crença de vocês vai depender do que vocês estão vivendo, fato. Se você não se encaixa nessa descrição, você não acredita em mim. Se você se encaixou nessa descrição, você acredita em mim. Quando tudo isso passa, você vê o quão você foi egoísta, o quão você deixou os outros tipos de amores de lado em favorecimento de apenas UM outro, que você julgava ser o mais importante. Leia de novo as características de quem passa por uma desilusão amorosa. Viu o quanto todos esses pensamentos são egoístas? E o pior, com você mesmo. É, posso lançar um livro de auto-ajuda, mas isso é tão verdade. E o melhor(é, melhor), eu acho que todos devem passar por isso. Quando você se ergue, você volta mais forte, cauteloso, pé no chão, maduro. Não é que você se torne amargurado, você se torna experiente, é diferente. Você aprende a hora de fazer a coisa certa. Aprender a "jogar", digamos assim. É, infelizmente, 99,100% das pessoas jogam. O famoso "ligar ou não no outro dia" passa pela cabeça de todo mundo. E não me venha com essa "eu não sou assim", lógico que é. É do ser humano. Chama-se medo. É a única coisa que acho que nunca conseguirei entender: por que o ser humano não se apaixona por carinho, afeto, atenção? Repare, são apenas características de encatamento, as pessoas gostam mesmo é do diferente, do estranho. Cabe a você, saber ou não fazer o diferente. Daí, como saber o que é diferente pra outra pessoa? Por isso, amor é sorte. É loteria. Amor de envelhecer junto é loteria. Mas é tão ruim você querer se dar e não poder, não é? Você está ali ao lado, quer dar um abraço, dizer coisas bonitas e...prá, não pode, não diz. É, não diga mesmo. É a tradição, é a lei natural das coisas. O tempo que vai te dar segurança, enquanto isso, seja auto-confiante. É de bestializar o quanto auto-confiança atrai as pessoas. É o famoso "gelo". Esse sim dita as regras. Agora, pergunto de novo, o por quê disso ter de acontecer? Dar gelo para calibrar a relação? Que saco! As coisas podiam ser mais fáceis, é, mas não são. Então, é enfrentar.
Agora, cuidado para não beirar a indiferença. Tem sentimento mais repugnante? Inveja e falsidade perdem é feio. Indiferença é N-A-D-A. Você não é nada pra mim. Já pensou se você não significasse nada? Isso é forte. Cultive o ódio, mas fuja de sentir-se indiferente a alguém. Mas é um pouco inevitável. Você tem de buscar a linha-limite entre a auto-confiança e a indiferença, pois ambas estão bem perto uma da outra. O ódio tem energia, te leva para o caminho do perdão. Mas a indiferença? Ela é morta, é simplesmente nada. Nada é nada. Prevenir alguém "cuidado com a minha indiferença, não a cultive" pode parecer um pouco ameaçador e até prepotente, mas só quem sente é que sabe. E, a partir daí, não é ameaça nem prepotência, é desejo de que esse nada passe bem longe, pois, se ele chegar, acabou.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Jogar conversa fora.


Conversar, bem, conversar..o que seria conversar? De acordo com o dicionário, seria: falar com alguém, palestrar, tratar, discutir, convencer ou persuadir alguém a fazer certa coisa. Caso você não tenha percebido, conversar é um exercício que não se pratica sozinho. Quer dizer interação, é a tentativa de chegar a um consenso. Nem sempre se chega a um consenso, isso é bem verdade, mas ainda continua sendo uma atividade interessante, pois a vontade com que se defende um ponto de vista faz com que você queira conversar sempre.
Pare, recorde uma conversa com alguém que goste. Você já percebeu o quanto conversar com alguém especial te faz bem? Como as horas passam rápido! Como você não quer sair dali! O assunto não acaba, uma coisa puxa outra, tudo se entrelaça, nada se termina. Isso é uma grande verdade, nenhum assunto é terminado. Será que não é proposital? Se um assunto termina, há a possibilidade de um outro não ser puxado imediatamente, mas, se o assunto não é terminado, um vem no meio do outro e assim as coisas vão se misturando e nada tem fim, nem a conversa.
Agora, se alguém souber a resposta, por favor, me diga. Como alguém pode viver junto apenas amando? Amar é um sentimento puro que não trás acoplado o bom relacionamento. Quantas pessoas você conhece que amam, mas que vivem brigando? Então, para o bom funcionamento do amor, é necessário o "se dar bem". O amor não é o bastante, essa é a verdade, as pessoas têm de se encaixar, de casar, de agregar, de somar, de acoplar, de juntar, de amigar, de compartilhar, de dividir. Posso dar um conselho? Se você acha que conversar duas horas com uma pessoa que se gosta é muito, desista e parta pra outra.

domingo, 12 de outubro de 2008

Toma conta de mim.


A ansiedade é algo que te causa diversos sabores. Quando você tem a certeza de que o esperado dará certo, a ansiedade pode ser até algo bom. Mas, quando você não sabe o que vai acontecer, a ansiedade é algo que te corrói. É complicado manter-se racional quando se encontra embebido de ansiedade.
Mas você consegue perceber que a ansiedade é fruto da insegurança? É como o guarda-chuva, sabe? Afinal, porque ele se chama guarda-chuva e não guarda-cabeça? De que lado ele está? Quem ele protege? Ele protege a chuva da sua tolice ou protege a sua cabeça da tempestade? Eis a dúvida. É, lá vem ela. Novamente, a mãe e principal mestra da discípula ansiedade, dúvida. Quando você conseguir solucionar o mistério do batismo do guarda-chuva, a ansiedade some, esvai-se, evapora, extingue-se.
A melhor solução para a cura desse sentimento perturbador é um sujeito chamado amigo. Li em algum lugar que o verdadeiro amigo é aquele que chega quando tudo já se foi. E, se tudo já se foi, é porque ela tomou conta de você. "
Parece que foi ontem, eu correndo entre as árvores tão cheias de frutos. Eu peguei um dos frutos, mordi. O tempo pegou uma das flores, caiu. Parece que foi ontem, eu deitado na grama para olhar as nuvens e meus dedos descobrindo na terra a flor que eu nunca poderia salvar." Você não teve medo de morder o fruto, mas quem mandou o tempo se meter no seu jardim? Quem mandou ele querer influir na forma com que você lidava com as flores? Mas ele tem esse poder, e, nem sempre, é pro seu bem. Eu ainda não consegui desenvolver um jeito de fazer ele esquecer-me e deixar de ser tão presente. Ele deve ser daqueles que não se consegue influir. Quando ele tem de agir, ele vem e..pá.
Mas sabe a melhor coisa que a ansiedade te proporciona? A surpresa. É. Afinal, se você pensa negativamente, não quer dizer que vá acontecer uma coisa ruim, de fato. Eu não canso de repetir que você não sabe o dia de amanhã. A ansiedade é inerente ao hoje. O amanhã não tem necessidade que se acople sentimentos a ele. E ele tá certo, ele tem de ser egoísta, porque ele muda em um décimo de segundo. Sentimentos não são assim, são menos mutáveis. Então, se não vai acompanhar, não comece a correr. Deixe o amanhã ser livre.
Procure alguém que te proporcione um afago, uma coisa nova, um palavra ainda não ouvida. Gente é a coisa mais fascinante que pode haver no universo. Não são signos que vão te limitar, que vão te definir e te dizer como você vai ser, como as coisas vão acontecer. Ora, quem manda em seus sentimentos, em sua maneira de ser, é você, não é seu horóscopo. É bem verdade que ele acerta algumas horas, mas, se ele não acertasse, ele já teria sumido. Mas ele não dita, ele não impõe, ele não é soberano e nem você é subserviente. Mande, você, nele. Mostre quem dá as cartas e que, quando se trata de gente, nada pode ser afirmado, apenas suposto.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cartas, búzios e tarot.


Sabe quando você é seu próprio cartomante? Era assim que Davi sentia-se. Ele sabia tudo que ia acontecer no futuro dele. Mas será que ele estava realmente certo? Bem, pensara ele que sim.
Se Davi tirava uma nota baixa, ele sabia que, próxima etapa, ele estudaria mais e o bom resultado apareceria.
Se Davi brigava com sua mãe, ele sabia que, em dois dias, as pazes seriam feitas.
Se Davi viciava em uma música, ele sabia que, em duas semanas, apareceria outra e ele passaria a ouvi-la.
Se Davi estava a fim de alguém, ele não se angustiava, porque, logo, apareceria outro alguém.
Mas e se Davi se apaixonasse?
Bem, ele jogaria as cartas do tarot na gaveta e sentaria, esperando o destino colocar as cartas para ele.
Dizem que o destino é um dos cartomantes mais mentirosos, o maior dos charlatões. Principalmente, quando você também põe cartas, pois você sempre acha que tem o controle do futuro. E Davi era um desses.
Mas quem disse que, quando você sabe o que vai acontecer, você tem o controle?
Saber o futuro não significa mudá-lo. Davi não sabia disso.
Saber o que vai acontecer ajuda você a não ter tantas surpresas, mas daí a mudar é bem diferente. Muito diferente. Quando se fala em sentimentos, tudo é diferente. Você sente algo hoje, mas não sabe se sentirá o mesmo amanhã, mais fraco ou mais forte.
E se acontecer algo inesperado? Se acontecer, Davi vai colocar as cartas novamente? Você colocaria as cartas novamente?
Toda vez que você ouvir uma palavra que não contava, um olhar que não era previsto, um cheiro inesperado, um gosto surpreendente, uma conversa que não estava programada você vai pôr as cartas?
Davi não sabia se queria as coisas totalmente programadas ou se queria programar e ter surpresas ou se queria tudo não-programado.
Será que o charlatão do destino avisaria a Davi que, por mais que ele soubesse o dia de amanhã, ele agiria de acordo com o que estava programado pelas cartas e não pelo que ele queria que acontecesse? Resumindo, Davi, quando sabia o dia de amanhã, fazia tudo igual, ou seja, para ele, não adiantava saber, porque os sentires dele eram mais fortes que qualquer parte racional do seu cérebro.
Mas ele adorava enganar-se. Achava que seria o dono da situação se pudesse, milimetricamente, descrevê-la.
Ele tem de saber que a vida deve ser como um filho que nasce ao contrário, que nasce para dentro, pois, cada vez mais, estaria perto do coração.
Davi tentava, com as cartas, enxugar suas próprias lágrimas. Tentava fazer o dia seguinte não magoá-lo, não surpreendê-lo negativamente.
Mas qual seria a graça?
De que adianta sentar em um gramado e observar as nuvens passarem se você verá a quantidade certa e a forma certa das nuvens que passam?
Bom mesmo é segurar uma flor e não saber quanto tempo ela vai demorar para cair da sua mão ou para murchar.
A flor pode conter espinhos? Pode. Mas quem garante que não virá alguém fazer um curativo?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Confabule.


- Teu mal é pensar que sempre há uma segunda intenção, sabia?
- E não há?
- Não.
- Vou fingir que acredito.
- Isso não vai mudar em nada, eu não me importo com o que dizem mesmo.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Você não é a chuva e nem o dia ensolarado, você é apenas como a terra, sabe? Pisa-se, porque se tem a obrigação de pisar, mas não faz diferença alguma.
- Eu nunca quis fazer diferença. Você não percebe que está fantasiando?
- Tem certeza?
- Sim. Você é deveras misteriosa, enigmática. Quer muito mais do que o corpo, quer nada além da alma. Tem de agir de forma estratégica, seu modus operandi. Você quer a essência por detrás das aparências. Pistas, sinais sutis, quebra-cabeças. Detetive da alma, investigadora. Não dá para te enganar, você tem visão de raio-x. Não precisa se marquetear, você descobre tudo.
- Oo
- Você parece ser traiçoeira, mas não o é. Você está sempre desvendando os sentires. Sei que você é séria, justa e verdadeira. Age assim e espera o mesmo das pessoas que ama. Você gosta de caráter, de interior. Você é dedicada e gosta de atenção total. Um pouco possessiva e ciumenta. Tem medo de tudo que já passou, criou bloqueios e se fechou.
- Você se sente feliz em me desvendar por completo?
- Não, nunca quis isso, mas é inevitável. Você só não pode pensar que é a única a ter inteligência. Posso ter milhões de defeitos, mas faço questão de ressaltar minhas qualidades. Sou bobo quando me convém. Sei respeitar, sei idolatrar, sei esnobar. Faço até o que não gosto quando é preciso. Sei ter pulso, saiba disso.
- Eu não tenho medo.
- Nem precisa ter, eu não quero isso. Só quero não ter de contemplá-la com minha indiferença. Não existe sentimento mais ridículo. E isso não é uma ameça. É porque não quero que isso aconteça.
- Eu não posso falar nada. A situação não permite. Eu preciso de certezas.
- A vida é incerta. Não adianta bloquear-se e querer fazer tudo diferente.



E assim a lida insana da vida colocou o urso e a raposa de frente. Mas nenhum dos dois queria vencer, apenas ter certeza do dia de amanhã. Coitados, mal sabem que ninguém sabe o dia de amanhã.

domingo, 28 de setembro de 2008

Sentimento.


Ele vem do nada e te invade, que estranho! Você nem estava contando com ele. Era uma bela tarde, e você estava calmo, centrado, feliz. De repente, algo acontece, alguém aparece. E você não está nem aí. Você nem gosta de conhecer pessoas novas mesmo. Você, na maioria das vezes, está fechado, porque você é assim, você tem medo do novo, minto? Pra chegar perto de você, tem de ter o dom da palavra. É, isso é deveras apreciado. Por que? Porque falar sozinho e não ter companhia digna é a coisa mais entediante que alguém pode presenciar, quiçá viver ao lado.
Não adianta, quando você não quer, o seu coração faz questão de te contrariar. Acho que é o órgão do corpo humano mais birrento. Mais até que os músculos e seus espamos involuntários.
Pois bem, lá vem ele, começa a te importunar. 10min, 25min, mais três dias, 30min. Quando você se dá conta, ele te importuna todos os dias. Ele é inventivo, diferente de tudo que você já tinha visto. Deve ser esse diferencial que impediu o seu bloqueio. Mas enfim, você ainda consegue controlar, mas ele começa a te invadir por completo. Quando você se dá conta, não tem mais jeito. Ele te dominou, você está completamente invadido. Como a multidão que invade, como a chuva que chega molhando tudo, como o cardume que caminha em direção às águas quentes, como tudo que você vai contra e, invariavelmente, você começa a gostar.
É impressionante como o jogo pode virar, você manda nele e, depois, ele manda em você. Você se cala, é o único jeito, quem manda agora é ele. E vá lutar, não adianta. É melhor se calar, dar tempo ao tempo. Como você odeia essa frase! Tanto! Dar tempo ao tempo? O tempo quem faz é você, você pode perder um tempo feliz, porque você está dando tempo ao tempo, que já tem tempo. Ele não precisa de você, o tempo é solitário, e você não precisa ser assim também. Apenas seja você. Pare de bloquear o que é pra ser seu. Mas o direito é dele, quem manda é ele. Você pode obrigá-lo? Não, de forma alguma. Fique quieto, de repente, ele olha pra trás e vê que você foi invadido, que você não quer brigar, que você quer crescer, ser interessante todos os dias. É, mas não se culpe, a culpa é dele, que te invadiu. O sentimento puro te invadiu. Parabéns, agora é esperar passar.



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Um dia comum?


Nunca havia visto um supermercado tão lotado! O caixa rápido parece ser sempre o mais lento, além de eu conseguir contar mais de 10 volumes por pessoa em todo mundo da fila. Enfim, espero, espero e, casadamente, espero. Empacoto tudo e dirijo-me ao meu carro. Buzino e vejo o portão abrindo-se. "Obrigada", digo isso num olhar ao porteiro. Desço, pego o carrinho de compras do condomínio para colocar as minhas e levar ao meu apartamento. Ao dar o primeiro empurrão, escuto um barulho estrondoso. Para variar, deve ser mais um jarro de flores que cai. Ao chegar à frente do prédio, um corpo! Meu Deus, nunca tinha visto tal cena. Fiquei estarrecida. Meus olhos não queriam acreditar, era Isabella! Aquele gelo profundo tomou conta do meu corpo. Sabe quando você pára porque o seu cérebro não consegue dar a ordem pra ir adiante? Pois é, foi, exatamente, isso. Ouço um grito, mas não sei de quem foi. E isso era o que menos importava. O que eu ia fazer? A garota estava agonizando. Imagine se fosse minha filha ali. Não quero nem pensar nisso. Rapidamente, os bombeiros chegaram e fizeram os primeiros socorros, inúteis.
Eu nunca pensei em presenciar o caso que comoveria o país. Ainda mais de uma criança que era amiga da minha filha, não queria acreditar. Chega a imprensa, a polícia, a perícia, os curiosos, mobilização generalizada. Depois de duas horas, quando o choque passou, consegui chorar, mas não um chorar qualquer, caí em prantos. Aquela cena jamais sairia da minha mente. Aquela linda menina não merecia essa fatalidade. Fatalidade até meu marido assistir ao primeiro noticiário. Eu achei que ele estivesse enganado ou algo do tipo, mas não. Acreditar que ela havia sido empurrada da janela? Eu sou humana demais para acreditar nisso. Outro choque. Digamos que, nesse período, minha vida não tem sido a mesma. Todos os dias são milhares de máquinas fotográficas e filmadoras em frente ao meu condomínio. Aqueles abutres da imprensa que não sabem falar em outra coisa. Sensacionalismo demais, comentários demais, suposições demais. Tudo bem, ajudam a levantar a cabeça da população e o clamor por justiça, mas não vamos brincar com os sentimentos das pessoas. Chegar ao ponto de levar uma boneca à um programa de TV e jogá-la de certa altura para simular o crime? Menos, bem menos. Ligo a televisão e só se fala nisso.

Eu não consigo engolir e, muito menos, digerir como se pode matar uma criança, que não faz mal a ninguém! Como?? Vi no jornal um estuprador que estuprou uma criatura de quatro anos, fazendo sexo anal e vaginal, entupindo a boca da criança de folhas para que ela não gritasse, num matagal! Em que mundo nós estamos, me digam! Cada dia vejo coisas piores, não quero mais nem assistir televisão. Num é que eu queria fechar os olhos pro mundo, o problema é a falta de sentimento nas pessoas, de compaixão. Desculpem-me, ainda não aprendi a lidar com isso, felizmente.
Não quero fazer nenhum julgamente, mas eu acho mesmo que foi o pai e a mulher, nunca gostei dele mesmo. Mas quem sou eu, né? Só me espanto com uma frieza sem tamanho. Espero que esse não seja apenas mais um caso de mídia. Que a justiça aprenda a trabalhar, pois, por enquanto, minha TV continuará desligada.