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Hoje eu chorei. Depois de 368 dias, eu chorei. Eu tive de fazer força para lembrar o último dia em que eu havia expurgado lágrimas. Expurgo, é, é isso que as lágrimas são para mim. Elas só saem quando algo realmente me despedaça. Eu não sei se isso é bom: ser forte, não chorar. Eu não chorei como o último choro. Eu não sei se posso comparar os dois. Foram momentos tão diferentes.
No último, eu era uma pessoa em forma de criança totalmente surrada, uma criança que havia apanhado, apanhado muito. A vida me bateu sem pena e eu não sabia o por quê. Eu não sabia o que tinha feito para merecer aquilo. Tantas pessoas queridas presenciaram meu choro. Em pleno domingo, em pleno shopping center, em pleno sofrimento. Eles passavam a mão em minha cabeça. "Vai passar". Só eu sabia que não ia passar tão cedo, e não passou. Até hoje eu tento enganar-me, deixar aquele motivo no subconsciente, fazer parecer superado, mas não está. Quem me conhece sabe que não está. Aquele choro não parava, eu pensava no tanto de pessoas que eu havia decepcionado. Minha mãe, meus amigos, eu mesmo. Eu lutei, lutei para passar, mas não fui suficiente. Até hoje me engano: não era a minha hora. Não sei até que ponto acredito nisso.
No choro de hoje, bem, o choro de hoje...o que foi isso? Eu não sei explicar exatamente o que se passou comigo. Eu acho que é uma das poucas vezes em que não consigo expressar o que sinto através de palavras. Vocês estão sempre tão acostumados a verem-se aqui nos meus textos, a identificar-se, a procurar-se por aqui. É, mas a força com que conto, exprimo o que as pessoas sentem faltou, faltou para mim, quando eu mais preciso. O choro de hoje foi escondido, foi calado, foi sufocante. Ele não serviu em nada para aliviar minha dor, foi apenas água descendo dos olhos, veio a vontade e elas vieram à tona. O choro de hoje ninguém viu. Ninguém passou a mão na minha cabeça. Eu não sei se decepcionei alguém. Mas eu me decepcionei. É uma decepção que não adianta contar a ninguém, nenhuma palavra de conforto vai me ajudar. Eu sei que tenho grandes amigos que me ouviriam, que me aconselhariam, que me diriam que eu sou maior que isso, mas não adianta nada quando você não tem consciência. É o que eu sempre digo que antes de alguém dizer algo a você, você tem de acreditar nesse algo para que ele torne-se verdadeiro. E eu não posso ferir um princípio que prego, se ele vale pros meus amigos, vai valer pra mim, pois, se quero o bem deles, quero o meu também.
É incrível como eu tenho amor pelos meus amigos, mas eu via claro na minha frente que nem a companhia deles me aliviaria naquele momento. Eu me pergunto: Como pode isso? O que é isso? E o pior: eu sei as respostas. Mas faço questão de não encontrá-las. Talvez eu tenha medo de encontrar-me e comprovar que fui um incapaz, que não consegui controlar minhas emoções. Que eu fui inimigo de mim mesmo na maior de minhas batalhas. Eu acho que o estágio de insegurança intelectual foi superado. Agora é questão de não ser paupável. Sabe quando você quer realmente algo que você não vai tocar, não vai sentir? Você vê alguém que desfruta do que você mais queria no mundo, mas não sente inveja, porque é mais que isso: o seu desejo é irreal. Isso eu consigo expressar muito bem.
Eu senti tanto medo hoje, mas tanto, tanto, como eu nunca havia sentido antes. Eu senti medo de nunca poder ter o que eu realmente quero para mim. Eu senti medo de ser um incapaz pelo resto dos meus dias. E não é drama. É o medo da bola de neve apenas aumentar. A insegurança + o medo + a ansiedade + o nervosismo + o azar + as provações = meu coração e meu emocional despedaçados. Se você souber a diferença entre gostar e amar e se apaixonar, você me entenderá. Ah, as provações. Por que elas tem de existir? Eu acho que tenho passado por tantas. Às vezes, penso: se Deus existe(eu realmente acredito nisso), ele está fazendo um processo seletivo, e eu sou um dos candidatos. Tenho a certeza, também, de que às provas mais difíceis ele está me submetendo. E isso não é frescurinha e nem audácia de quem não sabe o que é sofrimento. Não julgue o que você realmente não conhece. As provações têm mostrado a mim que sou forte, que sou um ser superável, renovável, mas até que ponto eu posso superar meus limites? Pois, como o nome diz, existem limites e eu tenho os meus.
Estou num momento em que falar não adianta mais. Dizer que isso passa amanhã. Isso não passa amanhã, já teria passado. Eu não quero mais enganar-me. Ser incompleto não é ser traído, que um dia passa. Ser incompleto é faltar algo crucial para que seus dias tornem-se vívidos. E não quero saber daquela história: "por que você não consegue viver com a metade cheia do copo?". Você vive com essa metada quando a outra não é vital, não é visceral, não é primordial, não é você por inteiro e com todas as forças que você pode depositar em algo.
Eu sei que pessoas gostam de mim e que me querem ao lado, mas amar é entender e compreender que esse momento é um momento no qual eu preciso pensar.
Preguiça de viver. Foi como acordei hoje. É quando você tem preguiça de proferir até um não. De responder a pergunta mais boba. É, hoje limitei-me a falar de mim. Não quero contar os causos dos outros. Tenho esse direito, o blog é meu. Você acorda, abre o olho e faz a primeira pergunta do dia: "Qual será o sentido do meu dia hoje? O que eu vou fazer?". Quando se acorda assim, o dia será sem sentindo.
Todo mundo já quis sumir do mapa. Desaparecer. Ficar sem ver gente. Até quem adora gente(me incluo), sente essa estranha vontade. Estranha, mas perfeitamente normal. Sério, aposto que todos já tiveram seu dia de estrela em que pensaram: "Ninguém vai me encontrar, não darei notícias, não atenderei o celular, faltarei à aula, não irei àquele lugar que vou todos os dias e dormirei cedo, assim, essa crise passará logo." Isso, certas vezes, dura mais de um dia. Depende da sua estabilidade emocional.
Vegetar, fazer fotossíntese. Eu poderia resumir o que tive vontade de fazer hoje com isso. Você acha que todas as pessoas ao seu redor perdem a função, que todos os seus estudos até ali foram inúteis, que os segundos se arrastam, quase não formando os minutos, que a felicidade é algo extremamente distante e utópico. Nada consegue animar-te. As músicas tristes compõem a trilha sonora da incrível lida pela melancolia enfadante.
Você começa a fazer e a pensar tudo diferente. Você não está normal. Você não age como em seus dias normais. É postar no seu blog e não ter vontade de mandar o link para ninguém. É ter a irritante insônia empurrando a sua involuntária vontade de escrever. É parar de escrever as histórias com que as pessoas tanto se identificam e sempre te combram, achando que você falou delas. É ter vontade de falar de você, sem se importar se o texto vai agradar. É estar mal-humorado, abusado, chato e ignorante. A paciência vai diminuindo ainda mais com o arrastar do tempo.
"Vivo tão intensamente o momento presente que quase chego atrasada ao momento seguinte."Esse poema nunca foi tão mentira. Na verdade, no momento, eu não vivo nada, eu nem sei se vivo. Muito menos intensamente. E será que eu vou chegar ao momento seguinte? Bem, eu sei que isso vai passar, mas, enquanto você "vive", você acha que é eterno, que aquele marasmo não vai passar, que você é inerte. Você se pergunta quais as razões para você existir. Qual a sua colaboração para o mundo? Ao chegar no famigerado juízo final, o que você terá para contar como pontos positivos para sua entrada no paraíso? Quando você está assim, você acha que São Pedro olhará para sua cara cansada e dirá: "Volte, vá viver, depois venha e fale comigo." Você desce, olha para trás e vê que, de forma alguma, você pode deixar o mundo sem sua bonita contribuição. É nessa hora que você abre os olhos novamente, é, é um novo dia.
Você já tentou esquecer alguém que você gosta? Júlia tentou ou tenta. Na verdade, ela está confusa. Ela não sabe onde começa a vontade do fio de esperança permanecer vivo e onde termina o desejo de esquecer alguém que não merece um décimo do bonito sentimento alimentado por ela. Todas as ações de Júlia são dúbias. A confusão faz as atitudes dela serem portadoras de duas vertentes, sempre. Ela decide: não ligarei mais, não mandarei mais mensagem. A interpretação óbvia é: Júlia quer esquecer e, por isso, a distância é a melhor forma de isso acontecer. Mas nas apaixonantes entrelinhas dos pensamentos de Júlia está a esperançosa interpretação: a distância chama a saudade, a saudade chama o querer, o querer é o estar junto, logo, saberei se sou sentida, se sou saudosa, se faço falta, se aquilo não foi apenas um devaneio. Resumindo: ela pára de ligar para tentar esquecer, mas o que ela quer mesmo é se fazer distante, ver o seu orgulho pulsar, inflar o seu ego e conquistar novamente.
Não cabe a mim condenar o sentimento de Júlia. Não cabe a mim condenar ninguém. Certa vez, certo alguém proferiu, sem saber, que mudaria meu pensamento dali em diante: "Sabe-se lá o que se passa na cabeça da pessoa. A gente não pode ficar supondo, não se sabe o que se passa lá dentro. Vai saber o que fulano pensou na hora de fazer isso, pelo que estava passando, quais as circunstâncias em que aquilo se deu, cara, quem garante que ele fez isso pensando naquilo?". Você consegue enxergar o peso disso? Eu enxerguei e, a partir daí, deixei Júlia pensar o que quisesse. Afinal, saberei, eu, como ela se sente?
É tanta confusão numa só cabeça que a decisão de agora tornar-se-á incerta em pouco tempo. Ela sabe que a vontade que se sobressai é a de esquecer, pois não se deve realmente investir em algo que não terá futuro. Mas há algo que faz com que ela pare. É o sentimento bonito que, por mais que a faça sofrer, desperta coisas boas nela. E foi isso que fez com que ela ficasse encantada, ela despertava coisas bonitas em alguém, que não via o tempo passar do lado dela. Não foi o fato, apenas, de ela sentir-se especial que a fez ficar encatada e sim, também, o fato de ela ser despertada, dia após dia, ver as coisas bonitas desabrocharem, as armas serem guardadas e o tremor das pernas te fazer vibrar de emoção.
Tinha horas do dia em que Júlia se via pensando em como seria bonito se aquilo tudo tivesse continuado, o quanto tempo duraria. Mas a única certeza que ela tinha mesmo era que seria bonito. Isso independia do que se passasse na cabeça dela, ela afirmava sem medo. Sabia também que não dependia apenas dela. E isso era bom, que, por mais que o sentimento dela sustentasse muita coisa, amar sozinha é ser completa, mas quem quer ser completo quando se tem alguém para dividir o que há de mais bonito despertando de você?
Venho acordando meio paradoxal. Não sei o que isso significa, sabe? Ou sei. Bem, é paradoxal mesmo. Eu sei a explicação para algumas coisas, mas não sei como fazer com que essas coisas parem ou não quero que elas parem. Eu venho me permitindo ultimamente. Permitir-se significa deixar as coisas fluirem, ser você mesmo, ser mais que uma atitude, é ser um ato mais um sentido. Pois é, venho realizando isso com tanto sucesso, com tanta maestria.
Não importa quem você é, mas que seja você mesmo. Bem, esse negócio de ser você mesmo é meio complicado. Isso não depende só de você. Certas vezes, quando você quer ser o que você é, as pessoas não permitem, elas te querem em outro ângulo. Sabe o que isso significa? Significa censura, pressão, tensão. Elas querem algo de você que você não pode dar. Elas querem ouvir o que elas querem e não o que você tem a dizer. Por isso, você nem sempre é você mesmo, muito menos eu. Tão seguro, tão inseguro, tão forte, tão fraco, tão sensível, tão insensível, tão atencioso, tão indiferente, tão diferente, tão normal, tão, mas tão paradoxal.
O que você e eu devemos fazer é cortar as árvores mais altas da nossa floresta, pois elas fazem sombra, elas obscurecem o ambiente. Essas árvores podem até enfeitar, mas, quando o dia está nublado, elas fazem questão de continuarem lá, fazendo sombra. São incapazes de levantar um pouco certo galho para poder o feixezinho mínimo de luz passar por ela e te atingir, a planta pequena, a gramínea. Esta pode ser pisada até pela formiga, mas nunca é esmagada, está sempre lá. Eu adoro as gramíneas. Nunca gostei de altura mesmo. Eu sinto um embrulho no estômago quando estou alto demais. Deve ser por, lá no alto, não podermos nos permitir tanto. Mas, sinceramente, eu não acho que as árvores altas sejam assim por serem altas e sim deve ser algo do qual elas se alimentam. É, da essência.
Eu não sei mais o que escrever aqui. Será que me bloquearam tanto ao ponto de eu vetar até minhas tão aliviadoras palavras?
Hoje acordei forte, centrado, intenso. Você já acordou assim? É saber que, aconteça o que acontecer, você continuará intenso, centrado e forte. Só consigo ver coisas boas nas coisas ruins quando acordo dessa maneira. Por que é tão difícil cultivar o amor-próprio? Você já achou que a sua vida só teria sentido se certo alguém existisse? E, depois que esse amor passou, você pensou "Como eu poderia ter pensado daquela maneira? Quem é essa pessoa pra mim hoje?". Sinceramente, o que falta nas pessoas é pé no chão, é realismo, é capacidade de desvincular sua vida de um outro ser. Tudo na vida é passageiro, exceto você. Você acompanhará você pro resto da sua existência. Quando você morrer, seu amor por alguém morre junto. Sua personalidade deixa de existir, só ficarão lembranças.
O melhor de amar demasiadamente é quando o amor acaba. É impressionante como, após uma desilusão amorosa, as pessoas tornam-se mais cautelosas. Mas, quando eu falo de desilusão amorosa, é desilusão amorosa mesmo. É chorar todos os dias(às vezes, penso que não chorar é ainda pior), é perder o apetite(ou ganhar), é não ter forças e nem coragem para fazer nada, é achar que a reconciliação vem por meio de um mero telefonema, é achar que a força com que você ama será reconhecida e tudo ficará bem, é anular-se, é achar que o seu amanhã continuará inerte se você não tiver esse alguém ao seu lado, é achar que ninguém é importante se você não tiver a importância do alguém amado.
Gente, se eu disser que isso tudo é efêmero, vocês acreditam? Bem, a crença de vocês vai depender do que vocês estão vivendo, fato. Se você não se encaixa nessa descrição, você não acredita em mim. Se você se encaixou nessa descrição, você acredita em mim. Quando tudo isso passa, você vê o quão você foi egoísta, o quão você deixou os outros tipos de amores de lado em favorecimento de apenas UM outro, que você julgava ser o mais importante. Leia de novo as características de quem passa por uma desilusão amorosa. Viu o quanto todos esses pensamentos são egoístas? E o pior, com você mesmo. É, posso lançar um livro de auto-ajuda, mas isso é tão verdade. E o melhor(é, melhor), eu acho que todos devem passar por isso. Quando você se ergue, você volta mais forte, cauteloso, pé no chão, maduro. Não é que você se torne amargurado, você se torna experiente, é diferente. Você aprende a hora de fazer a coisa certa. Aprender a "jogar", digamos assim. É, infelizmente, 99,100% das pessoas jogam. O famoso "ligar ou não no outro dia" passa pela cabeça de todo mundo. E não me venha com essa "eu não sou assim", lógico que é. É do ser humano. Chama-se medo. É a única coisa que acho que nunca conseguirei entender: por que o ser humano não se apaixona por carinho, afeto, atenção? Repare, são apenas características de encatamento, as pessoas gostam mesmo é do diferente, do estranho. Cabe a você, saber ou não fazer o diferente. Daí, como saber o que é diferente pra outra pessoa? Por isso, amor é sorte. É loteria. Amor de envelhecer junto é loteria. Mas é tão ruim você querer se dar e não poder, não é? Você está ali ao lado, quer dar um abraço, dizer coisas bonitas e...prá, não pode, não diz. É, não diga mesmo. É a tradição, é a lei natural das coisas. O tempo que vai te dar segurança, enquanto isso, seja auto-confiante. É de bestializar o quanto auto-confiança atrai as pessoas. É o famoso "gelo". Esse sim dita as regras. Agora, pergunto de novo, o por quê disso ter de acontecer? Dar gelo para calibrar a relação? Que saco! As coisas podiam ser mais fáceis, é, mas não são. Então, é enfrentar.
Agora, cuidado para não beirar a indiferença. Tem sentimento mais repugnante? Inveja e falsidade perdem é feio. Indiferença é N-A-D-A. Você não é nada pra mim. Já pensou se você não significasse nada? Isso é forte. Cultive o ódio, mas fuja de sentir-se indiferente a alguém. Mas é um pouco inevitável. Você tem de buscar a linha-limite entre a auto-confiança e a indiferença, pois ambas estão bem perto uma da outra. O ódio tem energia, te leva para o caminho do perdão. Mas a indiferença? Ela é morta, é simplesmente nada. Nada é nada. Prevenir alguém "cuidado com a minha indiferença, não a cultive" pode parecer um pouco ameaçador e até prepotente, mas só quem sente é que sabe. E, a partir daí, não é ameaça nem prepotência, é desejo de que esse nada passe bem longe, pois, se ele chegar, acabou.
Conversar, bem, conversar..o que seria conversar? De acordo com o dicionário, seria: falar com alguém, palestrar, tratar, discutir, convencer ou persuadir alguém a fazer certa coisa. Caso você não tenha percebido, conversar é um exercício que não se pratica sozinho. Quer dizer interação, é a tentativa de chegar a um consenso. Nem sempre se chega a um consenso, isso é bem verdade, mas ainda continua sendo uma atividade interessante, pois a vontade com que se defende um ponto de vista faz com que você queira conversar sempre.
Pare, recorde uma conversa com alguém que goste. Você já percebeu o quanto conversar com alguém especial te faz bem? Como as horas passam rápido! Como você não quer sair dali! O assunto não acaba, uma coisa puxa outra, tudo se entrelaça, nada se termina. Isso é uma grande verdade, nenhum assunto é terminado. Será que não é proposital? Se um assunto termina, há a possibilidade de um outro não ser puxado imediatamente, mas, se o assunto não é terminado, um vem no meio do outro e assim as coisas vão se misturando e nada tem fim, nem a conversa.
Agora, se alguém souber a resposta, por favor, me diga. Como alguém pode viver junto apenas amando? Amar é um sentimento puro que não trás acoplado o bom relacionamento. Quantas pessoas você conhece que amam, mas que vivem brigando? Então, para o bom funcionamento do amor, é necessário o "se dar bem". O amor não é o bastante, essa é a verdade, as pessoas têm de se encaixar, de casar, de agregar, de somar, de acoplar, de juntar, de amigar, de compartilhar, de dividir. Posso dar um conselho? Se você acha que conversar duas horas com uma pessoa que se gosta é muito, desista e parta pra outra.
A ansiedade é algo que te causa diversos sabores. Quando você tem a certeza de que o esperado dará certo, a ansiedade pode ser até algo bom. Mas, quando você não sabe o que vai acontecer, a ansiedade é algo que te corrói. É complicado manter-se racional quando se encontra embebido de ansiedade.
Mas você consegue perceber que a ansiedade é fruto da insegurança? É como o guarda-chuva, sabe? Afinal, porque ele se chama guarda-chuva e não guarda-cabeça? De que lado ele está? Quem ele protege? Ele protege a chuva da sua tolice ou protege a sua cabeça da tempestade? Eis a dúvida. É, lá vem ela. Novamente, a mãe e principal mestra da discípula ansiedade, dúvida. Quando você conseguir solucionar o mistério do batismo do guarda-chuva, a ansiedade some, esvai-se, evapora, extingue-se.
A melhor solução para a cura desse sentimento perturbador é um sujeito chamado amigo. Li em algum lugar que o verdadeiro amigo é aquele que chega quando tudo já se foi. E, se tudo já se foi, é porque ela tomou conta de você. "Parece que foi ontem, eu correndo entre as árvores tão cheias de frutos. Eu peguei um dos frutos, mordi. O tempo pegou uma das flores, caiu. Parece que foi ontem, eu deitado na grama para olhar as nuvens e meus dedos descobrindo na terra a flor que eu nunca poderia salvar." Você não teve medo de morder o fruto, mas quem mandou o tempo se meter no seu jardim? Quem mandou ele querer influir na forma com que você lidava com as flores? Mas ele tem esse poder, e, nem sempre, é pro seu bem. Eu ainda não consegui desenvolver um jeito de fazer ele esquecer-me e deixar de ser tão presente. Ele deve ser daqueles que não se consegue influir. Quando ele tem de agir, ele vem e..pá.
Mas sabe a melhor coisa que a ansiedade te proporciona? A surpresa. É. Afinal, se você pensa negativamente, não quer dizer que vá acontecer uma coisa ruim, de fato. Eu não canso de repetir que você não sabe o dia de amanhã. A ansiedade é inerente ao hoje. O amanhã não tem necessidade que se acople sentimentos a ele. E ele tá certo, ele tem de ser egoísta, porque ele muda em um décimo de segundo. Sentimentos não são assim, são menos mutáveis. Então, se não vai acompanhar, não comece a correr. Deixe o amanhã ser livre.
Procure alguém que te proporcione um afago, uma coisa nova, um palavra ainda não ouvida. Gente é a coisa mais fascinante que pode haver no universo. Não são signos que vão te limitar, que vão te definir e te dizer como você vai ser, como as coisas vão acontecer. Ora, quem manda em seus sentimentos, em sua maneira de ser, é você, não é seu horóscopo. É bem verdade que ele acerta algumas horas, mas, se ele não acertasse, ele já teria sumido. Mas ele não dita, ele não impõe, ele não é soberano e nem você é subserviente. Mande, você, nele. Mostre quem dá as cartas e que, quando se trata de gente, nada pode ser afirmado, apenas suposto.