sábado, 13 de dezembro de 2008

Hoje e amanhã.


Oi, eu sou Ana Anita e tenho um amor platônico. Eu devo isso ao querido Platão, que viveu na Grécia antiga e teve a felicidade de proferir que o amor espiritual é mais importante que o amor carnal. De acordo com ele, o amor tem uma função de possibilitar um crescimento espiritual por meio de uma relação saudável entre pessoas que têm os mesmos objetivos e projetos. Bem, de acordo com a teoria dele, a visão que se tem, atualmente, de amor platônico é errada. Amor platônico não é aquele em que a relação é totalmente impossível e a outra pessoa não sabe que é amada. O amor platônico, para ele, é a metade da laranja, é a tampa da panela, é a alma-gêmea. Como um conceito pôde tornar-se o oposto do seu signifcado? Acho que foram os anos. É, estamos extremamente distantes da Grécia antiga, e de Platão, assim como um amor platônico é distante de você. Se é por isso ou não, não importa.
Mas e agora? Como vou chamar o meu amor? Acho que prefiro o sentido atual da palavra.
Eu estou apaixonada. Ou melhor, eu amo. Acho que paixão é um sentimento mais carnal, momentâneo, visual. O meu não, é espiritual, é intelectual, é suspirante, é puro. Eu sinto-me devota de um Deus mortal. Eu sou/estou como um vulcão inativo: tem muito a oferecer, mas está sem atividade. Eu não sei se entrarei em erupção, pois isso depende da natureza e não de mim. Bem que eu queria! Mas meu sentimento me completa tanto, é tão bonito, me conforta tanto, é tão puro, me faz tão bem, é tão verdadeiro, que, se ele não me quiser, eu continuarei amando sem sofrer. Não sei se um dia passará. Eu não quero que passe. Eu estou feliz. Eu só quero continuar vivendo e sentido esse sentimento que nasceu dentro de mim. Como é bom morrer de amor e continuar vivendo!
Eu acredito veementemente que as pessoas despertam-se. É, eu olho para você, e, só com isso, você me desperta coisas boas. Eu não sei se eu te desperto algo bom, mas eu nem me importo. O meu sentimento não depende do seu. Eu sou muito individualista. Meu amor é tão lindo que eu não sei se queria dividir ele com você. Se você quer amar, que sinta o seu, pois o meu é meu. Eu sinto-me viva por causa desse amor e não acho justo dividi-lo com ninguém, nem com o amado. Eu não vou viver o seu amor. E, completando, eu duvido muito que alguém venha a sentir um amor que possa, ao menos, assemelhar-se ao meu. É algo tão forte que o meu vocabulário não consegue exprimir em palavras. Mas nem precisa, do jeito que o mundo é cheio de inveja, não preciso de ninguém querendo roubá-lo de mim ou tentando conquistar-me para eu não sentir mais coisas tão perfeitas pelo meu amado.
-Ana Anita, por que você escreve tanto, minha filha?
-Ah, mamãe, eu tento, inutilmente, colocar no papel o que se passa dentro de mim, mas nem consigo.
-Você tá apaixonada, filha?
-Não, mãe.
-Tá triste?
-Não.
-E o que tanto você quer escrever?
-Eu amo, mamãe, eu amo. (pausa de 40 segundos) Você já amou?
-Sim, meu amor, eu amo seu pai, amo você, amo seu irmão.
-Duvido que chegue perto do meu amor pelo meu amado.
-AHAHAHAHA, como você é audaciosa, querida.
-Quer apostar? O mel tão clichê das minhas linhas românticas e avassaladoras jamais expressarão o que é um coração feliz. Eu tenho certeza de que ele está eternizado dentro de mim. É algo que não entra em latência.
-Estou começando a ficar preocupada.
-Preocupar-se com o quê? Triste seria se eu não sentisse amor, se eu fosse vazia. Sinto-me tão completa que, acho eu, que a senhora deveria sentir-se feliz por mim, e torcer para isso nunca passar.
-Mas você não disse que estava eternizado? E por que o medo de que passe?
-Não é medo de o sentimento passar, não é isso. Quando eu digo para torcer para algo não passar, sou eu. Eu não posso passar. Já pensou se eu morro e não sinto mais isso?

É uma pena que o meu sentimento só tenha visto o seu causador apenas uma vez.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Voltar a ser.


-Eu nem acho.
-A gente vem discordando bastante ultimamente.
-Deve ser porque você está muito denso.
-Eu sou denso.
-É, isso eu sei, mas você está levando sua densidade para um lado ruim.
-Estou?
-Não se faça de idiota.
-Não tô entendendo, juro. Oo
-Então, tá. Deixa pra lá.
-Agora você vai falar..
-Olha, sinceramente? O que você acha que está fazendo com a sua vida? Sério! Você sofreu, você foi magoado, você foi despedaçado. O término do seu namoro te estraçalhou inteiro. Você finge para você mesmo que isso está superado. Você quer enganar-se. Por que você quer fingir que não sofre mais? Tá, eu entendo que você pode nem saber disso, afinal, já faz algum tempo, mas daí a enlouquecer? É, é isso que está acontecendo com você. Você está tornando-se efêmero. Você está jogando fora o que a vida está colocando diante de seus olhos. As pessoas tornaram-se válvulas de escape, aonde elas perdem o valor e apenas servem para sanar uma vontade momentânea sua. É isso que você está sendo, um momento. Eu sei sim o que é apaixonar-se por uma pessoa e ela, por uma insanidade, por um devaneio, por uma mera loucura, dizer que não te quer mais. Mas você não pode usar isso para acabar com você mesmo. É, é, é, é! As pessoas que você está magoando, realmente, são afetadas, mas não como você. E o pior, sem você perceber. Você está em um processo autodestrutivo. Por que você não busca vazão nos amigos? Por que você não sai e apenas extravasa a mágoa que mora aí dentro? Eu sei que não é por mal, eu sinto que não é. Eu sei que você está fazendo isso involuntariamente. Você é uma pessoa boa. Mas você está transformando isso em cinismo. A sua bondade está sendo apenas uma ponte para você conseguir o que quer. Depois daí, o objeto, que você chama de pessoa, não vale mais nada. Posso estar exagerando, mas eu preciso dimensionar o que se passa com você. Não pense você que está me enganando com essa sua cara de pé no chão, de seguro, de inteligente e de sabedor das dores e dos sentimentos alheios. Você vai mesmo deixar que apenas uma pessoa destrua o ser íntegro que você construiu durante esses 23 anos de vida? Pare, pense, reflita! Pare de negar a você mesmo.
-Quem é você para estar me dizendo isso? Como você sabe que sou íntegro, que sou magoado, que sou isso, que sou aquilo, você mal me conhece.
-Posso ser precipitado ao dizer isso, mas é o que eu sinto. E, por falar em sentir, tudo isso que eu disse não depende de tempo, é sentir, simplesmente, sentir. Eu só te peço isso: que você pare, olhe para trás e veja se essas suas atitudes são as mesmas do passado. Eu não te conheci no passado, mas eu sinto essência, eu vejo o bem, eu olho o altruísmo em sua volta, por mais que essa casca calhorda esteja rodeando-no. Peço perdão pelas minhas palavras, mas não consigo ser metade. Não consigo ser não-intenso. Como você, sou denso. Você pode estar achando tudo isso papinho, bobagem, mas eu sei, EU SEI, que você vai chegar em casa e pensar. Disso eu não tenho dúvidas! É por isso que ainda vale falar. Eu quero alguém bom que eu sei que existe aí dentro. A bondade fascina, encanta, cega. As pessoas não serão mais pequenas para você e nem você será pequeno. Você não pode permitir que uma pessoa te cause uma dor dessa, você é maior que isso. Não quero começar o momento auto-ajuda. Se você quer mesmo amar, olhe para a frente ou olhe para os lados.
-Eu não consigo entender o porquê de você estar me dizendo tudo isso.
-Porque o que me encantou foi o lado bom. Quando eu deparei-me com o lado ruim, eu me assustei e corri.
-Mas eu que te pus para correr..
-Tá vendo como estou certo?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Alô?


Por que as pessoas são tão impulsivas? É uma ordem: quanto mais intensa, mais impulsiva. É tão difícil quando você não tem o controle sobre suas próprias emoções. Você programa algo, conscientiza-se de que é o certo a se fazer, não mudará jamais, lembra de todos os motivos pelos quais você está fazendo isso, mas, mas, mas, quando chega a hora, você segue o afã do momento, você desiste, você acha que vai dar certo, você passa por cima de todos os seus princípios, de tudo que você acredita. Você faz isso na esperança de que toda a teoria seja jogada no lixo e que você possa provar a qualquer teórico que arriscar ainda vale. Eu pergunto-me até que ponto a sua estabilidade emocional pode ser colocada em xeque em troca de uma mera tentativa que em 99,99% das vezes dão erradas. Concluo: não vale. Escrevo com todas as letras e repito: NÃO VALE. Se você acha que vale, tá, escolha sua.
Agora vou convencer você. Posso? Você vem caminhando pela rua. Como todo apaixonado, vai com a cabeça no infinito, pensa em tudo, menos no chão à sua frente. Você lembra do último beijo(ou não, porque muitas pessoas nem tiveram a chance de dar um beijo), lembra dos momentos mais bonitos, mais calmos, mais românticos. Faz planos para o futuro, imagina cenas que ocorreriam, vocês dois sozinhos sentados na areia, olhando para o mar, 00:00h. O vento forte, o cabelo todo para um lado. Não dá para ver muita coisa, está escuro, é noite. Como seria bom se isso acontecesse. Por que não ligar? Por que não tentar fazer esse momento acontecer? Por que não ligar pedindo para ficar junto? Por que não ligar, ir lá, correr atrás, mostrando que você quer e quer muito? Você é impulsivo, você vai pegar a porcaria do telefone e vai ligar. Vai, tem certeza? É o cão dizendo para ligar e o anjo dizendo para não ligar. Mas, como você é um bobo apaixonado, você pensa: por que não é o anjo que manda eu ligar e o capeta manda eu não ligar? Isso é coisa de gente boba. Como você é, um bobo. Você não consegue ver que se o amor fosse recíproco não tinha um porquê de vocês estarem separados? Acorde para a sua vida e veja que ela está passando. E você? Está aí, esperando por alguma coisa irreal, abstrata, que só vem da sua parte e que jamais vai ser recíproca de novo. Não adianta alimentar que um dia você estará lindo, bem vestido e cheiroso e isso despertará o amor do seu amor e vocês viverão esse lindo amor, meu amor.
Tá, o diabo venceu. Você ligou...
-Oi, tudo bem? (você tenta mostrar aquela voz descompromissada)
-Tudo. Como tá? Saudade de tu.
-Pois é, falar nisso, eu tava passando aqui perto, decidi te ligar, sei lá, te visitar..(você tenta mostrar indiferença pra não quebrar a cara logo)
-Huuuummmmm(bem demorado)..tá onde?
-Tô aqui perto, só te dar um beijo mesmo, faz tanto tempo que a gente não conversa, é rápido. (começa o momento humilhação-eu-não-tenho-valor)
-ôôô, é porque eu tô tão bem deitado vendo TV, a preguiça me corroendo...
-Afffff, acorde, o sol tá lindo(você já está na merda), tô chegando aí. (alcançou o cúmulo do desespero, até cara-de-pau virou)
-Não, vem não..*voz meiga* (toma, otário)
-Ahhh, tá bom, então. Olhe, depois não diga que eu não tentei, viu..fica aí com essa de saudade e num sei o quê..(gente, qual é a tua? SE TOCA)
- HAHHAHAHAHAHAHA

Bem, esse foi o meu argumento para convencer você. E pergunto: você quer se ver nessa situação? Vamos, acorde, você é maior. A sua estabilidade não vale essa situação. ALÔ, acorde, você é grande, seja firme.

domingo, 23 de novembro de 2008

Olho intermitente.


Hoje eu chorei. Depois de 368 dias, eu chorei. Eu tive de fazer força para lembrar o último dia em que eu havia expurgado lágrimas. Expurgo, é, é isso que as lágrimas são para mim. Elas só saem quando algo realmente me despedaça. Eu não sei se isso é bom: ser forte, não chorar. Eu não chorei como o último choro. Eu não sei se posso comparar os dois. Foram momentos tão diferentes.
No último, eu era uma pessoa em forma de criança totalmente surrada, uma criança que havia apanhado, apanhado muito. A vida me bateu sem pena e eu não sabia o por quê. Eu não sabia o que tinha feito para merecer aquilo. Tantas pessoas queridas presenciaram meu choro. Em pleno domingo, em pleno shopping center, em pleno sofrimento. Eles passavam a mão em minha cabeça. "Vai passar". Só eu sabia que não ia passar tão cedo, e não passou. Até hoje eu tento enganar-me, deixar aquele motivo no subconsciente, fazer parecer superado, mas não está. Quem me conhece sabe que não está. Aquele choro não parava, eu pensava no tanto de pessoas que eu havia decepcionado. Minha mãe, meus amigos, eu mesmo. Eu lutei, lutei para passar, mas não fui suficiente. Até hoje me engano: não era a minha hora. Não sei até que ponto acredito nisso.
No choro de hoje, bem, o choro de hoje...o que foi isso? Eu não sei explicar exatamente o que se passou comigo. Eu acho que é uma das poucas vezes em que não consigo expressar o que sinto através de palavras. Vocês estão sempre tão acostumados a verem-se aqui nos meus textos, a identificar-se, a procurar-se por aqui. É, mas a força com que conto, exprimo o que as pessoas sentem faltou, faltou para mim, quando eu mais preciso. O choro de hoje foi escondido, foi calado, foi sufocante. Ele não serviu em nada para aliviar minha dor, foi apenas água descendo dos olhos, veio a vontade e elas vieram à tona. O choro de hoje ninguém viu. Ninguém passou a mão na minha cabeça. Eu não sei se decepcionei alguém. Mas eu me decepcionei. É uma decepção que não adianta contar a ninguém, nenhuma palavra de conforto vai me ajudar. Eu sei que tenho grandes amigos que me ouviriam, que me aconselhariam, que me diriam que eu sou maior que isso, mas não adianta nada quando você não tem consciência. É o que eu sempre digo que antes de alguém dizer algo a você, você tem de acreditar nesse algo para que ele torne-se verdadeiro. E eu não posso ferir um princípio que prego, se ele vale pros meus amigos, vai valer pra mim, pois, se quero o bem deles, quero o meu também.
É incrível como eu tenho amor pelos meus amigos, mas eu via claro na minha frente que nem a companhia deles me aliviaria naquele momento. Eu me pergunto: Como pode isso? O que é isso? E o pior: eu sei as respostas. Mas faço questão de não encontrá-las. Talvez eu tenha medo de encontrar-me e comprovar que fui um incapaz, que não consegui controlar minhas emoções. Que eu fui inimigo de mim mesmo na maior de minhas batalhas. Eu acho que o estágio de insegurança intelectual foi superado. Agora é questão de não ser paupável. Sabe quando você quer realmente algo que você não vai tocar, não vai sentir? Você vê alguém que desfruta do que você mais queria no mundo, mas não sente inveja, porque é mais que isso: o seu desejo é irreal. Isso eu consigo expressar muito bem.
Eu senti tanto medo hoje, mas tanto, tanto, como eu nunca havia sentido antes. Eu senti medo de nunca poder ter o que eu realmente quero para mim. Eu senti medo de ser um incapaz pelo resto dos meus dias. E não é drama. É o medo da bola de neve apenas aumentar. A insegurança + o medo + a ansiedade + o nervosismo + o azar + as provações = meu coração e meu emocional despedaçados. Se você souber a diferença entre gostar e amar e se apaixonar, você me entenderá. Ah, as provações. Por que elas tem de existir? Eu acho que tenho passado por tantas. Às vezes, penso: se Deus existe(eu realmente acredito nisso), ele está fazendo um processo seletivo, e eu sou um dos candidatos. Tenho a certeza, também, de que às provas mais difíceis ele está me submetendo. E isso não é frescurinha e nem audácia de quem não sabe o que é sofrimento. Não julgue o que você realmente não conhece. As provações têm mostrado a mim que sou forte, que sou um ser superável, renovável, mas até que ponto eu posso superar meus limites? Pois, como o nome diz, existem limites e eu tenho os meus.
Estou num momento em que falar não adianta mais. Dizer que isso passa amanhã. Isso não passa amanhã, já teria passado. Eu não quero mais enganar-me. Ser incompleto não é ser traído, que um dia passa. Ser incompleto é faltar algo crucial para que seus dias tornem-se vívidos. E não quero saber daquela história: "por que você não consegue viver com a metade cheia do copo?". Você vive com essa metada quando a outra não é vital, não é visceral, não é primordial, não é você por inteiro e com todas as forças que você pode depositar em algo.
Eu sei que pessoas gostam de mim e que me querem ao lado, mas amar é entender e compreender que esse momento é um momento no qual eu preciso pensar.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Qual a boa de hoje?


Preguiça de viver. Foi como acordei hoje. É quando você tem preguiça de proferir até um não. De responder a pergunta mais boba. É, hoje limitei-me a falar de mim. Não quero contar os causos dos outros. Tenho esse direito, o blog é meu. Você acorda, abre o olho e faz a primeira pergunta do dia: "Qual será o sentido do meu dia hoje? O que eu vou fazer?". Quando se acorda assim, o dia será sem sentindo.
Todo mundo já quis sumir do mapa. Desaparecer. Ficar sem ver gente. Até quem adora gente(me incluo), sente essa estranha vontade. Estranha, mas perfeitamente normal. Sério, aposto que todos já tiveram seu dia de estrela em que pensaram: "Ninguém vai me encontrar, não darei notícias, não atenderei o celular, faltarei à aula, não irei àquele lugar que vou todos os dias e dormirei cedo, assim, essa crise passará logo." Isso, certas vezes, dura mais de um dia. Depende da sua estabilidade emocional.
Vegetar, fazer fotossíntese. Eu poderia resumir o que tive vontade de fazer hoje com isso. Você acha que todas as pessoas ao seu redor perdem a função, que todos os seus estudos até ali foram inúteis, que os segundos se arrastam, quase não formando os minutos, que a felicidade é algo extremamente distante e utópico. Nada consegue animar-te. As músicas tristes compõem a trilha sonora da incrível lida pela melancolia enfadante.
Você começa a fazer e a pensar tudo diferente. Você não está normal. Você não age como em seus dias normais. É postar no seu blog e não ter vontade de mandar o link para ninguém. É ter a irritante insônia empurrando a sua involuntária vontade de escrever. É parar de escrever as histórias com que as pessoas tanto se identificam e sempre te combram, achando que você falou delas. É ter vontade de falar de você, sem se importar se o texto vai agradar. É estar mal-humorado, abusado, chato e ignorante. A paciência vai diminuindo ainda mais com o arrastar do tempo.

"Vivo tão intensamente o momento presente
que quase chego atrasada ao momento seguinte."


Esse poema nunca foi tão mentira. Na verdade, no momento, eu não vivo nada, eu nem sei se vivo. Muito menos intensamente. E será que eu vou chegar ao momento seguinte? Bem, eu sei que isso vai passar, mas, enquanto você "vive", você acha que é eterno, que aquele marasmo não vai passar, que você é inerte. Você se pergunta quais as razões para você existir. Qual a sua colaboração para o mundo? Ao chegar no famigerado juízo final, o que você terá para contar como pontos positivos para sua entrada no paraíso? Quando você está assim, você acha que São Pedro olhará para sua cara cansada e dirá: "Volte, vá viver, depois venha e fale comigo." Você desce, olha para trás e vê que, de forma alguma, você pode deixar o mundo sem sua bonita contribuição. É nessa hora que você abre os olhos novamente, é, é um novo dia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esquecer-te-ei..


Você já tentou esquecer alguém que você gosta? Júlia tentou ou tenta. Na verdade, ela está confusa. Ela não sabe onde começa a vontade do fio de esperança permanecer vivo e onde termina o desejo de esquecer alguém que não merece um décimo do bonito sentimento alimentado por ela. Todas as ações de Júlia são dúbias. A confusão faz as atitudes dela serem portadoras de duas vertentes, sempre. Ela decide: não ligarei mais, não mandarei mais mensagem. A interpretação óbvia é: Júlia quer esquecer e, por isso, a distância é a melhor forma de isso acontecer. Mas nas apaixonantes entrelinhas dos pensamentos de Júlia está a esperançosa interpretação: a distância chama a saudade, a saudade chama o querer, o querer é o estar junto, logo, saberei se sou sentida, se sou saudosa, se faço falta, se aquilo não foi apenas um devaneio. Resumindo: ela pára de ligar para tentar esquecer, mas o que ela quer mesmo é se fazer distante, ver o seu orgulho pulsar, inflar o seu ego e conquistar novamente.
Não cabe a mim condenar o sentimento de Júlia. Não cabe a mim condenar ninguém. Certa vez, certo alguém proferiu, sem saber, que mudaria meu pensamento dali em diante: "Sabe-se lá o que se passa na cabeça da pessoa. A gente não pode ficar supondo, não se sabe o que se passa lá dentro. Vai saber o que fulano pensou na hora de fazer isso, pelo que estava passando, quais as circunstâncias em que aquilo se deu, cara, quem garante que ele fez isso pensando naquilo?". Você consegue enxergar o peso disso? Eu enxerguei e, a partir daí, deixei Júlia pensar o que quisesse. Afinal, saberei, eu, como ela se sente?
É tanta confusão numa só cabeça que a decisão de agora tornar-se-á incerta em pouco tempo. Ela sabe que a vontade que se sobressai é a de esquecer, pois não se deve realmente investir em algo que não terá futuro. Mas há algo que faz com que ela pare. É o sentimento bonito que, por mais que a faça sofrer, desperta coisas boas nela. E foi isso que fez com que ela ficasse encantada, ela despertava coisas bonitas em alguém, que não via o tempo passar do lado dela. Não foi o fato, apenas, de ela sentir-se especial que a fez ficar encatada e sim, também, o fato de ela ser despertada, dia após dia, ver as coisas bonitas desabrocharem, as armas serem guardadas e o tremor das pernas te fazer vibrar de emoção.
Tinha horas do dia em que Júlia se via pensando em como seria bonito se aquilo tudo tivesse continuado, o quanto tempo duraria. Mas a única certeza que ela tinha mesmo era que seria bonito. Isso independia do que se passasse na cabeça dela, ela afirmava sem medo. Sabia também que não dependia apenas dela. E isso era bom, que, por mais que o sentimento dela sustentasse muita coisa, amar sozinha é ser completa, mas quem quer ser completo quando se tem alguém para dividir o que há de mais bonito despertando de você?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Permitir-se.


Venho acordando meio paradoxal. Não sei o que isso significa, sabe? Ou sei. Bem, é paradoxal mesmo. Eu sei a explicação para algumas coisas, mas não sei como fazer com que essas coisas parem ou não quero que elas parem. Eu venho me permitindo ultimamente. Permitir-se significa deixar as coisas fluirem, ser você mesmo, ser mais que uma atitude, é ser um ato mais um sentido. Pois é, venho realizando isso com tanto sucesso, com tanta maestria.
Não importa quem você é, mas que seja você mesmo. Bem, esse negócio de ser você mesmo é meio complicado. Isso não depende só de você. Certas vezes, quando você quer ser o que você é, as pessoas não permitem, elas te querem em outro ângulo. Sabe o que isso significa? Significa censura, pressão, tensão. Elas querem algo de você que você não pode dar. Elas querem ouvir o que elas querem e não o que você tem a dizer. Por isso, você nem sempre é você mesmo, muito menos eu. Tão seguro, tão inseguro, tão forte, tão fraco, tão sensível, tão insensível, tão atencioso, tão indiferente, tão diferente, tão normal, tão, mas tão paradoxal.
O que você e eu devemos fazer é cortar as árvores mais altas da nossa floresta, pois elas fazem sombra, elas obscurecem o ambiente. Essas árvores podem até enfeitar, mas, quando o dia está nublado, elas fazem questão de continuarem lá, fazendo sombra. São incapazes de levantar um pouco certo galho para poder o feixezinho mínimo de luz passar por ela e te atingir, a planta pequena, a gramínea. Esta pode ser pisada até pela formiga, mas nunca é esmagada, está sempre lá. Eu adoro as gramíneas. Nunca gostei de altura mesmo. Eu sinto um embrulho no estômago quando estou alto demais. Deve ser por, lá no alto, não podermos nos permitir tanto. Mas, sinceramente, eu não acho que as árvores altas sejam assim por serem altas e sim deve ser algo do qual elas se alimentam. É, da essência.
Eu não sei mais o que escrever aqui. Será que me bloquearam tanto ao ponto de eu vetar até minhas tão aliviadoras palavras?