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A vida é mesmo uma graça. Ainda me impressiono como o hoje é hoje, e amanhã, bem, nem Deus sabe. Acho que "o mundo dá voltas" foi uma das frases mais sábias já proferidas. O mundo é feito de quê? De pessoas. E pessoas sentem o quê? Emoções. Raciocinando logicamente, emoções são como o mundo. O que elas fazem? Bem, elas também dão voltas. Eu sou uma pessoa, que vivo em um mundo de emoções, portanto, eu não dou voltas, eu sou uma volta. Eu circulo e acabo parada no mesmo ponto.
É, voltei a amar loucamente. Loucamente para quem não ama, pois, para mim, é lindamente. Acho que o que passou pela minha cabeça foi apenas um devaneio momentâneo. Sou humana, sou suscetível às voltas impostas pela Terra. Minhas emoções correm a passos largos, mas elas tem medo de fugir de casa e ver que o mundo é maior. Correm, mas voltam.
Passei vinte anos fingindo que amava outro alguém. Fingindo, não, enganando-me. Eu fui desleal comigo mesma, pois infiel nunca fui.
Após 20 anos, eu tive a segunda chance. A chance de ver o meu amor novamente. Eu vi. Eu vi. Eu vi e acreditei no que vi. Foi uma energia cósmica que eu tremo em falar. Foi algo indescritível. Amor ao próximo, humanismo e fé foram os sentimentos-chave que nunca me permitiram esmorecer. Eu preciso escrever o melhor de tudo, tremendo, mas vou escrever: era recíproco. Foram vinte anos de espera dele. Eu não acreditava, eu estava cética, eu estava congelada, eu estava deslumbrada, eu estava chocada, eu estava...as lágrimas mais felizes que pude derramar em toda a minha existência, pois, antes disso, eu só existia para amar um sentimento, agora, eu amava um ser. Um ser que me amava. Era a soma, era o acréscimo, era tudo que pudesse entrar dentro de mim e me fazer ser mulher todo santo dia.
Eu divorciei-me do meu marido. Eu estava livre para largar meu amor platônico. Platão ficaria na Grécia, e eu ficaria com a pessoa predestinada. Se é seu, é seu, pare de lutar, o que é seu, não é de mais ninguém. Eu sinto-me, certas vezes, como uma enviada. Eu sinto a necessidade de sair por aí pregando o quão foi bonito tudo que aconteceu na minha vida. Eu preciso dizer o quanto não me arrependo de nada, de nenhum segundo. De nada. Tudo que aconteceu, aconteceu na hora certa, com a intensidade certa. Deu-me a segurança que eu precisava. Meus olhos marejados servem apenas para demonstrar que, por mais que eu repita e repita e repita esta estória, ela vai me causar, cada vez mais, uma emoção maior e maior e maior. Acho que é a única coisa que não dá voltas em mim. A minha emoção só cresce.
Eu tenho o poder de emocionar as pessoas com a verdade das palavras que descrevem tudo que passei. Mas elas jamais sentirão a metade do que senti se não viverem. Amor ao próximo, humanismo e fé guiaram-me pela estrada mais longa, mas a mais florida. Eu não conto isso com o compromisso de que acreditem, eu conto isso porque me sinto enviada, me sinto mensageira, me sinto transmissora de uma paz que não é efêmera, de um amor que não é transitório, de um ensinamento atemporal. Eu quero emocionar as pessoas com meus olhos cheios d'água que mostram o que o meu amor é para mim. Você pode ter um amor assim também. Você tem algo grande guardado, basta esperar e saber as palavras-chave: amor ao próximo, humanismo e fé.
Faz vinte anos que estou ao lado do meu amor. Ao lado, pois damos voltas juntos. Não nos amamos com o compromisso de ser bonito. É bonito simplesmente pelo fato de ser eterno. E eu queria dizer isso à vocês. Tenho 70 anos e sou uma mulher completa. E, agora sim...
Oi, eu sou Ana Anita e não tenho um amor platônico.
Amor ao próximo, humanismo e fé....
[final da trologia de Ana Anita, baseado em fatos reais.]
O ser humano que sente sofre. Eu não seria diferente. Meu amor é lindo, meu amor platônico é lindo. Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Ele também.
Somos o único animal dotado de consciência. Eu não sei para que serve essa tão exaltada consciência. O entendimento das coisas devia ser, certas horas, exaurido. Cheguei à conclusão de que, quanto mais se tenta entender algo, mais há para se entender.
Eu trabalhei muitos anos em Veneza, no baile de máscaras, pondo máscaras nos meus sentimentos, ou melhor, no meu sentimento, no único. O único sentimento que sentia até hoje foi um lindo amor platônico mascarado. Eu preguei a mim mesma que ele era apenas um sentimento perfeito e não admitia ver outra coisa. Eu escondia de todo mundo que ele era mascarado, que ele me trazia uma hipérbole de outros sentimentos.
Só sabe o que é amar incondicionalmente alguém quem já amou. Dentro desse amor, existem todos os outros sentimentos despertados por ele.
Nesse meio termo, eu senti medo, angústia, apreensão. Minha vida foi mesclada do medo da mesmice e do marasmo. Eu não tinha um amor anterior para comparar a esse. Esse já consumia tudo que eu tinha, todas as minhas forças e pensamentos. Maldita consciência! Eu queria esquecer, algumas horas, que esse sentimento estava vivo dentro de mim e, simplesmente, vivê-lo, pois, assim, tudo andaria de forma tão mais amena, penso eu.
Eu sou uma Ana Anita que finge ter o sentimento mais belo do mundo pras pessoas, mas, na verdade, não quero, eu, algo concreto? Paupável? Sou humana, não posso viver só de sonhos. Sei que quero muito algo, mas se esse algo não chegar? Vou ficar lá, parada, esperando? Não sei se irei em busca da vida vivida ou se ficarei esperando viver a vida.
Tento colocar meu amor mais voraz em latência, quero dar vazão aos tortuosos caminhos percorridos pelo meu sangue fervoroso de coisa nova, por mais nova que essa coisa possa ser. É uma dor grande ser acorrentada a algo que você quer, mas que, em certos momentos, você carrega como um fardo. Não há dúvidas de que quero, mas chega horas em que parece tão impossível, tão utópico, tão inalcansável, tão platônico, que você pensa: "O mundo é só isso?".
Pergunto-me se, algum dia, essa pessoa, que só vi uma vez na vida, irá voltar e eu a verei de novo. Paro e pergunto-me: "Ok, ela voltou, e agora? E se ele não olhar para mim?". A vida é feita de riscos e não sei se estou disposta a esperar anos por um momento que pode nem acontecer. Mas isso eu escondo de todos. Divulgo apenas o amor bonito e inacabável.
Existem possessões incompreensíveis e esse maldito amor platônico é um deles. E se eu conhecer outro alguém? Será que me permitirei sentir, mais uma vez, um sentimento bonito? Será que ele irá se concretizar ou ficará apenas na vontade?
Às vezes, sinto a necessidade de ouvir o que eu quero ouvir. Não importa se é verdadeiro, contanto que supra as minhas necessidades. Já me chamei de efêmera, mas vi que não. Vi que sou um ser humano normal, que passa por provações. E uma dessas provações é buscar algo real para guardar dentro de mim.
Oi, eu sou Ana Anita e tenho um amor platônico. Eu devo isso ao querido Platão, que viveu na Grécia antiga e teve a felicidade de proferir que o amor espiritual é mais importante que o amor carnal. De acordo com ele, o amor tem uma função de possibilitar um crescimento espiritual por meio de uma relação saudável entre pessoas que têm os mesmos objetivos e projetos. Bem, de acordo com a teoria dele, a visão que se tem, atualmente, de amor platônico é errada. Amor platônico não é aquele em que a relação é totalmente impossível e a outra pessoa não sabe que é amada. O amor platônico, para ele, é a metade da laranja, é a tampa da panela, é a alma-gêmea. Como um conceito pôde tornar-se o oposto do seu signifcado? Acho que foram os anos. É, estamos extremamente distantes da Grécia antiga, e de Platão, assim como um amor platônico é distante de você. Se é por isso ou não, não importa.
Mas e agora? Como vou chamar o meu amor? Acho que prefiro o sentido atual da palavra.
Eu estou apaixonada. Ou melhor, eu amo. Acho que paixão é um sentimento mais carnal, momentâneo, visual. O meu não, é espiritual, é intelectual, é suspirante, é puro. Eu sinto-me devota de um Deus mortal. Eu sou/estou como um vulcão inativo: tem muito a oferecer, mas está sem atividade. Eu não sei se entrarei em erupção, pois isso depende da natureza e não de mim. Bem que eu queria! Mas meu sentimento me completa tanto, é tão bonito, me conforta tanto, é tão puro, me faz tão bem, é tão verdadeiro, que, se ele não me quiser, eu continuarei amando sem sofrer. Não sei se um dia passará. Eu não quero que passe. Eu estou feliz. Eu só quero continuar vivendo e sentido esse sentimento que nasceu dentro de mim. Como é bom morrer de amor e continuar vivendo!
Eu acredito veementemente que as pessoas despertam-se. É, eu olho para você, e, só com isso, você me desperta coisas boas. Eu não sei se eu te desperto algo bom, mas eu nem me importo. O meu sentimento não depende do seu. Eu sou muito individualista. Meu amor é tão lindo que eu não sei se queria dividir ele com você. Se você quer amar, que sinta o seu, pois o meu é meu. Eu sinto-me viva por causa desse amor e não acho justo dividi-lo com ninguém, nem com o amado. Eu não vou viver o seu amor. E, completando, eu duvido muito que alguém venha a sentir um amor que possa, ao menos, assemelhar-se ao meu. É algo tão forte que o meu vocabulário não consegue exprimir em palavras. Mas nem precisa, do jeito que o mundo é cheio de inveja, não preciso de ninguém querendo roubá-lo de mim ou tentando conquistar-me para eu não sentir mais coisas tão perfeitas pelo meu amado.
-Ana Anita, por que você escreve tanto, minha filha?
-Ah, mamãe, eu tento, inutilmente, colocar no papel o que se passa dentro de mim, mas nem consigo.
-Você tá apaixonada, filha?
-Não, mãe.
-Tá triste?
-Não.
-E o que tanto você quer escrever?
-Eu amo, mamãe, eu amo. (pausa de 40 segundos) Você já amou?
-Sim, meu amor, eu amo seu pai, amo você, amo seu irmão.
-Duvido que chegue perto do meu amor pelo meu amado.
-AHAHAHAHA, como você é audaciosa, querida.
-Quer apostar? O mel tão clichê das minhas linhas românticas e avassaladoras jamais expressarão o que é um coração feliz. Eu tenho certeza de que ele está eternizado dentro de mim. É algo que não entra em latência.
-Estou começando a ficar preocupada.
-Preocupar-se com o quê? Triste seria se eu não sentisse amor, se eu fosse vazia. Sinto-me tão completa que, acho eu, que a senhora deveria sentir-se feliz por mim, e torcer para isso nunca passar.
-Mas você não disse que estava eternizado? E por que o medo de que passe?
-Não é medo de o sentimento passar, não é isso. Quando eu digo para torcer para algo não passar, sou eu. Eu não posso passar. Já pensou se eu morro e não sinto mais isso?
É uma pena que o meu sentimento só tenha visto o seu causador apenas uma vez.
-Eu nem acho.
-A gente vem discordando bastante ultimamente.
-Deve ser porque você está muito denso.
-Eu sou denso.
-É, isso eu sei, mas você está levando sua densidade para um lado ruim.
-Estou?
-Não se faça de idiota.
-Não tô entendendo, juro. Oo
-Então, tá. Deixa pra lá.
-Agora você vai falar..
-Olha, sinceramente? O que você acha que está fazendo com a sua vida? Sério! Você sofreu, você foi magoado, você foi despedaçado. O término do seu namoro te estraçalhou inteiro. Você finge para você mesmo que isso está superado. Você quer enganar-se. Por que você quer fingir que não sofre mais? Tá, eu entendo que você pode nem saber disso, afinal, já faz algum tempo, mas daí a enlouquecer? É, é isso que está acontecendo com você. Você está tornando-se efêmero. Você está jogando fora o que a vida está colocando diante de seus olhos. As pessoas tornaram-se válvulas de escape, aonde elas perdem o valor e apenas servem para sanar uma vontade momentânea sua. É isso que você está sendo, um momento. Eu sei sim o que é apaixonar-se por uma pessoa e ela, por uma insanidade, por um devaneio, por uma mera loucura, dizer que não te quer mais. Mas você não pode usar isso para acabar com você mesmo. É, é, é, é! As pessoas que você está magoando, realmente, são afetadas, mas não como você. E o pior, sem você perceber. Você está em um processo autodestrutivo. Por que você não busca vazão nos amigos? Por que você não sai e apenas extravasa a mágoa que mora aí dentro? Eu sei que não é por mal, eu sinto que não é. Eu sei que você está fazendo isso involuntariamente. Você é uma pessoa boa. Mas você está transformando isso em cinismo. A sua bondade está sendo apenas uma ponte para você conseguir o que quer. Depois daí, o objeto, que você chama de pessoa, não vale mais nada. Posso estar exagerando, mas eu preciso dimensionar o que se passa com você. Não pense você que está me enganando com essa sua cara de pé no chão, de seguro, de inteligente e de sabedor das dores e dos sentimentos alheios. Você vai mesmo deixar que apenas uma pessoa destrua o ser íntegro que você construiu durante esses 23 anos de vida? Pare, pense, reflita! Pare de negar a você mesmo.
-Quem é você para estar me dizendo isso? Como você sabe que sou íntegro, que sou magoado, que sou isso, que sou aquilo, você mal me conhece.
-Posso ser precipitado ao dizer isso, mas é o que eu sinto. E, por falar em sentir, tudo isso que eu disse não depende de tempo, é sentir, simplesmente, sentir. Eu só te peço isso: que você pare, olhe para trás e veja se essas suas atitudes são as mesmas do passado. Eu não te conheci no passado, mas eu sinto essência, eu vejo o bem, eu olho o altruísmo em sua volta, por mais que essa casca calhorda esteja rodeando-no. Peço perdão pelas minhas palavras, mas não consigo ser metade. Não consigo ser não-intenso. Como você, sou denso. Você pode estar achando tudo isso papinho, bobagem, mas eu sei, EU SEI, que você vai chegar em casa e pensar. Disso eu não tenho dúvidas! É por isso que ainda vale falar. Eu quero alguém bom que eu sei que existe aí dentro. A bondade fascina, encanta, cega. As pessoas não serão mais pequenas para você e nem você será pequeno. Você não pode permitir que uma pessoa te cause uma dor dessa, você é maior que isso. Não quero começar o momento auto-ajuda. Se você quer mesmo amar, olhe para a frente ou olhe para os lados.
-Eu não consigo entender o porquê de você estar me dizendo tudo isso.
-Porque o que me encantou foi o lado bom. Quando eu deparei-me com o lado ruim, eu me assustei e corri.
-Mas eu que te pus para correr..
-Tá vendo como estou certo?
Por que as pessoas são tão impulsivas? É uma ordem: quanto mais intensa, mais impulsiva. É tão difícil quando você não tem o controle sobre suas próprias emoções. Você programa algo, conscientiza-se de que é o certo a se fazer, não mudará jamais, lembra de todos os motivos pelos quais você está fazendo isso, mas, mas, mas, quando chega a hora, você segue o afã do momento, você desiste, você acha que vai dar certo, você passa por cima de todos os seus princípios, de tudo que você acredita. Você faz isso na esperança de que toda a teoria seja jogada no lixo e que você possa provar a qualquer teórico que arriscar ainda vale. Eu pergunto-me até que ponto a sua estabilidade emocional pode ser colocada em xeque em troca de uma mera tentativa que em 99,99% das vezes dão erradas. Concluo: não vale. Escrevo com todas as letras e repito: NÃO VALE. Se você acha que vale, tá, escolha sua.
Agora vou convencer você. Posso? Você vem caminhando pela rua. Como todo apaixonado, vai com a cabeça no infinito, pensa em tudo, menos no chão à sua frente. Você lembra do último beijo(ou não, porque muitas pessoas nem tiveram a chance de dar um beijo), lembra dos momentos mais bonitos, mais calmos, mais românticos. Faz planos para o futuro, imagina cenas que ocorreriam, vocês dois sozinhos sentados na areia, olhando para o mar, 00:00h. O vento forte, o cabelo todo para um lado. Não dá para ver muita coisa, está escuro, é noite. Como seria bom se isso acontecesse. Por que não ligar? Por que não tentar fazer esse momento acontecer? Por que não ligar pedindo para ficar junto? Por que não ligar, ir lá, correr atrás, mostrando que você quer e quer muito? Você é impulsivo, você vai pegar a porcaria do telefone e vai ligar. Vai, tem certeza? É o cão dizendo para ligar e o anjo dizendo para não ligar. Mas, como você é um bobo apaixonado, você pensa: por que não é o anjo que manda eu ligar e o capeta manda eu não ligar? Isso é coisa de gente boba. Como você é, um bobo. Você não consegue ver que se o amor fosse recíproco não tinha um porquê de vocês estarem separados? Acorde para a sua vida e veja que ela está passando. E você? Está aí, esperando por alguma coisa irreal, abstrata, que só vem da sua parte e que jamais vai ser recíproca de novo. Não adianta alimentar que um dia você estará lindo, bem vestido e cheiroso e isso despertará o amor do seu amor e vocês viverão esse lindo amor, meu amor.
Tá, o diabo venceu. Você ligou...
-Oi, tudo bem? (você tenta mostrar aquela voz descompromissada)
-Tudo. Como tá? Saudade de tu.
-Pois é, falar nisso, eu tava passando aqui perto, decidi te ligar, sei lá, te visitar..(você tenta mostrar indiferença pra não quebrar a cara logo)
-Huuuummmmm(bem demorado)..tá onde?
-Tô aqui perto, só te dar um beijo mesmo, faz tanto tempo que a gente não conversa, é rápido. (começa o momento humilhação-eu-não-tenho-valor)
-ôôô, é porque eu tô tão bem deitado vendo TV, a preguiça me corroendo...
-Afffff, acorde, o sol tá lindo(você já está na merda), tô chegando aí. (alcançou o cúmulo do desespero, até cara-de-pau virou)
-Não, vem não..*voz meiga* (toma, otário)
-Ahhh, tá bom, então. Olhe, depois não diga que eu não tentei, viu..fica aí com essa de saudade e num sei o quê..(gente, qual é a tua? SE TOCA)
- HAHHAHAHAHAHAHA
Bem, esse foi o meu argumento para convencer você. E pergunto: você quer se ver nessa situação? Vamos, acorde, você é maior. A sua estabilidade não vale essa situação. ALÔ, acorde, você é grande, seja firme.
Hoje eu chorei. Depois de 368 dias, eu chorei. Eu tive de fazer força para lembrar o último dia em que eu havia expurgado lágrimas. Expurgo, é, é isso que as lágrimas são para mim. Elas só saem quando algo realmente me despedaça. Eu não sei se isso é bom: ser forte, não chorar. Eu não chorei como o último choro. Eu não sei se posso comparar os dois. Foram momentos tão diferentes.
No último, eu era uma pessoa em forma de criança totalmente surrada, uma criança que havia apanhado, apanhado muito. A vida me bateu sem pena e eu não sabia o por quê. Eu não sabia o que tinha feito para merecer aquilo. Tantas pessoas queridas presenciaram meu choro. Em pleno domingo, em pleno shopping center, em pleno sofrimento. Eles passavam a mão em minha cabeça. "Vai passar". Só eu sabia que não ia passar tão cedo, e não passou. Até hoje eu tento enganar-me, deixar aquele motivo no subconsciente, fazer parecer superado, mas não está. Quem me conhece sabe que não está. Aquele choro não parava, eu pensava no tanto de pessoas que eu havia decepcionado. Minha mãe, meus amigos, eu mesmo. Eu lutei, lutei para passar, mas não fui suficiente. Até hoje me engano: não era a minha hora. Não sei até que ponto acredito nisso.
No choro de hoje, bem, o choro de hoje...o que foi isso? Eu não sei explicar exatamente o que se passou comigo. Eu acho que é uma das poucas vezes em que não consigo expressar o que sinto através de palavras. Vocês estão sempre tão acostumados a verem-se aqui nos meus textos, a identificar-se, a procurar-se por aqui. É, mas a força com que conto, exprimo o que as pessoas sentem faltou, faltou para mim, quando eu mais preciso. O choro de hoje foi escondido, foi calado, foi sufocante. Ele não serviu em nada para aliviar minha dor, foi apenas água descendo dos olhos, veio a vontade e elas vieram à tona. O choro de hoje ninguém viu. Ninguém passou a mão na minha cabeça. Eu não sei se decepcionei alguém. Mas eu me decepcionei. É uma decepção que não adianta contar a ninguém, nenhuma palavra de conforto vai me ajudar. Eu sei que tenho grandes amigos que me ouviriam, que me aconselhariam, que me diriam que eu sou maior que isso, mas não adianta nada quando você não tem consciência. É o que eu sempre digo que antes de alguém dizer algo a você, você tem de acreditar nesse algo para que ele torne-se verdadeiro. E eu não posso ferir um princípio que prego, se ele vale pros meus amigos, vai valer pra mim, pois, se quero o bem deles, quero o meu também.
É incrível como eu tenho amor pelos meus amigos, mas eu via claro na minha frente que nem a companhia deles me aliviaria naquele momento. Eu me pergunto: Como pode isso? O que é isso? E o pior: eu sei as respostas. Mas faço questão de não encontrá-las. Talvez eu tenha medo de encontrar-me e comprovar que fui um incapaz, que não consegui controlar minhas emoções. Que eu fui inimigo de mim mesmo na maior de minhas batalhas. Eu acho que o estágio de insegurança intelectual foi superado. Agora é questão de não ser paupável. Sabe quando você quer realmente algo que você não vai tocar, não vai sentir? Você vê alguém que desfruta do que você mais queria no mundo, mas não sente inveja, porque é mais que isso: o seu desejo é irreal. Isso eu consigo expressar muito bem.
Eu senti tanto medo hoje, mas tanto, tanto, como eu nunca havia sentido antes. Eu senti medo de nunca poder ter o que eu realmente quero para mim. Eu senti medo de ser um incapaz pelo resto dos meus dias. E não é drama. É o medo da bola de neve apenas aumentar. A insegurança + o medo + a ansiedade + o nervosismo + o azar + as provações = meu coração e meu emocional despedaçados. Se você souber a diferença entre gostar e amar e se apaixonar, você me entenderá. Ah, as provações. Por que elas tem de existir? Eu acho que tenho passado por tantas. Às vezes, penso: se Deus existe(eu realmente acredito nisso), ele está fazendo um processo seletivo, e eu sou um dos candidatos. Tenho a certeza, também, de que às provas mais difíceis ele está me submetendo. E isso não é frescurinha e nem audácia de quem não sabe o que é sofrimento. Não julgue o que você realmente não conhece. As provações têm mostrado a mim que sou forte, que sou um ser superável, renovável, mas até que ponto eu posso superar meus limites? Pois, como o nome diz, existem limites e eu tenho os meus.
Estou num momento em que falar não adianta mais. Dizer que isso passa amanhã. Isso não passa amanhã, já teria passado. Eu não quero mais enganar-me. Ser incompleto não é ser traído, que um dia passa. Ser incompleto é faltar algo crucial para que seus dias tornem-se vívidos. E não quero saber daquela história: "por que você não consegue viver com a metade cheia do copo?". Você vive com essa metada quando a outra não é vital, não é visceral, não é primordial, não é você por inteiro e com todas as forças que você pode depositar em algo.
Eu sei que pessoas gostam de mim e que me querem ao lado, mas amar é entender e compreender que esse momento é um momento no qual eu preciso pensar.
Preguiça de viver. Foi como acordei hoje. É quando você tem preguiça de proferir até um não. De responder a pergunta mais boba. É, hoje limitei-me a falar de mim. Não quero contar os causos dos outros. Tenho esse direito, o blog é meu. Você acorda, abre o olho e faz a primeira pergunta do dia: "Qual será o sentido do meu dia hoje? O que eu vou fazer?". Quando se acorda assim, o dia será sem sentindo.
Todo mundo já quis sumir do mapa. Desaparecer. Ficar sem ver gente. Até quem adora gente(me incluo), sente essa estranha vontade. Estranha, mas perfeitamente normal. Sério, aposto que todos já tiveram seu dia de estrela em que pensaram: "Ninguém vai me encontrar, não darei notícias, não atenderei o celular, faltarei à aula, não irei àquele lugar que vou todos os dias e dormirei cedo, assim, essa crise passará logo." Isso, certas vezes, dura mais de um dia. Depende da sua estabilidade emocional.
Vegetar, fazer fotossíntese. Eu poderia resumir o que tive vontade de fazer hoje com isso. Você acha que todas as pessoas ao seu redor perdem a função, que todos os seus estudos até ali foram inúteis, que os segundos se arrastam, quase não formando os minutos, que a felicidade é algo extremamente distante e utópico. Nada consegue animar-te. As músicas tristes compõem a trilha sonora da incrível lida pela melancolia enfadante.
Você começa a fazer e a pensar tudo diferente. Você não está normal. Você não age como em seus dias normais. É postar no seu blog e não ter vontade de mandar o link para ninguém. É ter a irritante insônia empurrando a sua involuntária vontade de escrever. É parar de escrever as histórias com que as pessoas tanto se identificam e sempre te combram, achando que você falou delas. É ter vontade de falar de você, sem se importar se o texto vai agradar. É estar mal-humorado, abusado, chato e ignorante. A paciência vai diminuindo ainda mais com o arrastar do tempo.
"Vivo tão intensamente o momento presente que quase chego atrasada ao momento seguinte."Esse poema nunca foi tão mentira. Na verdade, no momento, eu não vivo nada, eu nem sei se vivo. Muito menos intensamente. E será que eu vou chegar ao momento seguinte? Bem, eu sei que isso vai passar, mas, enquanto você "vive", você acha que é eterno, que aquele marasmo não vai passar, que você é inerte. Você se pergunta quais as razões para você existir. Qual a sua colaboração para o mundo? Ao chegar no famigerado juízo final, o que você terá para contar como pontos positivos para sua entrada no paraíso? Quando você está assim, você acha que São Pedro olhará para sua cara cansada e dirá: "Volte, vá viver, depois venha e fale comigo." Você desce, olha para trás e vê que, de forma alguma, você pode deixar o mundo sem sua bonita contribuição. É nessa hora que você abre os olhos novamente, é, é um novo dia.