sexta-feira, 25 de abril de 2008

Um dia comum?


Nunca havia visto um supermercado tão lotado! O caixa rápido parece ser sempre o mais lento, além de eu conseguir contar mais de 10 volumes por pessoa em todo mundo da fila. Enfim, espero, espero e, casadamente, espero. Empacoto tudo e dirijo-me ao meu carro. Buzino e vejo o portão abrindo-se. "Obrigada", digo isso num olhar ao porteiro. Desço, pego o carrinho de compras do condomínio para colocar as minhas e levar ao meu apartamento. Ao dar o primeiro empurrão, escuto um barulho estrondoso. Para variar, deve ser mais um jarro de flores que cai. Ao chegar à frente do prédio, um corpo! Meu Deus, nunca tinha visto tal cena. Fiquei estarrecida. Meus olhos não queriam acreditar, era Isabella! Aquele gelo profundo tomou conta do meu corpo. Sabe quando você pára porque o seu cérebro não consegue dar a ordem pra ir adiante? Pois é, foi, exatamente, isso. Ouço um grito, mas não sei de quem foi. E isso era o que menos importava. O que eu ia fazer? A garota estava agonizando. Imagine se fosse minha filha ali. Não quero nem pensar nisso. Rapidamente, os bombeiros chegaram e fizeram os primeiros socorros, inúteis.
Eu nunca pensei em presenciar o caso que comoveria o país. Ainda mais de uma criança que era amiga da minha filha, não queria acreditar. Chega a imprensa, a polícia, a perícia, os curiosos, mobilização generalizada. Depois de duas horas, quando o choque passou, consegui chorar, mas não um chorar qualquer, caí em prantos. Aquela cena jamais sairia da minha mente. Aquela linda menina não merecia essa fatalidade. Fatalidade até meu marido assistir ao primeiro noticiário. Eu achei que ele estivesse enganado ou algo do tipo, mas não. Acreditar que ela havia sido empurrada da janela? Eu sou humana demais para acreditar nisso. Outro choque. Digamos que, nesse período, minha vida não tem sido a mesma. Todos os dias são milhares de máquinas fotográficas e filmadoras em frente ao meu condomínio. Aqueles abutres da imprensa que não sabem falar em outra coisa. Sensacionalismo demais, comentários demais, suposições demais. Tudo bem, ajudam a levantar a cabeça da população e o clamor por justiça, mas não vamos brincar com os sentimentos das pessoas. Chegar ao ponto de levar uma boneca à um programa de TV e jogá-la de certa altura para simular o crime? Menos, bem menos. Ligo a televisão e só se fala nisso.

Eu não consigo engolir e, muito menos, digerir como se pode matar uma criança, que não faz mal a ninguém! Como?? Vi no jornal um estuprador que estuprou uma criatura de quatro anos, fazendo sexo anal e vaginal, entupindo a boca da criança de folhas para que ela não gritasse, num matagal! Em que mundo nós estamos, me digam! Cada dia vejo coisas piores, não quero mais nem assistir televisão. Num é que eu queria fechar os olhos pro mundo, o problema é a falta de sentimento nas pessoas, de compaixão. Desculpem-me, ainda não aprendi a lidar com isso, felizmente.
Não quero fazer nenhum julgamente, mas eu acho mesmo que foi o pai e a mulher, nunca gostei dele mesmo. Mas quem sou eu, né? Só me espanto com uma frieza sem tamanho. Espero que esse não seja apenas mais um caso de mídia. Que a justiça aprenda a trabalhar, pois, por enquanto, minha TV continuará desligada.