sábado, 13 de dezembro de 2008

Hoje e amanhã.


Oi, eu sou Ana Anita e tenho um amor platônico. Eu devo isso ao querido Platão, que viveu na Grécia antiga e teve a felicidade de proferir que o amor espiritual é mais importante que o amor carnal. De acordo com ele, o amor tem uma função de possibilitar um crescimento espiritual por meio de uma relação saudável entre pessoas que têm os mesmos objetivos e projetos. Bem, de acordo com a teoria dele, a visão que se tem, atualmente, de amor platônico é errada. Amor platônico não é aquele em que a relação é totalmente impossível e a outra pessoa não sabe que é amada. O amor platônico, para ele, é a metade da laranja, é a tampa da panela, é a alma-gêmea. Como um conceito pôde tornar-se o oposto do seu signifcado? Acho que foram os anos. É, estamos extremamente distantes da Grécia antiga, e de Platão, assim como um amor platônico é distante de você. Se é por isso ou não, não importa.
Mas e agora? Como vou chamar o meu amor? Acho que prefiro o sentido atual da palavra.
Eu estou apaixonada. Ou melhor, eu amo. Acho que paixão é um sentimento mais carnal, momentâneo, visual. O meu não, é espiritual, é intelectual, é suspirante, é puro. Eu sinto-me devota de um Deus mortal. Eu sou/estou como um vulcão inativo: tem muito a oferecer, mas está sem atividade. Eu não sei se entrarei em erupção, pois isso depende da natureza e não de mim. Bem que eu queria! Mas meu sentimento me completa tanto, é tão bonito, me conforta tanto, é tão puro, me faz tão bem, é tão verdadeiro, que, se ele não me quiser, eu continuarei amando sem sofrer. Não sei se um dia passará. Eu não quero que passe. Eu estou feliz. Eu só quero continuar vivendo e sentido esse sentimento que nasceu dentro de mim. Como é bom morrer de amor e continuar vivendo!
Eu acredito veementemente que as pessoas despertam-se. É, eu olho para você, e, só com isso, você me desperta coisas boas. Eu não sei se eu te desperto algo bom, mas eu nem me importo. O meu sentimento não depende do seu. Eu sou muito individualista. Meu amor é tão lindo que eu não sei se queria dividir ele com você. Se você quer amar, que sinta o seu, pois o meu é meu. Eu sinto-me viva por causa desse amor e não acho justo dividi-lo com ninguém, nem com o amado. Eu não vou viver o seu amor. E, completando, eu duvido muito que alguém venha a sentir um amor que possa, ao menos, assemelhar-se ao meu. É algo tão forte que o meu vocabulário não consegue exprimir em palavras. Mas nem precisa, do jeito que o mundo é cheio de inveja, não preciso de ninguém querendo roubá-lo de mim ou tentando conquistar-me para eu não sentir mais coisas tão perfeitas pelo meu amado.
-Ana Anita, por que você escreve tanto, minha filha?
-Ah, mamãe, eu tento, inutilmente, colocar no papel o que se passa dentro de mim, mas nem consigo.
-Você tá apaixonada, filha?
-Não, mãe.
-Tá triste?
-Não.
-E o que tanto você quer escrever?
-Eu amo, mamãe, eu amo. (pausa de 40 segundos) Você já amou?
-Sim, meu amor, eu amo seu pai, amo você, amo seu irmão.
-Duvido que chegue perto do meu amor pelo meu amado.
-AHAHAHAHA, como você é audaciosa, querida.
-Quer apostar? O mel tão clichê das minhas linhas românticas e avassaladoras jamais expressarão o que é um coração feliz. Eu tenho certeza de que ele está eternizado dentro de mim. É algo que não entra em latência.
-Estou começando a ficar preocupada.
-Preocupar-se com o quê? Triste seria se eu não sentisse amor, se eu fosse vazia. Sinto-me tão completa que, acho eu, que a senhora deveria sentir-se feliz por mim, e torcer para isso nunca passar.
-Mas você não disse que estava eternizado? E por que o medo de que passe?
-Não é medo de o sentimento passar, não é isso. Quando eu digo para torcer para algo não passar, sou eu. Eu não posso passar. Já pensou se eu morro e não sinto mais isso?

É uma pena que o meu sentimento só tenha visto o seu causador apenas uma vez.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Voltar a ser.


-Eu nem acho.
-A gente vem discordando bastante ultimamente.
-Deve ser porque você está muito denso.
-Eu sou denso.
-É, isso eu sei, mas você está levando sua densidade para um lado ruim.
-Estou?
-Não se faça de idiota.
-Não tô entendendo, juro. Oo
-Então, tá. Deixa pra lá.
-Agora você vai falar..
-Olha, sinceramente? O que você acha que está fazendo com a sua vida? Sério! Você sofreu, você foi magoado, você foi despedaçado. O término do seu namoro te estraçalhou inteiro. Você finge para você mesmo que isso está superado. Você quer enganar-se. Por que você quer fingir que não sofre mais? Tá, eu entendo que você pode nem saber disso, afinal, já faz algum tempo, mas daí a enlouquecer? É, é isso que está acontecendo com você. Você está tornando-se efêmero. Você está jogando fora o que a vida está colocando diante de seus olhos. As pessoas tornaram-se válvulas de escape, aonde elas perdem o valor e apenas servem para sanar uma vontade momentânea sua. É isso que você está sendo, um momento. Eu sei sim o que é apaixonar-se por uma pessoa e ela, por uma insanidade, por um devaneio, por uma mera loucura, dizer que não te quer mais. Mas você não pode usar isso para acabar com você mesmo. É, é, é, é! As pessoas que você está magoando, realmente, são afetadas, mas não como você. E o pior, sem você perceber. Você está em um processo autodestrutivo. Por que você não busca vazão nos amigos? Por que você não sai e apenas extravasa a mágoa que mora aí dentro? Eu sei que não é por mal, eu sinto que não é. Eu sei que você está fazendo isso involuntariamente. Você é uma pessoa boa. Mas você está transformando isso em cinismo. A sua bondade está sendo apenas uma ponte para você conseguir o que quer. Depois daí, o objeto, que você chama de pessoa, não vale mais nada. Posso estar exagerando, mas eu preciso dimensionar o que se passa com você. Não pense você que está me enganando com essa sua cara de pé no chão, de seguro, de inteligente e de sabedor das dores e dos sentimentos alheios. Você vai mesmo deixar que apenas uma pessoa destrua o ser íntegro que você construiu durante esses 23 anos de vida? Pare, pense, reflita! Pare de negar a você mesmo.
-Quem é você para estar me dizendo isso? Como você sabe que sou íntegro, que sou magoado, que sou isso, que sou aquilo, você mal me conhece.
-Posso ser precipitado ao dizer isso, mas é o que eu sinto. E, por falar em sentir, tudo isso que eu disse não depende de tempo, é sentir, simplesmente, sentir. Eu só te peço isso: que você pare, olhe para trás e veja se essas suas atitudes são as mesmas do passado. Eu não te conheci no passado, mas eu sinto essência, eu vejo o bem, eu olho o altruísmo em sua volta, por mais que essa casca calhorda esteja rodeando-no. Peço perdão pelas minhas palavras, mas não consigo ser metade. Não consigo ser não-intenso. Como você, sou denso. Você pode estar achando tudo isso papinho, bobagem, mas eu sei, EU SEI, que você vai chegar em casa e pensar. Disso eu não tenho dúvidas! É por isso que ainda vale falar. Eu quero alguém bom que eu sei que existe aí dentro. A bondade fascina, encanta, cega. As pessoas não serão mais pequenas para você e nem você será pequeno. Você não pode permitir que uma pessoa te cause uma dor dessa, você é maior que isso. Não quero começar o momento auto-ajuda. Se você quer mesmo amar, olhe para a frente ou olhe para os lados.
-Eu não consigo entender o porquê de você estar me dizendo tudo isso.
-Porque o que me encantou foi o lado bom. Quando eu deparei-me com o lado ruim, eu me assustei e corri.
-Mas eu que te pus para correr..
-Tá vendo como estou certo?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Alô?


Por que as pessoas são tão impulsivas? É uma ordem: quanto mais intensa, mais impulsiva. É tão difícil quando você não tem o controle sobre suas próprias emoções. Você programa algo, conscientiza-se de que é o certo a se fazer, não mudará jamais, lembra de todos os motivos pelos quais você está fazendo isso, mas, mas, mas, quando chega a hora, você segue o afã do momento, você desiste, você acha que vai dar certo, você passa por cima de todos os seus princípios, de tudo que você acredita. Você faz isso na esperança de que toda a teoria seja jogada no lixo e que você possa provar a qualquer teórico que arriscar ainda vale. Eu pergunto-me até que ponto a sua estabilidade emocional pode ser colocada em xeque em troca de uma mera tentativa que em 99,99% das vezes dão erradas. Concluo: não vale. Escrevo com todas as letras e repito: NÃO VALE. Se você acha que vale, tá, escolha sua.
Agora vou convencer você. Posso? Você vem caminhando pela rua. Como todo apaixonado, vai com a cabeça no infinito, pensa em tudo, menos no chão à sua frente. Você lembra do último beijo(ou não, porque muitas pessoas nem tiveram a chance de dar um beijo), lembra dos momentos mais bonitos, mais calmos, mais românticos. Faz planos para o futuro, imagina cenas que ocorreriam, vocês dois sozinhos sentados na areia, olhando para o mar, 00:00h. O vento forte, o cabelo todo para um lado. Não dá para ver muita coisa, está escuro, é noite. Como seria bom se isso acontecesse. Por que não ligar? Por que não tentar fazer esse momento acontecer? Por que não ligar pedindo para ficar junto? Por que não ligar, ir lá, correr atrás, mostrando que você quer e quer muito? Você é impulsivo, você vai pegar a porcaria do telefone e vai ligar. Vai, tem certeza? É o cão dizendo para ligar e o anjo dizendo para não ligar. Mas, como você é um bobo apaixonado, você pensa: por que não é o anjo que manda eu ligar e o capeta manda eu não ligar? Isso é coisa de gente boba. Como você é, um bobo. Você não consegue ver que se o amor fosse recíproco não tinha um porquê de vocês estarem separados? Acorde para a sua vida e veja que ela está passando. E você? Está aí, esperando por alguma coisa irreal, abstrata, que só vem da sua parte e que jamais vai ser recíproca de novo. Não adianta alimentar que um dia você estará lindo, bem vestido e cheiroso e isso despertará o amor do seu amor e vocês viverão esse lindo amor, meu amor.
Tá, o diabo venceu. Você ligou...
-Oi, tudo bem? (você tenta mostrar aquela voz descompromissada)
-Tudo. Como tá? Saudade de tu.
-Pois é, falar nisso, eu tava passando aqui perto, decidi te ligar, sei lá, te visitar..(você tenta mostrar indiferença pra não quebrar a cara logo)
-Huuuummmmm(bem demorado)..tá onde?
-Tô aqui perto, só te dar um beijo mesmo, faz tanto tempo que a gente não conversa, é rápido. (começa o momento humilhação-eu-não-tenho-valor)
-ôôô, é porque eu tô tão bem deitado vendo TV, a preguiça me corroendo...
-Afffff, acorde, o sol tá lindo(você já está na merda), tô chegando aí. (alcançou o cúmulo do desespero, até cara-de-pau virou)
-Não, vem não..*voz meiga* (toma, otário)
-Ahhh, tá bom, então. Olhe, depois não diga que eu não tentei, viu..fica aí com essa de saudade e num sei o quê..(gente, qual é a tua? SE TOCA)
- HAHHAHAHAHAHAHA

Bem, esse foi o meu argumento para convencer você. E pergunto: você quer se ver nessa situação? Vamos, acorde, você é maior. A sua estabilidade não vale essa situação. ALÔ, acorde, você é grande, seja firme.