quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Guerra sem limites.


Eu não aguento mais descrever a ansiedade. Acho que já a qualifiquei em todos os estágios possíveis aqui. Aflição, angústia, ânsia, diz o dicionário. Atitude emotiva concernente ao futuro e que se caracteriza por alternativas de medo e esperança. Medo vago adquirido especialmente por generalização de estímulos. Desejo ardente ou veemente. Impaciência, insofrimento, sofreguidão. Isso é o que a psicologia diz. E o que a gente diz?

Eu digo que a ansiedade me para. É quando você fica totalmente inerte e só consegue pensar naquilo que te angustia. Já tentou começar a ler algo e tudo que você leu foi totalmente não compreendido? Sabe quando o que você escreve começa a perder a qualidade? Os sentimentos começam a confundir-se. Você se sente determinado, mas não faz o mínimo esforço pra alcançar seus objetivos. Você encontra-se em um marasmo existencial incomensurável. A ansiedade traz todos os outros sentimentos ruins que podem povoar a mente de um pobre sofredor de coisas inúteis. Sofrer por coisas inúteis é sofrer por algo que não vai te trazer nada de construtivo. Você tem esse direito? Tem, por isso você sofre. Devia? Não. Mas quem não sofre por coisas banais? Se a gente fosse sempre se espelhar no sofrimento maior de alguém, nossa vida seria perfeita, pois bastava só ligar a TV, esperar o William Bonner começar a falar...aparecia três quilos de ossos de uma criança africana e você abria aquele sorriso, pois você é feliz. A vida não funciona assim. Temos sentimentos independentes do sofrimento da criança desnutrida, do atingido pela bala perdida, do índio queimado no ponto de ônibus, da pessoa que respira por aparelhos, da velha mal tratada pela empregada, sofra, sofra pelas suas coisas inúteis.

Só não sofra por antecipação. Será que vou casar? Será que vou chegar aos 34 anos, estabilizado financeiramente, com minha casa, mas só? Quantos anos você tem? 20, 22, 24? Falta tanto tempo. Na pior das hipóteses, tem 10 anos para o amor da sua vida correr, pegar a primeira nave da Xuxa e ir correndo ao seu encontro. Me diz quantos minutos você está perdendo pensando em quem não vai chegar, em quem não vem pra te fazer feliz, em quanto você vai ser infeliz? Deve ser esse o mal, a gente perde tanto tempo pensando que vai ser infeliz que esquece que precisamos ocupar o tempo com coisas que nos deixem felizes. Eu adoro meus momentos auto-ajuda "supere-se e veja o quanto você é feliz".

Então, estou em um momento inútil, já que é para falar de mim. Parace que as FARC tomou conta dos meus sentimentos, eles estão trocando tiros, está uma coisa sensacional! Eu tanto procuro paz e estou em meio a uma guerra. Eu quero paz! Vamos pensar..como é viver no limite? Viver no limite é viver cada dia como se fosse o último. É o que as pessoas que vão para a guerra fazem. Elas não sabem se um minuto à frente estarão vivos para contar o que fizeram no minuto anterior. Você vive em função do agora, sem pensar se terá balas para se defender amanhã. O que importa é garantir mais uns minutos de vida. E é ali, realmente, que alguém se sente feliz, pois cada minuto vale algo verdadeiramente importante. Você não vive por ninguém, você vive por você. Então, quero que as FARC domine a Colômbia, sobrando tempo, me domine.