
Eu queria ser a pessoa mais amada do mundo. Eu queria ter sempre carinho e atenção, mas sem perder o mistério. Eu queria dar afeto e cuidar, mas sem parecer bobo, sem parecer exagerado, sendo esse apenas meu jeito. O meu jeito de cuidar, de acarinhar, de exagerar, sendo gostar um passar dos limites.
Eu queria deparar-me com um grande gramado verde, após ter saído de uma cachoeira secreta e piegas, onde ninguém sabia que havia uma passagem, uma forma de me transportar para o que eu acho que é ideal, que é essencial. Caminhar bem devagar, a passos bem curtos e preguiçosos, sem me molhar, pois sou sensível e intocável. Chego ao gramado verde, consegui o que eu queria. Percebo que estou todo em branco, de vestimentas brancas, sem nem perceber o que branco significa. Eu não consigo ver nada ao longe, apesar do esforço, talvez eu seja míope.
Toda vez que quero sentir-me amado, acarinhado, cuidado e exagerado, eu vou lá, lá nesse gramado verde, caminhar de branco, mesmo sem saber o que branco significa, e olhar para bem longe, bem longe, e iludir-me, pois não há conforto psicológico maior que a ilusão proporcionada pela miopia.