
Tem me sido uma das dores mais estranhas deitar a cabeça no travesseiro, antes de estar entregue ao sono, e me perguntar por que você me devastou. A ligeireza das imagens me faz conseguir pensar em tudo despropositadamente. Descomedidamente. Eu me via quebrando as formas do sono com a ideia de movimento, rápido e contínuo; eu não dormiria. Não dormiria por dez minutos, após um cansativo dia, tempo esse reservado para agrupar, para fazer tudo voltar à mente e me questionar, sentir a usual dor da cabeça ao travesseiro, rompendo por sobre a beleza de um monte que parecia inquebrantável. Pesado e sofrido. Carinhoso e rude. Afável e voraz. Sensato e insensato.
Entre nós dois anda o mundo, tristinho, esperando por mais uma ironia, de te colocar na minha frente, descomedidamente. Arregalo as pupilas e já nem faço ideia de qual de nós dois anda morto, as mentiras trazidas de pessoas em sofrimento. A hora que ando à toa é quando a cabeça está lá ao travesseiro, desarmado e o coração esboroado; no fundo do poço, ódio e inércia. É como se eu precisasse zerar os pensamentos do dia pra conseguir dormir tranquilo, então fico, por minutos, pensando naquela dor, deixando ela me machucar um pouco mais. Mal tão necessário para uma noite de sono minimamente honesta. É, justamente, naquela hora que ninguém me diz para abstrair, ninguém me aconselha, muito menos segura minha mão. Sou eu ali, lembrando de você, comigo mesmo, memórias frescas permeando uma dor profunda, sentido o gosto das palavras pelo sabor que te dera. Elas não foram amargas só pra você, é tudo que tenho. Eu que seguro a sua mão agora, ora aperto, ora afago.
Quando fecho os olhos, penso no teu rosto, me repito o não mais tantas vezes, mas tenho visto tanta coisa. Agora eu fecho os olhos de saudade, as minhas palavras em riste arrefecem, o meu coração saltita, eu vejo coisas brancas, grama verde. Eu me permito os sonhos claros que invento. O contentamento tem se perdido dentro de mim, é tudo que me permito dizer agora. Sei que o travesseiro encerra algo indescritivelmente permissivo. Ele me permite ser tão bobinho. Eu posso, lá, confessar o meu jeitinho, entregar a alma e deixar os olhos. Quando eu bloqueio essa permissão, me vem a agonia. O sono vem se arrastando pelo chão, a maturidade e a dor vem correndo pra me tirar de lá e mostrar o que realmente é. Consentimento. Eu queria mesmo poder cortar suas asas, te fazer caminhar pelo mesmo caminho que venho andado perdido. Perdido que só eu. Que só. O que eu mais queria era encostar minha testa no teu ombro e deixar as lágrimas caírem de novo. E eu só posso te pedir isso quando deito minha cabeça no travesseiro. Há lágrimas e gritos, e tudo tem mesmo que acabar?
Pequeno