
E ele passou. Ele passou por mim como se nada tivesse acontecido. Bateu-me no rosto por vezes e depois calou. Bateu sem medo, achava eu. A minha necessidade de saber o motivo de tal silêncio passou. O medo ainda batia também, mas de uma forma diferente. Talvez fossem outros doravante. Quer saber? Apenas me deixe viver sem perguntas, sem dúvidas inerentes e sem solidão presente. O tempo talvez nem se mova, nem se dê ao trabalho de organizar o que pareceu um completo desarranjo. Mas eu continuo sem saber, e sem negar-me isso, consciente como sempre fui. Contudo, os passos, que antes eram um após o outro, confundiram-se, misturei as pernas e fui parar em outro caminho. Não necessariamente na mesma estrada, posso estar seguindo por caminhos que não são caminhos, mas eu os fiz assim. Só cuidado para não chegar perto demais e me esticar os ombros.