quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

E se essa for eu?


O ser humano que sente sofre. Eu não seria diferente. Meu amor é lindo, meu amor platônico é lindo. Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Ele também.
Somos o único animal dotado de consciência. Eu não sei para que serve essa tão exaltada consciência. O entendimento das coisas devia ser, certas horas, exaurido. Cheguei à conclusão de que, quanto mais se tenta entender algo, mais há para se entender.
Eu trabalhei muitos anos em Veneza, no baile de máscaras, pondo máscaras nos meus sentimentos, ou melhor, no meu sentimento, no único. O único sentimento que sentia até hoje foi um lindo amor platônico mascarado. Eu preguei a mim mesma que ele era apenas um sentimento perfeito e não admitia ver outra coisa. Eu escondia de todo mundo que ele era mascarado, que ele me trazia uma hipérbole de outros sentimentos.
Só sabe o que é amar incondicionalmente alguém quem já amou. Dentro desse amor, existem todos os outros sentimentos despertados por ele.
Nesse meio termo, eu senti medo, angústia, apreensão. Minha vida foi mesclada do medo da mesmice e do marasmo. Eu não tinha um amor anterior para comparar a esse. Esse já consumia tudo que eu tinha, todas as minhas forças e pensamentos. Maldita consciência! Eu queria esquecer, algumas horas, que esse sentimento estava vivo dentro de mim e, simplesmente, vivê-lo, pois, assim, tudo andaria de forma tão mais amena, penso eu.
Eu sou uma Ana Anita que finge ter o sentimento mais belo do mundo pras pessoas, mas, na verdade, não quero, eu, algo concreto? Paupável? Sou humana, não posso viver só de sonhos. Sei que quero muito algo, mas se esse algo não chegar? Vou ficar lá, parada, esperando? Não sei se irei em busca da vida vivida ou se ficarei esperando viver a vida.
Tento colocar meu amor mais voraz em latência, quero dar vazão aos tortuosos caminhos percorridos pelo meu sangue fervoroso de coisa nova, por mais nova que essa coisa possa ser. É uma dor grande ser acorrentada a algo que você quer, mas que, em certos momentos, você carrega como um fardo. Não há dúvidas de que quero, mas chega horas em que parece tão impossível, tão utópico, tão inalcansável, tão platônico, que você pensa: "O mundo é só isso?".
Pergunto-me se, algum dia, essa pessoa, que só vi uma vez na vida, irá voltar e eu a verei de novo. Paro e pergunto-me: "Ok, ela voltou, e agora? E se ele não olhar para mim?". A vida é feita de riscos e não sei se estou disposta a esperar anos por um momento que pode nem acontecer. Mas isso eu escondo de todos. Divulgo apenas o amor bonito e inacabável.
Existem possessões incompreensíveis e esse maldito amor platônico é um deles. E se eu conhecer outro alguém? Será que me permitirei sentir, mais uma vez, um sentimento bonito? Será que ele irá se concretizar ou ficará apenas na vontade?
Às vezes, sinto a necessidade de ouvir o que eu quero ouvir. Não importa se é verdadeiro, contanto que supra as minhas necessidades. Já me chamei de efêmera, mas vi que não. Vi que sou um ser humano normal, que passa por provações. E uma dessas provações é buscar algo real para guardar dentro de mim.

7 comentários:

@maiarakrd disse...

Ai, gente, como eu adoro a Ana, sério. =~ Ela é tão profunda, e, acredite ou não, ela passa MESMO uma vibração real =S
Voce é ótimo!
Quero mais Ana =*

Bárbara Cecília disse...

tenhu msm q comentar algu? haha
perfeito!

Anônimo disse...

AMEI
"Eu trabalhei muitos anos em Veneza, no baile de máscaras, pondo máscaras nos meus sentimentos, ou melhor, no meu sentimento, no único. O único sentimento que sentia até hoje foi um lindo amor platônico mascarado..."

Sou xonas pelo baile de máscara ~de Veneza :~~

P.S.: Ana Anita ótimaaa!! :~)

Anônimo disse...

quando eu penso que a Anita tá falando de uma coisa, ela tá falando de outra...
fico tão confusa! O.o
isso é tão bom! :D

o//

Walmick Campos disse...

fazia tempo q n postava, heim...
bonito texto, mas achei longo e me perdim um cadim, hehehe...

mas é aquela coisa, amor platônico é complicado por conta do medo de ser descoberto, se não, ele seria menos sofrido. eu acho.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

“Cheguei à conclusão de que, quanto mais se tenta entender algo, mais há para se entender.”


“...Então, tudo me leva a crer que o desconhecido ... é o próprio conhecimento que precisamos ter, porque podemos viver o que acreditamos que possa ser; eu bem melhor do que sou, e você bem melhor do que é, aprendendo com nossas riquezas e nossas pobrezas, e encerrando ciclos com nossas pseudo certezas!”