
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
A Vó e o Copo

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Eletrocardiograma
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Os Sobreviventes

E quando chega, chega de uma vez, não há quem segure. Aquele bolo de emoções entaladas bem no meio do peito, não necessariamente do lado esquerdo, fazendo o gosto da saliva mudar, a serenidade resvalar e o cheiro do ar penetrar as entranhas de uma forma completamente não convencional, como se o fôlego fosse acabar. Mas não se preocupe, eu posso até tomar uma medida drástica, não tão drástica quanto continuar, pois amor só sobrou, o amor soçobrou e não há nada mais autodestrutivo do que insistir sem fé nenhuma.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Uma Coisa Verdadeira e Sumarenta

terça-feira, 22 de novembro de 2011
Recordo-me Agora

Recordo-me agora de como aquela sensação me compensava. Eu já te avistava, puxando a blusa, sempre no mesmo local e as mãos inexplicavelmente trêmulas, para que ela descolasse do corpo, eu sabia bem, típico dos traumas da infância e adolescência, esteio de algo improvável em uma idade mais improvável ainda, era sempre duas puxadinhas, vindo em minha direção, o olhar neurótico em lugar algum. Um andar peculiar, meio cambaleante da vida, havia sofrido demais, engraçado e apressado, seu. Eu dava um sorrisinho só meu, de satisfação, que você nunca chegara a ver. Era o meu dia mais feliz da semana, cansado ou não, era quando as ligações teriam fim e, de fato, outro tipo de ligação se iniciaria; eu teria você comigo. Adentrava, batia a porta forte, como sempre, não me olhava muito. Lugar proibido de carinho, aquele. Parece que toda a nossa relação me passava frente aos olhos naquele seu caminhar em minha direção eu lembrava de todos os seus problemas os nossos seus do quão difícil foi sua vida e você não fazia ideia de que eu tentava entender aquilo converter-me e moldar-me e do medo que me dava por você ter sido tão forte e ter sido tão marcado e eu regozijava por você estar traindo você mesmo ao me amar disso eu nunca tive dúvidas sentado com uma amiga noutro dia comentei da intensidade disso e de como nunca havia faltado durante todo o tempo juntos faltado não mas sobrado sempre transbordado de um jeito ou de outro; amor nunca havia faltado. Colocava a mão esquerda no meu joelho direito, balançava-o levemente, dava aquele apaixonante gritinho solavancado e, logo então, vinha a fatídica pergunta. Você nunca soube do meu caso de amor e ódio com essa pergunta. Em dias, rezava para que você não a fizesse, achava chata, repetitiva. Em outros, ela era você, ela era o seu território, era você avisando que chegou, mais uma vez. As peripécias do cotidiano faziam-me não ser tão regular quanto a sua pergunta já reificada. “E aí, tudo bem com você?”! Ela era invariável. Às vezes, vinha acompanhada de um vocativo, muitos, só você soube me dar os melhores vocativos; os amava tanto que ouvir meu nome sair da sua boca me doía. Eles tornaram-se tão preclaros que os nossos passaram a esquecer nossos nomes comuns e a fazerem uso deles quando queriam nossa atenção. Que prazer isso me dava! Dava-me um beijo no ombro, puxava minha mão, encaixe perfeito do grande e do pequeno, a beijava também, me dando aquela lição de como ser carinhoso de verdade. Só então você colocava o cinto. E você nem imaginava que o seu metodismo um dia me marcaria, direcionamento de todo o sofrimento de uma vida, que chegou a nos fazer discutir tanto, amiúde, eu não conseguia entender que era você tentando apagar as marcas dos períodos difíceis. Comum era estar tocando aquela música, propositadamente, que virou nossa, daquele meu CD repetitivo, da minha banda preferida, sempre ele. Você a reconhecia e já começava a reger, com a mão direita, na melodia perfeita de quem entendia de ritmo, de quem sabia, de verdade, sentir as nuanças de uma música. E a gente cantava junto. Suficiente para chegarmos à esquina.
Muitas perguntas precisam ainda ser feitas.. [continua]
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Pobre esperança a de existir somente, antes que tudo em tudo se transforme.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Do que sei do mosaico

Pouco sei do que um conflito dessa magnitude significa. A priori, subestimei e balizei prazo de validade. Ledo engano. A vida já me surpreendera demais em momentos outros, quando eu achava que já a compreendia por completo. A estabilidade emocional torna-se algo incipiente que a melhor saída é entorpecer-se e utilizar-se disso como o mais bobo dos refúgios momentâneos. Certamente, deixar doer também é uma forma de fazer isso ter lugar, de fingir que nada acontece. Deixar doer tem significado interditar o que de ruim venho sentindo e perceber que meus olhos ainda brilham, que eu ainda fantasio, que só tem você no meu gramado verde, que você ainda se veste de branco.
Queria mesmo entender porque ainda dói. O meu conflito, quero crer, vem de toda essa fantasia, que deveria estar interdita. Você é uma palavra interdita. Você me magoou e foi embora, você. Você me pisa tacitamente nessa guerra fria diária. Você tem me surpreendido com sua nova forma de agir. Eu fecho os olhos, olho nos teus e já não te vejo e eu choro você. Você foi procurar você peças faltantes, enquanto eu fiquei juntando as que me restaram de você. Você tem sido o meu objeto de devaneios literários, onde eu me permito ser, onde eu não me interdito você. E, depois, eu me culpo você por não me sentir o ódio de antes, por olvidar os momentos de amargura extrema e você fazer-me recitar um poema tolo. Nem sei qual seria o seu sorriso de me ver ler e tremer você num poema. Nem sei como fazer você ver que eu li você-poema. Começo a sentir vergonha de fazer você bater, se eu nem sei se bato aí dentro. O amor é proibido e você nem sabe, você, por quê.
sábado, 8 de outubro de 2011
Marcha

Tem me sido uma das dores mais estranhas deitar a cabeça no travesseiro, antes de estar entregue ao sono, e me perguntar por que você me devastou. A ligeireza das imagens me faz conseguir pensar em tudo despropositadamente. Descomedidamente. Eu me via quebrando as formas do sono com a ideia de movimento, rápido e contínuo; eu não dormiria. Não dormiria por dez minutos, após um cansativo dia, tempo esse reservado para agrupar, para fazer tudo voltar à mente e me questionar, sentir a usual dor da cabeça ao travesseiro, rompendo por sobre a beleza de um monte que parecia inquebrantável. Pesado e sofrido. Carinhoso e rude. Afável e voraz. Sensato e insensato.
Entre nós dois anda o mundo, tristinho, esperando por mais uma ironia, de te colocar na minha frente, descomedidamente. Arregalo as pupilas e já nem faço ideia de qual de nós dois anda morto, as mentiras trazidas de pessoas em sofrimento. A hora que ando à toa é quando a cabeça está lá ao travesseiro, desarmado e o coração esboroado; no fundo do poço, ódio e inércia. É como se eu precisasse zerar os pensamentos do dia pra conseguir dormir tranquilo, então fico, por minutos, pensando naquela dor, deixando ela me machucar um pouco mais. Mal tão necessário para uma noite de sono minimamente honesta. É, justamente, naquela hora que ninguém me diz para abstrair, ninguém me aconselha, muito menos segura minha mão. Sou eu ali, lembrando de você, comigo mesmo, memórias frescas permeando uma dor profunda, sentido o gosto das palavras pelo sabor que te dera. Elas não foram amargas só pra você, é tudo que tenho. Eu que seguro a sua mão agora, ora aperto, ora afago.
Quando fecho os olhos, penso no teu rosto, me repito o não mais tantas vezes, mas tenho visto tanta coisa. Agora eu fecho os olhos de saudade, as minhas palavras em riste arrefecem, o meu coração saltita, eu vejo coisas brancas, grama verde. Eu me permito os sonhos claros que invento. O contentamento tem se perdido dentro de mim, é tudo que me permito dizer agora. Sei que o travesseiro encerra algo indescritivelmente permissivo. Ele me permite ser tão bobinho. Eu posso, lá, confessar o meu jeitinho, entregar a alma e deixar os olhos. Quando eu bloqueio essa permissão, me vem a agonia. O sono vem se arrastando pelo chão, a maturidade e a dor vem correndo pra me tirar de lá e mostrar o que realmente é. Consentimento. Eu queria mesmo poder cortar suas asas, te fazer caminhar pelo mesmo caminho que venho andado perdido. Perdido que só eu. Que só. O que eu mais queria era encostar minha testa no teu ombro e deixar as lágrimas caírem de novo. E eu só posso te pedir isso quando deito minha cabeça no travesseiro. Há lágrimas e gritos, e tudo tem mesmo que acabar?
Pequeno
sábado, 30 de julho de 2011
Do peso do mundo.

Disseram-me e eu relutara em acreditar. Avisaram-me e eu debochara. Choraram-me e eu consolara, mesmo sem acreditar. E agora as lágrimas correm loucas, uma atrás da outra, sem a menor compaixão. Correm tentando expurgar o que vai me entorpecer por muito tempo. Sai aquele ar seco, aquele grito surdo, a aflição presa ao meio e as lágrimas, molhando, a pele sem vida alguma. Um retrato que eu não gostaria que ninguém jamais apreciasse, pintado de dor e arrependimento por, um dia, ter conseguido diminuir tal sentimento de um ser que sofria. E a vida me ensinava.
Pois eu gostaria de aprender sozinho, então, agora mesmo, sem que ninguém debochasse da minha dor, sem nenhum ombro. Não queria que ninguém a aumentasse ou o contrário. Deixe-me senti-la como ela se apresenta. Assim, fresca, recente e pungente.
Paro por alguns momentos só para vê-la apertar o peito, fazer doer a cabeça, roer o estômago, secar a boca, avermelhar o nariz e molhar os olhos. Toda a compaixão que um dia neguei veio-me agora completa, ao contrário das lágrimas, a parte de mim impassível, que só caíam, sujavam meus óculos e turvavam-me a vista. Confesso que elas estão bem mais contidas que muitas que já vi, e não foram poucas. Mas elas têm o seu sabor, o seu sabor. O sabor do acúmulo, da inexperiência, do sal. E elas vêm. Muitas, muitas, muitas. Molhando, molhando, molhando. Turvando até o ponto de eu não conseguir escrever.

