sábado, 30 de julho de 2011

Do peso do mundo.


Disseram-me e eu relutara em acreditar. Avisaram-me e eu debochara. Choraram-me e eu consolara, mesmo sem acreditar. E agora as lágrimas correm loucas, uma atrás da outra, sem a menor compaixão. Correm tentando expurgar o que vai me entorpecer por muito tempo. Sai aquele ar seco, aquele grito surdo, a aflição presa ao meio e as lágrimas, molhando, a pele sem vida alguma. Um retrato que eu não gostaria que ninguém jamais apreciasse, pintado de dor e arrependimento por, um dia, ter conseguido diminuir tal sentimento de um ser que sofria. E a vida me ensinava.

Pois eu gostaria de aprender sozinho, então, agora mesmo, sem que ninguém debochasse da minha dor, sem nenhum ombro. Não queria que ninguém a aumentasse ou o contrário. Deixe-me senti-la como ela se apresenta. Assim, fresca, recente e pungente.

Paro por alguns momentos só para vê-la apertar o peito, fazer doer a cabeça, roer o estômago, secar a boca, avermelhar o nariz e molhar os olhos. Toda a compaixão que um dia neguei veio-me agora completa, ao contrário das lágrimas, a parte de mim impassível, que só caíam, sujavam meus óculos e turvavam-me a vista. Confesso que elas estão bem mais contidas que muitas que já vi, e não foram poucas. Mas elas têm o seu sabor, o seu sabor. O sabor do acúmulo, da inexperiência, do sal. E elas vêm. Muitas, muitas, muitas. Molhando, molhando, molhando. Turvando até o ponto de eu não conseguir escrever.

4 comentários:

Walmick Campos disse...

=)

Anônimo disse...

"o meu melhor tempo, e a minha saudade de sempre". Te amo.

| A.Luiz.D | disse...

É Breve, o entendimento despertará aos poucos dia-a-dia amigo. Descreveu perfeitamente algo similar há um tempo. O interessante é que hoje me sinto renovado, não é convidativo passar por tal situação, mas é necessário observar. Agradeço ao universo por essa riqueza espiritual consciente em que me encontro hoje. Fui observador no aprendizado, sem me marcar ou culpar-me.

O necessário é breve, após um pequeno feedback o seu carater será altamente edificado. O reconhecimento é seu, de mais ninguém.

abraço

Priscila Siebra disse...

Viver a dor nos ensina muito, mas é sempre bom ter um cuidado para não viver na dor. Não digo para se proteger da dor, para não sofrer, mas não deixar que o prazer seja sofrer.

:*