
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Uma Coisa Verdadeira e Sumarenta

terça-feira, 22 de novembro de 2011
Recordo-me Agora

Recordo-me agora de como aquela sensação me compensava. Eu já te avistava, puxando a blusa, sempre no mesmo local e as mãos inexplicavelmente trêmulas, para que ela descolasse do corpo, eu sabia bem, típico dos traumas da infância e adolescência, esteio de algo improvável em uma idade mais improvável ainda, era sempre duas puxadinhas, vindo em minha direção, o olhar neurótico em lugar algum. Um andar peculiar, meio cambaleante da vida, havia sofrido demais, engraçado e apressado, seu. Eu dava um sorrisinho só meu, de satisfação, que você nunca chegara a ver. Era o meu dia mais feliz da semana, cansado ou não, era quando as ligações teriam fim e, de fato, outro tipo de ligação se iniciaria; eu teria você comigo. Adentrava, batia a porta forte, como sempre, não me olhava muito. Lugar proibido de carinho, aquele. Parece que toda a nossa relação me passava frente aos olhos naquele seu caminhar em minha direção eu lembrava de todos os seus problemas os nossos seus do quão difícil foi sua vida e você não fazia ideia de que eu tentava entender aquilo converter-me e moldar-me e do medo que me dava por você ter sido tão forte e ter sido tão marcado e eu regozijava por você estar traindo você mesmo ao me amar disso eu nunca tive dúvidas sentado com uma amiga noutro dia comentei da intensidade disso e de como nunca havia faltado durante todo o tempo juntos faltado não mas sobrado sempre transbordado de um jeito ou de outro; amor nunca havia faltado. Colocava a mão esquerda no meu joelho direito, balançava-o levemente, dava aquele apaixonante gritinho solavancado e, logo então, vinha a fatídica pergunta. Você nunca soube do meu caso de amor e ódio com essa pergunta. Em dias, rezava para que você não a fizesse, achava chata, repetitiva. Em outros, ela era você, ela era o seu território, era você avisando que chegou, mais uma vez. As peripécias do cotidiano faziam-me não ser tão regular quanto a sua pergunta já reificada. “E aí, tudo bem com você?”! Ela era invariável. Às vezes, vinha acompanhada de um vocativo, muitos, só você soube me dar os melhores vocativos; os amava tanto que ouvir meu nome sair da sua boca me doía. Eles tornaram-se tão preclaros que os nossos passaram a esquecer nossos nomes comuns e a fazerem uso deles quando queriam nossa atenção. Que prazer isso me dava! Dava-me um beijo no ombro, puxava minha mão, encaixe perfeito do grande e do pequeno, a beijava também, me dando aquela lição de como ser carinhoso de verdade. Só então você colocava o cinto. E você nem imaginava que o seu metodismo um dia me marcaria, direcionamento de todo o sofrimento de uma vida, que chegou a nos fazer discutir tanto, amiúde, eu não conseguia entender que era você tentando apagar as marcas dos períodos difíceis. Comum era estar tocando aquela música, propositadamente, que virou nossa, daquele meu CD repetitivo, da minha banda preferida, sempre ele. Você a reconhecia e já começava a reger, com a mão direita, na melodia perfeita de quem entendia de ritmo, de quem sabia, de verdade, sentir as nuanças de uma música. E a gente cantava junto. Suficiente para chegarmos à esquina.
Muitas perguntas precisam ainda ser feitas.. [continua]
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Pobre esperança a de existir somente, antes que tudo em tudo se transforme.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Do que sei do mosaico

Pouco sei do que um conflito dessa magnitude significa. A priori, subestimei e balizei prazo de validade. Ledo engano. A vida já me surpreendera demais em momentos outros, quando eu achava que já a compreendia por completo. A estabilidade emocional torna-se algo incipiente que a melhor saída é entorpecer-se e utilizar-se disso como o mais bobo dos refúgios momentâneos. Certamente, deixar doer também é uma forma de fazer isso ter lugar, de fingir que nada acontece. Deixar doer tem significado interditar o que de ruim venho sentindo e perceber que meus olhos ainda brilham, que eu ainda fantasio, que só tem você no meu gramado verde, que você ainda se veste de branco.
Queria mesmo entender porque ainda dói. O meu conflito, quero crer, vem de toda essa fantasia, que deveria estar interdita. Você é uma palavra interdita. Você me magoou e foi embora, você. Você me pisa tacitamente nessa guerra fria diária. Você tem me surpreendido com sua nova forma de agir. Eu fecho os olhos, olho nos teus e já não te vejo e eu choro você. Você foi procurar você peças faltantes, enquanto eu fiquei juntando as que me restaram de você. Você tem sido o meu objeto de devaneios literários, onde eu me permito ser, onde eu não me interdito você. E, depois, eu me culpo você por não me sentir o ódio de antes, por olvidar os momentos de amargura extrema e você fazer-me recitar um poema tolo. Nem sei qual seria o seu sorriso de me ver ler e tremer você num poema. Nem sei como fazer você ver que eu li você-poema. Começo a sentir vergonha de fazer você bater, se eu nem sei se bato aí dentro. O amor é proibido e você nem sabe, você, por quê.
