sábado, 13 de dezembro de 2008

Hoje e amanhã.


Oi, eu sou Ana Anita e tenho um amor platônico. Eu devo isso ao querido Platão, que viveu na Grécia antiga e teve a felicidade de proferir que o amor espiritual é mais importante que o amor carnal. De acordo com ele, o amor tem uma função de possibilitar um crescimento espiritual por meio de uma relação saudável entre pessoas que têm os mesmos objetivos e projetos. Bem, de acordo com a teoria dele, a visão que se tem, atualmente, de amor platônico é errada. Amor platônico não é aquele em que a relação é totalmente impossível e a outra pessoa não sabe que é amada. O amor platônico, para ele, é a metade da laranja, é a tampa da panela, é a alma-gêmea. Como um conceito pôde tornar-se o oposto do seu signifcado? Acho que foram os anos. É, estamos extremamente distantes da Grécia antiga, e de Platão, assim como um amor platônico é distante de você. Se é por isso ou não, não importa.
Mas e agora? Como vou chamar o meu amor? Acho que prefiro o sentido atual da palavra.
Eu estou apaixonada. Ou melhor, eu amo. Acho que paixão é um sentimento mais carnal, momentâneo, visual. O meu não, é espiritual, é intelectual, é suspirante, é puro. Eu sinto-me devota de um Deus mortal. Eu sou/estou como um vulcão inativo: tem muito a oferecer, mas está sem atividade. Eu não sei se entrarei em erupção, pois isso depende da natureza e não de mim. Bem que eu queria! Mas meu sentimento me completa tanto, é tão bonito, me conforta tanto, é tão puro, me faz tão bem, é tão verdadeiro, que, se ele não me quiser, eu continuarei amando sem sofrer. Não sei se um dia passará. Eu não quero que passe. Eu estou feliz. Eu só quero continuar vivendo e sentido esse sentimento que nasceu dentro de mim. Como é bom morrer de amor e continuar vivendo!
Eu acredito veementemente que as pessoas despertam-se. É, eu olho para você, e, só com isso, você me desperta coisas boas. Eu não sei se eu te desperto algo bom, mas eu nem me importo. O meu sentimento não depende do seu. Eu sou muito individualista. Meu amor é tão lindo que eu não sei se queria dividir ele com você. Se você quer amar, que sinta o seu, pois o meu é meu. Eu sinto-me viva por causa desse amor e não acho justo dividi-lo com ninguém, nem com o amado. Eu não vou viver o seu amor. E, completando, eu duvido muito que alguém venha a sentir um amor que possa, ao menos, assemelhar-se ao meu. É algo tão forte que o meu vocabulário não consegue exprimir em palavras. Mas nem precisa, do jeito que o mundo é cheio de inveja, não preciso de ninguém querendo roubá-lo de mim ou tentando conquistar-me para eu não sentir mais coisas tão perfeitas pelo meu amado.
-Ana Anita, por que você escreve tanto, minha filha?
-Ah, mamãe, eu tento, inutilmente, colocar no papel o que se passa dentro de mim, mas nem consigo.
-Você tá apaixonada, filha?
-Não, mãe.
-Tá triste?
-Não.
-E o que tanto você quer escrever?
-Eu amo, mamãe, eu amo. (pausa de 40 segundos) Você já amou?
-Sim, meu amor, eu amo seu pai, amo você, amo seu irmão.
-Duvido que chegue perto do meu amor pelo meu amado.
-AHAHAHAHA, como você é audaciosa, querida.
-Quer apostar? O mel tão clichê das minhas linhas românticas e avassaladoras jamais expressarão o que é um coração feliz. Eu tenho certeza de que ele está eternizado dentro de mim. É algo que não entra em latência.
-Estou começando a ficar preocupada.
-Preocupar-se com o quê? Triste seria se eu não sentisse amor, se eu fosse vazia. Sinto-me tão completa que, acho eu, que a senhora deveria sentir-se feliz por mim, e torcer para isso nunca passar.
-Mas você não disse que estava eternizado? E por que o medo de que passe?
-Não é medo de o sentimento passar, não é isso. Quando eu digo para torcer para algo não passar, sou eu. Eu não posso passar. Já pensou se eu morro e não sinto mais isso?

É uma pena que o meu sentimento só tenha visto o seu causador apenas uma vez.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Voltar a ser.


-Eu nem acho.
-A gente vem discordando bastante ultimamente.
-Deve ser porque você está muito denso.
-Eu sou denso.
-É, isso eu sei, mas você está levando sua densidade para um lado ruim.
-Estou?
-Não se faça de idiota.
-Não tô entendendo, juro. Oo
-Então, tá. Deixa pra lá.
-Agora você vai falar..
-Olha, sinceramente? O que você acha que está fazendo com a sua vida? Sério! Você sofreu, você foi magoado, você foi despedaçado. O término do seu namoro te estraçalhou inteiro. Você finge para você mesmo que isso está superado. Você quer enganar-se. Por que você quer fingir que não sofre mais? Tá, eu entendo que você pode nem saber disso, afinal, já faz algum tempo, mas daí a enlouquecer? É, é isso que está acontecendo com você. Você está tornando-se efêmero. Você está jogando fora o que a vida está colocando diante de seus olhos. As pessoas tornaram-se válvulas de escape, aonde elas perdem o valor e apenas servem para sanar uma vontade momentânea sua. É isso que você está sendo, um momento. Eu sei sim o que é apaixonar-se por uma pessoa e ela, por uma insanidade, por um devaneio, por uma mera loucura, dizer que não te quer mais. Mas você não pode usar isso para acabar com você mesmo. É, é, é, é! As pessoas que você está magoando, realmente, são afetadas, mas não como você. E o pior, sem você perceber. Você está em um processo autodestrutivo. Por que você não busca vazão nos amigos? Por que você não sai e apenas extravasa a mágoa que mora aí dentro? Eu sei que não é por mal, eu sinto que não é. Eu sei que você está fazendo isso involuntariamente. Você é uma pessoa boa. Mas você está transformando isso em cinismo. A sua bondade está sendo apenas uma ponte para você conseguir o que quer. Depois daí, o objeto, que você chama de pessoa, não vale mais nada. Posso estar exagerando, mas eu preciso dimensionar o que se passa com você. Não pense você que está me enganando com essa sua cara de pé no chão, de seguro, de inteligente e de sabedor das dores e dos sentimentos alheios. Você vai mesmo deixar que apenas uma pessoa destrua o ser íntegro que você construiu durante esses 23 anos de vida? Pare, pense, reflita! Pare de negar a você mesmo.
-Quem é você para estar me dizendo isso? Como você sabe que sou íntegro, que sou magoado, que sou isso, que sou aquilo, você mal me conhece.
-Posso ser precipitado ao dizer isso, mas é o que eu sinto. E, por falar em sentir, tudo isso que eu disse não depende de tempo, é sentir, simplesmente, sentir. Eu só te peço isso: que você pare, olhe para trás e veja se essas suas atitudes são as mesmas do passado. Eu não te conheci no passado, mas eu sinto essência, eu vejo o bem, eu olho o altruísmo em sua volta, por mais que essa casca calhorda esteja rodeando-no. Peço perdão pelas minhas palavras, mas não consigo ser metade. Não consigo ser não-intenso. Como você, sou denso. Você pode estar achando tudo isso papinho, bobagem, mas eu sei, EU SEI, que você vai chegar em casa e pensar. Disso eu não tenho dúvidas! É por isso que ainda vale falar. Eu quero alguém bom que eu sei que existe aí dentro. A bondade fascina, encanta, cega. As pessoas não serão mais pequenas para você e nem você será pequeno. Você não pode permitir que uma pessoa te cause uma dor dessa, você é maior que isso. Não quero começar o momento auto-ajuda. Se você quer mesmo amar, olhe para a frente ou olhe para os lados.
-Eu não consigo entender o porquê de você estar me dizendo tudo isso.
-Porque o que me encantou foi o lado bom. Quando eu deparei-me com o lado ruim, eu me assustei e corri.
-Mas eu que te pus para correr..
-Tá vendo como estou certo?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Alô?


Por que as pessoas são tão impulsivas? É uma ordem: quanto mais intensa, mais impulsiva. É tão difícil quando você não tem o controle sobre suas próprias emoções. Você programa algo, conscientiza-se de que é o certo a se fazer, não mudará jamais, lembra de todos os motivos pelos quais você está fazendo isso, mas, mas, mas, quando chega a hora, você segue o afã do momento, você desiste, você acha que vai dar certo, você passa por cima de todos os seus princípios, de tudo que você acredita. Você faz isso na esperança de que toda a teoria seja jogada no lixo e que você possa provar a qualquer teórico que arriscar ainda vale. Eu pergunto-me até que ponto a sua estabilidade emocional pode ser colocada em xeque em troca de uma mera tentativa que em 99,99% das vezes dão erradas. Concluo: não vale. Escrevo com todas as letras e repito: NÃO VALE. Se você acha que vale, tá, escolha sua.
Agora vou convencer você. Posso? Você vem caminhando pela rua. Como todo apaixonado, vai com a cabeça no infinito, pensa em tudo, menos no chão à sua frente. Você lembra do último beijo(ou não, porque muitas pessoas nem tiveram a chance de dar um beijo), lembra dos momentos mais bonitos, mais calmos, mais românticos. Faz planos para o futuro, imagina cenas que ocorreriam, vocês dois sozinhos sentados na areia, olhando para o mar, 00:00h. O vento forte, o cabelo todo para um lado. Não dá para ver muita coisa, está escuro, é noite. Como seria bom se isso acontecesse. Por que não ligar? Por que não tentar fazer esse momento acontecer? Por que não ligar pedindo para ficar junto? Por que não ligar, ir lá, correr atrás, mostrando que você quer e quer muito? Você é impulsivo, você vai pegar a porcaria do telefone e vai ligar. Vai, tem certeza? É o cão dizendo para ligar e o anjo dizendo para não ligar. Mas, como você é um bobo apaixonado, você pensa: por que não é o anjo que manda eu ligar e o capeta manda eu não ligar? Isso é coisa de gente boba. Como você é, um bobo. Você não consegue ver que se o amor fosse recíproco não tinha um porquê de vocês estarem separados? Acorde para a sua vida e veja que ela está passando. E você? Está aí, esperando por alguma coisa irreal, abstrata, que só vem da sua parte e que jamais vai ser recíproca de novo. Não adianta alimentar que um dia você estará lindo, bem vestido e cheiroso e isso despertará o amor do seu amor e vocês viverão esse lindo amor, meu amor.
Tá, o diabo venceu. Você ligou...
-Oi, tudo bem? (você tenta mostrar aquela voz descompromissada)
-Tudo. Como tá? Saudade de tu.
-Pois é, falar nisso, eu tava passando aqui perto, decidi te ligar, sei lá, te visitar..(você tenta mostrar indiferença pra não quebrar a cara logo)
-Huuuummmmm(bem demorado)..tá onde?
-Tô aqui perto, só te dar um beijo mesmo, faz tanto tempo que a gente não conversa, é rápido. (começa o momento humilhação-eu-não-tenho-valor)
-ôôô, é porque eu tô tão bem deitado vendo TV, a preguiça me corroendo...
-Afffff, acorde, o sol tá lindo(você já está na merda), tô chegando aí. (alcançou o cúmulo do desespero, até cara-de-pau virou)
-Não, vem não..*voz meiga* (toma, otário)
-Ahhh, tá bom, então. Olhe, depois não diga que eu não tentei, viu..fica aí com essa de saudade e num sei o quê..(gente, qual é a tua? SE TOCA)
- HAHHAHAHAHAHAHA

Bem, esse foi o meu argumento para convencer você. E pergunto: você quer se ver nessa situação? Vamos, acorde, você é maior. A sua estabilidade não vale essa situação. ALÔ, acorde, você é grande, seja firme.

domingo, 23 de novembro de 2008

Olho intermitente.


Hoje eu chorei. Depois de 368 dias, eu chorei. Eu tive de fazer força para lembrar o último dia em que eu havia expurgado lágrimas. Expurgo, é, é isso que as lágrimas são para mim. Elas só saem quando algo realmente me despedaça. Eu não sei se isso é bom: ser forte, não chorar. Eu não chorei como o último choro. Eu não sei se posso comparar os dois. Foram momentos tão diferentes.
No último, eu era uma pessoa em forma de criança totalmente surrada, uma criança que havia apanhado, apanhado muito. A vida me bateu sem pena e eu não sabia o por quê. Eu não sabia o que tinha feito para merecer aquilo. Tantas pessoas queridas presenciaram meu choro. Em pleno domingo, em pleno shopping center, em pleno sofrimento. Eles passavam a mão em minha cabeça. "Vai passar". Só eu sabia que não ia passar tão cedo, e não passou. Até hoje eu tento enganar-me, deixar aquele motivo no subconsciente, fazer parecer superado, mas não está. Quem me conhece sabe que não está. Aquele choro não parava, eu pensava no tanto de pessoas que eu havia decepcionado. Minha mãe, meus amigos, eu mesmo. Eu lutei, lutei para passar, mas não fui suficiente. Até hoje me engano: não era a minha hora. Não sei até que ponto acredito nisso.
No choro de hoje, bem, o choro de hoje...o que foi isso? Eu não sei explicar exatamente o que se passou comigo. Eu acho que é uma das poucas vezes em que não consigo expressar o que sinto através de palavras. Vocês estão sempre tão acostumados a verem-se aqui nos meus textos, a identificar-se, a procurar-se por aqui. É, mas a força com que conto, exprimo o que as pessoas sentem faltou, faltou para mim, quando eu mais preciso. O choro de hoje foi escondido, foi calado, foi sufocante. Ele não serviu em nada para aliviar minha dor, foi apenas água descendo dos olhos, veio a vontade e elas vieram à tona. O choro de hoje ninguém viu. Ninguém passou a mão na minha cabeça. Eu não sei se decepcionei alguém. Mas eu me decepcionei. É uma decepção que não adianta contar a ninguém, nenhuma palavra de conforto vai me ajudar. Eu sei que tenho grandes amigos que me ouviriam, que me aconselhariam, que me diriam que eu sou maior que isso, mas não adianta nada quando você não tem consciência. É o que eu sempre digo que antes de alguém dizer algo a você, você tem de acreditar nesse algo para que ele torne-se verdadeiro. E eu não posso ferir um princípio que prego, se ele vale pros meus amigos, vai valer pra mim, pois, se quero o bem deles, quero o meu também.
É incrível como eu tenho amor pelos meus amigos, mas eu via claro na minha frente que nem a companhia deles me aliviaria naquele momento. Eu me pergunto: Como pode isso? O que é isso? E o pior: eu sei as respostas. Mas faço questão de não encontrá-las. Talvez eu tenha medo de encontrar-me e comprovar que fui um incapaz, que não consegui controlar minhas emoções. Que eu fui inimigo de mim mesmo na maior de minhas batalhas. Eu acho que o estágio de insegurança intelectual foi superado. Agora é questão de não ser paupável. Sabe quando você quer realmente algo que você não vai tocar, não vai sentir? Você vê alguém que desfruta do que você mais queria no mundo, mas não sente inveja, porque é mais que isso: o seu desejo é irreal. Isso eu consigo expressar muito bem.
Eu senti tanto medo hoje, mas tanto, tanto, como eu nunca havia sentido antes. Eu senti medo de nunca poder ter o que eu realmente quero para mim. Eu senti medo de ser um incapaz pelo resto dos meus dias. E não é drama. É o medo da bola de neve apenas aumentar. A insegurança + o medo + a ansiedade + o nervosismo + o azar + as provações = meu coração e meu emocional despedaçados. Se você souber a diferença entre gostar e amar e se apaixonar, você me entenderá. Ah, as provações. Por que elas tem de existir? Eu acho que tenho passado por tantas. Às vezes, penso: se Deus existe(eu realmente acredito nisso), ele está fazendo um processo seletivo, e eu sou um dos candidatos. Tenho a certeza, também, de que às provas mais difíceis ele está me submetendo. E isso não é frescurinha e nem audácia de quem não sabe o que é sofrimento. Não julgue o que você realmente não conhece. As provações têm mostrado a mim que sou forte, que sou um ser superável, renovável, mas até que ponto eu posso superar meus limites? Pois, como o nome diz, existem limites e eu tenho os meus.
Estou num momento em que falar não adianta mais. Dizer que isso passa amanhã. Isso não passa amanhã, já teria passado. Eu não quero mais enganar-me. Ser incompleto não é ser traído, que um dia passa. Ser incompleto é faltar algo crucial para que seus dias tornem-se vívidos. E não quero saber daquela história: "por que você não consegue viver com a metade cheia do copo?". Você vive com essa metada quando a outra não é vital, não é visceral, não é primordial, não é você por inteiro e com todas as forças que você pode depositar em algo.
Eu sei que pessoas gostam de mim e que me querem ao lado, mas amar é entender e compreender que esse momento é um momento no qual eu preciso pensar.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Qual a boa de hoje?


Preguiça de viver. Foi como acordei hoje. É quando você tem preguiça de proferir até um não. De responder a pergunta mais boba. É, hoje limitei-me a falar de mim. Não quero contar os causos dos outros. Tenho esse direito, o blog é meu. Você acorda, abre o olho e faz a primeira pergunta do dia: "Qual será o sentido do meu dia hoje? O que eu vou fazer?". Quando se acorda assim, o dia será sem sentindo.
Todo mundo já quis sumir do mapa. Desaparecer. Ficar sem ver gente. Até quem adora gente(me incluo), sente essa estranha vontade. Estranha, mas perfeitamente normal. Sério, aposto que todos já tiveram seu dia de estrela em que pensaram: "Ninguém vai me encontrar, não darei notícias, não atenderei o celular, faltarei à aula, não irei àquele lugar que vou todos os dias e dormirei cedo, assim, essa crise passará logo." Isso, certas vezes, dura mais de um dia. Depende da sua estabilidade emocional.
Vegetar, fazer fotossíntese. Eu poderia resumir o que tive vontade de fazer hoje com isso. Você acha que todas as pessoas ao seu redor perdem a função, que todos os seus estudos até ali foram inúteis, que os segundos se arrastam, quase não formando os minutos, que a felicidade é algo extremamente distante e utópico. Nada consegue animar-te. As músicas tristes compõem a trilha sonora da incrível lida pela melancolia enfadante.
Você começa a fazer e a pensar tudo diferente. Você não está normal. Você não age como em seus dias normais. É postar no seu blog e não ter vontade de mandar o link para ninguém. É ter a irritante insônia empurrando a sua involuntária vontade de escrever. É parar de escrever as histórias com que as pessoas tanto se identificam e sempre te combram, achando que você falou delas. É ter vontade de falar de você, sem se importar se o texto vai agradar. É estar mal-humorado, abusado, chato e ignorante. A paciência vai diminuindo ainda mais com o arrastar do tempo.

"Vivo tão intensamente o momento presente
que quase chego atrasada ao momento seguinte."


Esse poema nunca foi tão mentira. Na verdade, no momento, eu não vivo nada, eu nem sei se vivo. Muito menos intensamente. E será que eu vou chegar ao momento seguinte? Bem, eu sei que isso vai passar, mas, enquanto você "vive", você acha que é eterno, que aquele marasmo não vai passar, que você é inerte. Você se pergunta quais as razões para você existir. Qual a sua colaboração para o mundo? Ao chegar no famigerado juízo final, o que você terá para contar como pontos positivos para sua entrada no paraíso? Quando você está assim, você acha que São Pedro olhará para sua cara cansada e dirá: "Volte, vá viver, depois venha e fale comigo." Você desce, olha para trás e vê que, de forma alguma, você pode deixar o mundo sem sua bonita contribuição. É nessa hora que você abre os olhos novamente, é, é um novo dia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esquecer-te-ei..


Você já tentou esquecer alguém que você gosta? Júlia tentou ou tenta. Na verdade, ela está confusa. Ela não sabe onde começa a vontade do fio de esperança permanecer vivo e onde termina o desejo de esquecer alguém que não merece um décimo do bonito sentimento alimentado por ela. Todas as ações de Júlia são dúbias. A confusão faz as atitudes dela serem portadoras de duas vertentes, sempre. Ela decide: não ligarei mais, não mandarei mais mensagem. A interpretação óbvia é: Júlia quer esquecer e, por isso, a distância é a melhor forma de isso acontecer. Mas nas apaixonantes entrelinhas dos pensamentos de Júlia está a esperançosa interpretação: a distância chama a saudade, a saudade chama o querer, o querer é o estar junto, logo, saberei se sou sentida, se sou saudosa, se faço falta, se aquilo não foi apenas um devaneio. Resumindo: ela pára de ligar para tentar esquecer, mas o que ela quer mesmo é se fazer distante, ver o seu orgulho pulsar, inflar o seu ego e conquistar novamente.
Não cabe a mim condenar o sentimento de Júlia. Não cabe a mim condenar ninguém. Certa vez, certo alguém proferiu, sem saber, que mudaria meu pensamento dali em diante: "Sabe-se lá o que se passa na cabeça da pessoa. A gente não pode ficar supondo, não se sabe o que se passa lá dentro. Vai saber o que fulano pensou na hora de fazer isso, pelo que estava passando, quais as circunstâncias em que aquilo se deu, cara, quem garante que ele fez isso pensando naquilo?". Você consegue enxergar o peso disso? Eu enxerguei e, a partir daí, deixei Júlia pensar o que quisesse. Afinal, saberei, eu, como ela se sente?
É tanta confusão numa só cabeça que a decisão de agora tornar-se-á incerta em pouco tempo. Ela sabe que a vontade que se sobressai é a de esquecer, pois não se deve realmente investir em algo que não terá futuro. Mas há algo que faz com que ela pare. É o sentimento bonito que, por mais que a faça sofrer, desperta coisas boas nela. E foi isso que fez com que ela ficasse encantada, ela despertava coisas bonitas em alguém, que não via o tempo passar do lado dela. Não foi o fato, apenas, de ela sentir-se especial que a fez ficar encatada e sim, também, o fato de ela ser despertada, dia após dia, ver as coisas bonitas desabrocharem, as armas serem guardadas e o tremor das pernas te fazer vibrar de emoção.
Tinha horas do dia em que Júlia se via pensando em como seria bonito se aquilo tudo tivesse continuado, o quanto tempo duraria. Mas a única certeza que ela tinha mesmo era que seria bonito. Isso independia do que se passasse na cabeça dela, ela afirmava sem medo. Sabia também que não dependia apenas dela. E isso era bom, que, por mais que o sentimento dela sustentasse muita coisa, amar sozinha é ser completa, mas quem quer ser completo quando se tem alguém para dividir o que há de mais bonito despertando de você?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Permitir-se.


Venho acordando meio paradoxal. Não sei o que isso significa, sabe? Ou sei. Bem, é paradoxal mesmo. Eu sei a explicação para algumas coisas, mas não sei como fazer com que essas coisas parem ou não quero que elas parem. Eu venho me permitindo ultimamente. Permitir-se significa deixar as coisas fluirem, ser você mesmo, ser mais que uma atitude, é ser um ato mais um sentido. Pois é, venho realizando isso com tanto sucesso, com tanta maestria.
Não importa quem você é, mas que seja você mesmo. Bem, esse negócio de ser você mesmo é meio complicado. Isso não depende só de você. Certas vezes, quando você quer ser o que você é, as pessoas não permitem, elas te querem em outro ângulo. Sabe o que isso significa? Significa censura, pressão, tensão. Elas querem algo de você que você não pode dar. Elas querem ouvir o que elas querem e não o que você tem a dizer. Por isso, você nem sempre é você mesmo, muito menos eu. Tão seguro, tão inseguro, tão forte, tão fraco, tão sensível, tão insensível, tão atencioso, tão indiferente, tão diferente, tão normal, tão, mas tão paradoxal.
O que você e eu devemos fazer é cortar as árvores mais altas da nossa floresta, pois elas fazem sombra, elas obscurecem o ambiente. Essas árvores podem até enfeitar, mas, quando o dia está nublado, elas fazem questão de continuarem lá, fazendo sombra. São incapazes de levantar um pouco certo galho para poder o feixezinho mínimo de luz passar por ela e te atingir, a planta pequena, a gramínea. Esta pode ser pisada até pela formiga, mas nunca é esmagada, está sempre lá. Eu adoro as gramíneas. Nunca gostei de altura mesmo. Eu sinto um embrulho no estômago quando estou alto demais. Deve ser por, lá no alto, não podermos nos permitir tanto. Mas, sinceramente, eu não acho que as árvores altas sejam assim por serem altas e sim deve ser algo do qual elas se alimentam. É, da essência.
Eu não sei mais o que escrever aqui. Será que me bloquearam tanto ao ponto de eu vetar até minhas tão aliviadoras palavras?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O amor é feio.


Hoje acordei forte, centrado, intenso. Você já acordou assim? É saber que, aconteça o que acontecer, você continuará intenso, centrado e forte. Só consigo ver coisas boas nas coisas ruins quando acordo dessa maneira. Por que é tão difícil cultivar o amor-próprio? Você já achou que a sua vida só teria sentido se certo alguém existisse? E, depois que esse amor passou, você pensou "Como eu poderia ter pensado daquela maneira? Quem é essa pessoa pra mim hoje?". Sinceramente, o que falta nas pessoas é pé no chão, é realismo, é capacidade de desvincular sua vida de um outro ser. Tudo na vida é passageiro, exceto você. Você acompanhará você pro resto da sua existência. Quando você morrer, seu amor por alguém morre junto. Sua personalidade deixa de existir, só ficarão lembranças.
O melhor de amar demasiadamente é quando o amor acaba. É impressionante como, após uma desilusão amorosa, as pessoas tornam-se mais cautelosas. Mas, quando eu falo de desilusão amorosa, é desilusão amorosa mesmo. É chorar todos os dias(às vezes, penso que não chorar é ainda pior), é perder o apetite(ou ganhar), é não ter forças e nem coragem para fazer nada, é achar que a reconciliação vem por meio de um mero telefonema, é achar que a força com que você ama será reconhecida e tudo ficará bem, é anular-se, é achar que o seu amanhã continuará inerte se você não tiver esse alguém ao seu lado, é achar que ninguém é importante se você não tiver a importância do alguém amado.
Gente, se eu disser que isso tudo é efêmero, vocês acreditam? Bem, a crença de vocês vai depender do que vocês estão vivendo, fato. Se você não se encaixa nessa descrição, você não acredita em mim. Se você se encaixou nessa descrição, você acredita em mim. Quando tudo isso passa, você vê o quão você foi egoísta, o quão você deixou os outros tipos de amores de lado em favorecimento de apenas UM outro, que você julgava ser o mais importante. Leia de novo as características de quem passa por uma desilusão amorosa. Viu o quanto todos esses pensamentos são egoístas? E o pior, com você mesmo. É, posso lançar um livro de auto-ajuda, mas isso é tão verdade. E o melhor(é, melhor), eu acho que todos devem passar por isso. Quando você se ergue, você volta mais forte, cauteloso, pé no chão, maduro. Não é que você se torne amargurado, você se torna experiente, é diferente. Você aprende a hora de fazer a coisa certa. Aprender a "jogar", digamos assim. É, infelizmente, 99,100% das pessoas jogam. O famoso "ligar ou não no outro dia" passa pela cabeça de todo mundo. E não me venha com essa "eu não sou assim", lógico que é. É do ser humano. Chama-se medo. É a única coisa que acho que nunca conseguirei entender: por que o ser humano não se apaixona por carinho, afeto, atenção? Repare, são apenas características de encatamento, as pessoas gostam mesmo é do diferente, do estranho. Cabe a você, saber ou não fazer o diferente. Daí, como saber o que é diferente pra outra pessoa? Por isso, amor é sorte. É loteria. Amor de envelhecer junto é loteria. Mas é tão ruim você querer se dar e não poder, não é? Você está ali ao lado, quer dar um abraço, dizer coisas bonitas e...prá, não pode, não diz. É, não diga mesmo. É a tradição, é a lei natural das coisas. O tempo que vai te dar segurança, enquanto isso, seja auto-confiante. É de bestializar o quanto auto-confiança atrai as pessoas. É o famoso "gelo". Esse sim dita as regras. Agora, pergunto de novo, o por quê disso ter de acontecer? Dar gelo para calibrar a relação? Que saco! As coisas podiam ser mais fáceis, é, mas não são. Então, é enfrentar.
Agora, cuidado para não beirar a indiferença. Tem sentimento mais repugnante? Inveja e falsidade perdem é feio. Indiferença é N-A-D-A. Você não é nada pra mim. Já pensou se você não significasse nada? Isso é forte. Cultive o ódio, mas fuja de sentir-se indiferente a alguém. Mas é um pouco inevitável. Você tem de buscar a linha-limite entre a auto-confiança e a indiferença, pois ambas estão bem perto uma da outra. O ódio tem energia, te leva para o caminho do perdão. Mas a indiferença? Ela é morta, é simplesmente nada. Nada é nada. Prevenir alguém "cuidado com a minha indiferença, não a cultive" pode parecer um pouco ameaçador e até prepotente, mas só quem sente é que sabe. E, a partir daí, não é ameaça nem prepotência, é desejo de que esse nada passe bem longe, pois, se ele chegar, acabou.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Jogar conversa fora.


Conversar, bem, conversar..o que seria conversar? De acordo com o dicionário, seria: falar com alguém, palestrar, tratar, discutir, convencer ou persuadir alguém a fazer certa coisa. Caso você não tenha percebido, conversar é um exercício que não se pratica sozinho. Quer dizer interação, é a tentativa de chegar a um consenso. Nem sempre se chega a um consenso, isso é bem verdade, mas ainda continua sendo uma atividade interessante, pois a vontade com que se defende um ponto de vista faz com que você queira conversar sempre.
Pare, recorde uma conversa com alguém que goste. Você já percebeu o quanto conversar com alguém especial te faz bem? Como as horas passam rápido! Como você não quer sair dali! O assunto não acaba, uma coisa puxa outra, tudo se entrelaça, nada se termina. Isso é uma grande verdade, nenhum assunto é terminado. Será que não é proposital? Se um assunto termina, há a possibilidade de um outro não ser puxado imediatamente, mas, se o assunto não é terminado, um vem no meio do outro e assim as coisas vão se misturando e nada tem fim, nem a conversa.
Agora, se alguém souber a resposta, por favor, me diga. Como alguém pode viver junto apenas amando? Amar é um sentimento puro que não trás acoplado o bom relacionamento. Quantas pessoas você conhece que amam, mas que vivem brigando? Então, para o bom funcionamento do amor, é necessário o "se dar bem". O amor não é o bastante, essa é a verdade, as pessoas têm de se encaixar, de casar, de agregar, de somar, de acoplar, de juntar, de amigar, de compartilhar, de dividir. Posso dar um conselho? Se você acha que conversar duas horas com uma pessoa que se gosta é muito, desista e parta pra outra.

domingo, 12 de outubro de 2008

Toma conta de mim.


A ansiedade é algo que te causa diversos sabores. Quando você tem a certeza de que o esperado dará certo, a ansiedade pode ser até algo bom. Mas, quando você não sabe o que vai acontecer, a ansiedade é algo que te corrói. É complicado manter-se racional quando se encontra embebido de ansiedade.
Mas você consegue perceber que a ansiedade é fruto da insegurança? É como o guarda-chuva, sabe? Afinal, porque ele se chama guarda-chuva e não guarda-cabeça? De que lado ele está? Quem ele protege? Ele protege a chuva da sua tolice ou protege a sua cabeça da tempestade? Eis a dúvida. É, lá vem ela. Novamente, a mãe e principal mestra da discípula ansiedade, dúvida. Quando você conseguir solucionar o mistério do batismo do guarda-chuva, a ansiedade some, esvai-se, evapora, extingue-se.
A melhor solução para a cura desse sentimento perturbador é um sujeito chamado amigo. Li em algum lugar que o verdadeiro amigo é aquele que chega quando tudo já se foi. E, se tudo já se foi, é porque ela tomou conta de você. "
Parece que foi ontem, eu correndo entre as árvores tão cheias de frutos. Eu peguei um dos frutos, mordi. O tempo pegou uma das flores, caiu. Parece que foi ontem, eu deitado na grama para olhar as nuvens e meus dedos descobrindo na terra a flor que eu nunca poderia salvar." Você não teve medo de morder o fruto, mas quem mandou o tempo se meter no seu jardim? Quem mandou ele querer influir na forma com que você lidava com as flores? Mas ele tem esse poder, e, nem sempre, é pro seu bem. Eu ainda não consegui desenvolver um jeito de fazer ele esquecer-me e deixar de ser tão presente. Ele deve ser daqueles que não se consegue influir. Quando ele tem de agir, ele vem e..pá.
Mas sabe a melhor coisa que a ansiedade te proporciona? A surpresa. É. Afinal, se você pensa negativamente, não quer dizer que vá acontecer uma coisa ruim, de fato. Eu não canso de repetir que você não sabe o dia de amanhã. A ansiedade é inerente ao hoje. O amanhã não tem necessidade que se acople sentimentos a ele. E ele tá certo, ele tem de ser egoísta, porque ele muda em um décimo de segundo. Sentimentos não são assim, são menos mutáveis. Então, se não vai acompanhar, não comece a correr. Deixe o amanhã ser livre.
Procure alguém que te proporcione um afago, uma coisa nova, um palavra ainda não ouvida. Gente é a coisa mais fascinante que pode haver no universo. Não são signos que vão te limitar, que vão te definir e te dizer como você vai ser, como as coisas vão acontecer. Ora, quem manda em seus sentimentos, em sua maneira de ser, é você, não é seu horóscopo. É bem verdade que ele acerta algumas horas, mas, se ele não acertasse, ele já teria sumido. Mas ele não dita, ele não impõe, ele não é soberano e nem você é subserviente. Mande, você, nele. Mostre quem dá as cartas e que, quando se trata de gente, nada pode ser afirmado, apenas suposto.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cartas, búzios e tarot.


Sabe quando você é seu próprio cartomante? Era assim que Davi sentia-se. Ele sabia tudo que ia acontecer no futuro dele. Mas será que ele estava realmente certo? Bem, pensara ele que sim.
Se Davi tirava uma nota baixa, ele sabia que, próxima etapa, ele estudaria mais e o bom resultado apareceria.
Se Davi brigava com sua mãe, ele sabia que, em dois dias, as pazes seriam feitas.
Se Davi viciava em uma música, ele sabia que, em duas semanas, apareceria outra e ele passaria a ouvi-la.
Se Davi estava a fim de alguém, ele não se angustiava, porque, logo, apareceria outro alguém.
Mas e se Davi se apaixonasse?
Bem, ele jogaria as cartas do tarot na gaveta e sentaria, esperando o destino colocar as cartas para ele.
Dizem que o destino é um dos cartomantes mais mentirosos, o maior dos charlatões. Principalmente, quando você também põe cartas, pois você sempre acha que tem o controle do futuro. E Davi era um desses.
Mas quem disse que, quando você sabe o que vai acontecer, você tem o controle?
Saber o futuro não significa mudá-lo. Davi não sabia disso.
Saber o que vai acontecer ajuda você a não ter tantas surpresas, mas daí a mudar é bem diferente. Muito diferente. Quando se fala em sentimentos, tudo é diferente. Você sente algo hoje, mas não sabe se sentirá o mesmo amanhã, mais fraco ou mais forte.
E se acontecer algo inesperado? Se acontecer, Davi vai colocar as cartas novamente? Você colocaria as cartas novamente?
Toda vez que você ouvir uma palavra que não contava, um olhar que não era previsto, um cheiro inesperado, um gosto surpreendente, uma conversa que não estava programada você vai pôr as cartas?
Davi não sabia se queria as coisas totalmente programadas ou se queria programar e ter surpresas ou se queria tudo não-programado.
Será que o charlatão do destino avisaria a Davi que, por mais que ele soubesse o dia de amanhã, ele agiria de acordo com o que estava programado pelas cartas e não pelo que ele queria que acontecesse? Resumindo, Davi, quando sabia o dia de amanhã, fazia tudo igual, ou seja, para ele, não adiantava saber, porque os sentires dele eram mais fortes que qualquer parte racional do seu cérebro.
Mas ele adorava enganar-se. Achava que seria o dono da situação se pudesse, milimetricamente, descrevê-la.
Ele tem de saber que a vida deve ser como um filho que nasce ao contrário, que nasce para dentro, pois, cada vez mais, estaria perto do coração.
Davi tentava, com as cartas, enxugar suas próprias lágrimas. Tentava fazer o dia seguinte não magoá-lo, não surpreendê-lo negativamente.
Mas qual seria a graça?
De que adianta sentar em um gramado e observar as nuvens passarem se você verá a quantidade certa e a forma certa das nuvens que passam?
Bom mesmo é segurar uma flor e não saber quanto tempo ela vai demorar para cair da sua mão ou para murchar.
A flor pode conter espinhos? Pode. Mas quem garante que não virá alguém fazer um curativo?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Confabule.


- Teu mal é pensar que sempre há uma segunda intenção, sabia?
- E não há?
- Não.
- Vou fingir que acredito.
- Isso não vai mudar em nada, eu não me importo com o que dizem mesmo.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Você não é a chuva e nem o dia ensolarado, você é apenas como a terra, sabe? Pisa-se, porque se tem a obrigação de pisar, mas não faz diferença alguma.
- Eu nunca quis fazer diferença. Você não percebe que está fantasiando?
- Tem certeza?
- Sim. Você é deveras misteriosa, enigmática. Quer muito mais do que o corpo, quer nada além da alma. Tem de agir de forma estratégica, seu modus operandi. Você quer a essência por detrás das aparências. Pistas, sinais sutis, quebra-cabeças. Detetive da alma, investigadora. Não dá para te enganar, você tem visão de raio-x. Não precisa se marquetear, você descobre tudo.
- Oo
- Você parece ser traiçoeira, mas não o é. Você está sempre desvendando os sentires. Sei que você é séria, justa e verdadeira. Age assim e espera o mesmo das pessoas que ama. Você gosta de caráter, de interior. Você é dedicada e gosta de atenção total. Um pouco possessiva e ciumenta. Tem medo de tudo que já passou, criou bloqueios e se fechou.
- Você se sente feliz em me desvendar por completo?
- Não, nunca quis isso, mas é inevitável. Você só não pode pensar que é a única a ter inteligência. Posso ter milhões de defeitos, mas faço questão de ressaltar minhas qualidades. Sou bobo quando me convém. Sei respeitar, sei idolatrar, sei esnobar. Faço até o que não gosto quando é preciso. Sei ter pulso, saiba disso.
- Eu não tenho medo.
- Nem precisa ter, eu não quero isso. Só quero não ter de contemplá-la com minha indiferença. Não existe sentimento mais ridículo. E isso não é uma ameça. É porque não quero que isso aconteça.
- Eu não posso falar nada. A situação não permite. Eu preciso de certezas.
- A vida é incerta. Não adianta bloquear-se e querer fazer tudo diferente.



E assim a lida insana da vida colocou o urso e a raposa de frente. Mas nenhum dos dois queria vencer, apenas ter certeza do dia de amanhã. Coitados, mal sabem que ninguém sabe o dia de amanhã.

domingo, 28 de setembro de 2008

Sentimento.


Ele vem do nada e te invade, que estranho! Você nem estava contando com ele. Era uma bela tarde, e você estava calmo, centrado, feliz. De repente, algo acontece, alguém aparece. E você não está nem aí. Você nem gosta de conhecer pessoas novas mesmo. Você, na maioria das vezes, está fechado, porque você é assim, você tem medo do novo, minto? Pra chegar perto de você, tem de ter o dom da palavra. É, isso é deveras apreciado. Por que? Porque falar sozinho e não ter companhia digna é a coisa mais entediante que alguém pode presenciar, quiçá viver ao lado.
Não adianta, quando você não quer, o seu coração faz questão de te contrariar. Acho que é o órgão do corpo humano mais birrento. Mais até que os músculos e seus espamos involuntários.
Pois bem, lá vem ele, começa a te importunar. 10min, 25min, mais três dias, 30min. Quando você se dá conta, ele te importuna todos os dias. Ele é inventivo, diferente de tudo que você já tinha visto. Deve ser esse diferencial que impediu o seu bloqueio. Mas enfim, você ainda consegue controlar, mas ele começa a te invadir por completo. Quando você se dá conta, não tem mais jeito. Ele te dominou, você está completamente invadido. Como a multidão que invade, como a chuva que chega molhando tudo, como o cardume que caminha em direção às águas quentes, como tudo que você vai contra e, invariavelmente, você começa a gostar.
É impressionante como o jogo pode virar, você manda nele e, depois, ele manda em você. Você se cala, é o único jeito, quem manda agora é ele. E vá lutar, não adianta. É melhor se calar, dar tempo ao tempo. Como você odeia essa frase! Tanto! Dar tempo ao tempo? O tempo quem faz é você, você pode perder um tempo feliz, porque você está dando tempo ao tempo, que já tem tempo. Ele não precisa de você, o tempo é solitário, e você não precisa ser assim também. Apenas seja você. Pare de bloquear o que é pra ser seu. Mas o direito é dele, quem manda é ele. Você pode obrigá-lo? Não, de forma alguma. Fique quieto, de repente, ele olha pra trás e vê que você foi invadido, que você não quer brigar, que você quer crescer, ser interessante todos os dias. É, mas não se culpe, a culpa é dele, que te invadiu. O sentimento puro te invadiu. Parabéns, agora é esperar passar.



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Um dia comum?


Nunca havia visto um supermercado tão lotado! O caixa rápido parece ser sempre o mais lento, além de eu conseguir contar mais de 10 volumes por pessoa em todo mundo da fila. Enfim, espero, espero e, casadamente, espero. Empacoto tudo e dirijo-me ao meu carro. Buzino e vejo o portão abrindo-se. "Obrigada", digo isso num olhar ao porteiro. Desço, pego o carrinho de compras do condomínio para colocar as minhas e levar ao meu apartamento. Ao dar o primeiro empurrão, escuto um barulho estrondoso. Para variar, deve ser mais um jarro de flores que cai. Ao chegar à frente do prédio, um corpo! Meu Deus, nunca tinha visto tal cena. Fiquei estarrecida. Meus olhos não queriam acreditar, era Isabella! Aquele gelo profundo tomou conta do meu corpo. Sabe quando você pára porque o seu cérebro não consegue dar a ordem pra ir adiante? Pois é, foi, exatamente, isso. Ouço um grito, mas não sei de quem foi. E isso era o que menos importava. O que eu ia fazer? A garota estava agonizando. Imagine se fosse minha filha ali. Não quero nem pensar nisso. Rapidamente, os bombeiros chegaram e fizeram os primeiros socorros, inúteis.
Eu nunca pensei em presenciar o caso que comoveria o país. Ainda mais de uma criança que era amiga da minha filha, não queria acreditar. Chega a imprensa, a polícia, a perícia, os curiosos, mobilização generalizada. Depois de duas horas, quando o choque passou, consegui chorar, mas não um chorar qualquer, caí em prantos. Aquela cena jamais sairia da minha mente. Aquela linda menina não merecia essa fatalidade. Fatalidade até meu marido assistir ao primeiro noticiário. Eu achei que ele estivesse enganado ou algo do tipo, mas não. Acreditar que ela havia sido empurrada da janela? Eu sou humana demais para acreditar nisso. Outro choque. Digamos que, nesse período, minha vida não tem sido a mesma. Todos os dias são milhares de máquinas fotográficas e filmadoras em frente ao meu condomínio. Aqueles abutres da imprensa que não sabem falar em outra coisa. Sensacionalismo demais, comentários demais, suposições demais. Tudo bem, ajudam a levantar a cabeça da população e o clamor por justiça, mas não vamos brincar com os sentimentos das pessoas. Chegar ao ponto de levar uma boneca à um programa de TV e jogá-la de certa altura para simular o crime? Menos, bem menos. Ligo a televisão e só se fala nisso.

Eu não consigo engolir e, muito menos, digerir como se pode matar uma criança, que não faz mal a ninguém! Como?? Vi no jornal um estuprador que estuprou uma criatura de quatro anos, fazendo sexo anal e vaginal, entupindo a boca da criança de folhas para que ela não gritasse, num matagal! Em que mundo nós estamos, me digam! Cada dia vejo coisas piores, não quero mais nem assistir televisão. Num é que eu queria fechar os olhos pro mundo, o problema é a falta de sentimento nas pessoas, de compaixão. Desculpem-me, ainda não aprendi a lidar com isso, felizmente.
Não quero fazer nenhum julgamente, mas eu acho mesmo que foi o pai e a mulher, nunca gostei dele mesmo. Mas quem sou eu, né? Só me espanto com uma frieza sem tamanho. Espero que esse não seja apenas mais um caso de mídia. Que a justiça aprenda a trabalhar, pois, por enquanto, minha TV continuará desligada.

domingo, 16 de março de 2008

Crônica de costumes.

Ele estava lá, solitário, com o rosto coberto pelo medo. As cenas, até ali trasncorridas, embaralhavam-se em seus pensamentos súbitos. Ele não tinha maturidade suficiente para saber o que estava acontecendo. Os trejeitos denunciavam-no. Os cantos sempre eram seus principais companheiros.
Ele podia não entender o que se passava, mas sentia que as brincadeiras de roda não gostavam dele. Ele apenas observava os grupos animados, porém herméticos. Para ele, não havia motivos. Desejava apenas brincar. A fala alta o incomodava, pois não havia com quem falar alto também.
A atenção da mestra nunca lhe era prestada. Ele apenas ouvia os conselhos dados. Muitas tentativas de inclusão foram promovidas, porém sem muito sucesso. Acabava sempre conversando com quem lhe dava atenção. Não conversava. Nem olhar as horas ele sabia para saber se o fim do sofrimento diário se aproximava. Ele não sabia o que havia de errado.
Pensava apenas se algum dia aquilo teria fim. Não conseguiria viver daquela forma. Precisava ser aceito. Tinha de mudar. Queria brincar. Só conseguia pensar e esperar o tempo passar impacientemente. Depois chorar. Para chamar atenção.




P.S.: Este texto é dedicado à Marina e à Elenita. :D

domingo, 9 de março de 2008

Febre nacional.

O orkut é, indiscutivelmente, a febre nacional. Ele virou algo inerente às pessoas e ao levar da vida. Todas as pessoas ficam ansiosas pelo recebimento de "scraps", pelo aumento do número de amigos, pela atualização do álbum, por depoimentos que expressem carinho extremo, mostrando que a pessoa é bem quirsta.
"Meu Deus, a fulana atualizou o álbum dela!! Acabei de ver nas atualizações dos amigos no meu perfil. Mas olha, ela estava na Europa, desgaraçada! Uma sorte dessa eu não dou."
"Égua, o cara tá pegando essa gata ae, não acredito!! E ainda anda com as melhores roupas, num carrão, porque dá pra ver pelo fundo da foto, que aparece a garagem. Sem falar que ele tem os amigos que eu queria ter, todos populares!"
"Chega add, chega add, chega add. Ai meu Deus, ninguém me adiciona. :x"
Essas pensamentos inrustidos, ou não, tornaram-se comuns nas vidas das pessoas. E não adianta negar, todos já pensaram ao menos algum deles. As pessoas estão vivendo em função de mostrar sua vida no orkut. E, mais uma vez, isso é inegável. Vai dizer-me que você não pensa..
Churrascão lotado, galera animada, momento de bater fotos, então:
"-FOTO! FOTO! FOTO!"
(pose)
(mais uma pose)
(e outra)
"-Cadê, deixa eu ver se ficou boa."
"Olha, está ótima! Essa vai pro orkut certeza."

Então? Minto? Não, né? É o famoso modismo e é do ser humano, portanto, normal. Normal até certo ponto, diga-se de passagem. Não podemos viver em função do que as pessoas que frenqüentam meu profile vão pensar do que tem escrito no meu quem sou eu. Isso sim é banal demais. Pensar em fotos, poses, cores, efeitos e bordas para as fotos do seu álbum é normal. Ou, ao menos, eu acho.

Mas a melhor parte de ter orkut é estar "antenado" com as novidades alheias. É ou não? Lógico que é! Melhor do que parecer ter uma vida perfeita para os amigos do seu orkut é ver a vida "perfeita" dos outros ou a não-perfeição dela. Não se culpem tanto lendo isso. As pessoas dão-nos motivos para fazer isso. A primeira coisa que um casal faz quando termina o namoro é tirar o 'namorando' do orkut. Eles querem que fechemos os olhos para isso? Os depoimentos que juram amor eterno são apagados. O álbum 'ele(a), só dele(a)' é apagado. Os depoimentos seus para ele(a) são apagados também. O ex-compromissado não se importa nem em curtir a dor do momento, o importante é mesmo mostrar ao ex que está bem sem ele. Para isso, o orkut é sempre o melhor amigo.
Participar de comunidades, hoje, não é mais ter interesse no assunto abordado. As pessoas usam as comunidades para passar a idéia que querem. Exemplo: 'Eu fui para a Europa', a pessoa está, realmente, interessada em postar nos fóruns da comunidade como foi a experiência dela pela Europa? Claro que não! O que ela quer é deixar disponível aos olhos alheios que ela foi à Europa e que se orgulha disso.
Conversar por scraps é moda sim! Vamos segui-la então. MSN para quê? Você, na grande maioria extraordinariamente esmagadora das vezes, tem a pessoa adicionada no MSN, mas ter mais scraps é muito mais importante, não é verdade? Quando a pessoa não quer conversar por scraps, mas tem medo de cortar o ávido colecionador de recados? É, o jeito é suportar. Depois, discretamente, é só apagar, quando não tiver mais na página principal. Experiência própria.
Trancar o álbum, os scraps e os vídeos também virou moda. Definitavamente, não concordo. Viva a democracia!! Se é para expor a vida, vamos expor por completo. Já dizia o velho dito popular: "Quem está na chuva é para se molhar." Não vale acompanhar Rihanna e ficar under a umbrella ella ella dela. Só é permitido para os amigos da lista. Nossa, que discreto! Uma pessoa, realmente, que não quer expor a vida, de fato.(palmas para a discrição de tal personalidade) Um projeto de Sandy, eu diria. Enfim, mas é um artifício disponível.
Mas a última moda no mercado brasileiro de orkuts é, na verdade, conversar por depoimentos. Seu segredo estará bem guardado. Aí, certamente, não há como os apaixonados pela coletivização das informações pessoais saberem de nada. Parabéns, sua privacidade está assegurada. Você é uma pessoa discreta que consegue guardar os pormenores de sua vida.
Apenas mais um detalhe: se você se encaixou em alguns desses pensamentos, descrições, relatos, tudo bem, é a moda.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Big Criticado do Brasil

Começou, há pouco tempo, mais uma edição do Big Brother Brasil, a oitava. Parece que o “Big God”, finalmente, após um período de experimentações, definiu o padrão do programa: gente feia já era; pobre não tem mais vez; os negros têm lugar cativo; ter a personalidade marcante(ou fingir que tem); ser bonito naturalmente ou artificialmente; ser ou fazer algo excêntrico são características básicas para passar pelo processo de seleção. Mas qual o motivo de o BBB ser tão criticado?

Muitos dizem ser uma besteira passar o dia acompanhando a vida de um “bando” de desconhecidos que, na maioria das vezes, não tem cultura alguma para acrescentar ao povo brasileiro, seria mais um exemplo de “cultura inútil”. O BBB é apenas uma forma rápida de ascensão para pessoas que querem um espaço na mídia para mostrar o “seu talento”, dizem eles. Sinceramente, vai adiantar criticar o programa? Será esse o único programa de má qualidade presente na rede de TV aberta do Brasil? Existem programas sem conteúdo que estão no ar há mais de dez anos e nunca li ou ouvi críticas a eles. Não que isto seja uma apologia ao programa, mas sim um alerta para assistirmos o que nos dá vontade, o que nos desperta interesse, mas, obviamente, sabendo o que se está assistindo.

Quem não tem curiosidade em saber quem foi o vencedor da prova de resistência para a escolha do líder? Será que quem ganhou a prova do anjo foi aquele que eu estou torcendo? Tomara que aquela falsa seja eliminada no paredão de amanhã! É entretenimento, não importando a qualidade. Após um dia de trabalho enfadonho ou um sacal dia de estudos, assistir a um documentário sobre o aquecimento global apenas piora a tensão, certamente. Se virmos pelo lado bom, colocaram um bom apresentador que, ao menos, faz comentários inteligentes e “alfineta” com perspicácia. Até discussão sobre mitologia grega já teve, ou seja, o nível está ficando melhor. Quem sabe no BBB 16 não teremos apenas comentários cultos?